Arquivo para Março, 2007

Podcast – Espaço Virtu@l

Trabalho para Novas Tecnologias em Comunicação.

Elaboração de um podcast.

Tema: Jornalismo On-line
Nome do Programa: Espaço Virtual
Formato: Debate
Público-alvo: Jornalistas e estudantes de comunicação social.
Justificativa: Devido ao exagero nas coberturas jornalísticas on-line, vamos debater a importância, acertos, erros, e a não necessária veracidade dos fatos em decorrência ao furo jornalístico.

Grupo:
José Mário Alves
Eduardo Henrique Brandão
Tamires Mieko Ribeiro de Oliveira
Ruy Marques

E EU OLHAVA OS LÍRIOS DO CAMPO

Acordara atrasado, como sempre, mal se vestiu, pegou a mochila com seu material de trabalho, colocou alguns livros embaixo do braço e saiu. Não gostava das segundas-feiras. E esta, como típica segunda-feira, deixava no ar uma gota de saudade, certa dose de melancolia, um ponta de tristeza. Talvez ecoava na memória saudades do que nunca fizera, ou raiva pelo que deixou de fazer. Um gosto ruim amargava em sua cabeça. Pegou algumas torradas, que comeu pelo caminho. Correu ao perceber seu ônibus no ponto. Chegou a tempo. Pagou a passagem, deu bom dia ao motorista, um dos livros caiu de seu braço. Chutou, e ao passar pela roleta, abaixou para pegá-lo. Ao levantar, reparou com uma moça, cabelos negros e lisos, lendo um livro. Fixou os olhos no título “Olhai os lírios do campo”. Parou um instante, pôs-se a pensar em uma data esquecida nos labirintos da memória.

Ele tinha pouco mais de 20 anos, ela, mais nova, tinha 17.
“Você precisa ler este livro, antes de completar 20 anos” Disse com o exemplar da obra do Érico Veríssimo nas mãos.
Ela detestava ler, mas por ele faria tudo. Pegou o livro.
“Vou ler, pode deixar.”
Ainda eufórico, ele completou.
“Este livro vai mudar sua vida.”

Algum tempo passou, uma briga boba, muito orgulho e pouca conversa, fez que aquele namoro acabasse. Na última vez que tiveram juntos, ela deu com o livro, um exemplar de capa duro e folhas grossas, em seu peito. O orgulho falou mais alto, calado, engoliu a seco, pegou o livro e partiu. Não viu os olhos ressentidos dela, e seu pedido de desculpas abafado pelo barulho dos carros.

“Como será que ela está?” Pensou, ainda ao levantar com o exemplar de “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche. Ainda preso ao magnetismo do título, ficou a observar a moça lendo. Ela lia com o livro tampando todo o seu rosto. “Quanto tempo faz que a briga ocorreu? Dois anos? Ela estaria com 20 anos agora. Será?”

“Alice?”
Ela baixou o livro, ele pode vê-la. Como antes, pouca coisa mudará, apenas estava mais bonita, olhos mais brilhantes.
“Ronaldo. Quanto tempo. Meu deus! Você não mudou nada.”
“Mudei sim, estou mais envelhecido, os cabelos começaram a cair. Tenho dormido pouco. E conciliar trabalho, estudo, família, amigos, não é uma tarefa muito fácil.”
“Eu sei como é. Estou indo para o trabalho. Nem te contei, comprei uma moto, lembra, sempre quis uma.”
“Que bacana. Uma moto? Você sempre foi maluca mesmo.”
“E você, como está?”
“Bem, quer dizer, bem cansado.” Risos de ambos. “Você lendo? O que aconteceu? Ainda mais este livro… Lembra dele?”
“Você disse para que eu lesse antes dos 20 anos, bom, falta uma semana, será que dá tempo?”
“Você está em que parte?”
“O Eugênio está dirigindo o automóvel, acho que para visitar a Olívia no hospital.”
“Ainda falta um pouco…” Respirou fundo. “O que está achando o livro?”
“Não estou entendendo bem, mas parece bom. E você falou tanto dele.”

“Bom, meu ponto é este” disse, ajeitando seus pertences.
“A gente se vê, anote meu telefone.”
Trocaram telefones. Ele desceu. Ficou observando o ônibus partir. Sentou no chão. Pensou sobre a vida. “Dois anos nos separava. Dois anos.” Ela acompanhou pela janela. Voltou ao livro. “O que será de tão importante tem nestas páginas?” Pensou.

Ele caminhou mais dois pontos. Antecipou sua descida. Queria evitar pensar no passado. Foi tão difícil esquecê-la. Evitara, ao máximo, reencontrá-la. “Coisas do destino? Não sei.”

Ficou o resto da tarde pensando no encontro. Com o olhar perdido e a atenção dispersa, pouco rendeu. A tarde não passava. Com o pensamento longe, suspirou: “O tempo passou e eu continuava olhando os lírios do campo.”

ALCATÉIAS DO CONHECIMENTO.

Vivemos, hoje, um momento único, não só na história da cibernética, como em toda estruturação social. A informática, que teve seu inicio para fins bélicos, desenvolveu-se, ao passar dos anos, em um poderoso centro de entretenimento, comunicação, informação e socialização. Tão veloz quanto ao desenvolvimento tecnológico, o caráter cultural, e por sua vez socializador, despontou como o maior centro de conhecimento e troca de informações, nunca visto na história da humanidade.

Para operar um computador, nos idos anos 50/60, era necessário a especialização em matemática, complexos cálculos, que exigiam excessivo esforço e tempo, eram efetuados em poucos segundos. Aos poucos, e com o aumento de interesse na área em universidades, criou-se como ciência. Deste momento, apenas poucos privilegiados ao conhecimento detinham condições para operar ou construir um computador. No final dos anos 70 e início dos anos 80 e, principalmente, por implemento do ambiente gráfico, a informática deixou de ser um bicho de sete cabeças.

Como um instrumento de uso militar, mecanicista e tecnocrático transformou-se no fenômeno cultural que conhecemos hoje? A resposta para esta pergunta encontra-se no grupo que, quase acidentalmente, deu inicio à revolução. O movimento de contracultura, o famoso maio de 68 – a geração que pregava a criatividade humana como o ápice cultural -, enxergou na possibilidade de democratização do conhecimento tecnológico uma base para derrubar tudo, até então, pré-estabelecido.

Estes “revolucionários”, em suas garagens, desenvolveram os primórdios da informática como conhecemos hoje. Ao passo principal de construir formas simples de comunicação entre máquina e usuário. Com o advento da Internet, derivada de redes militares (ARPANET), a Cibercultura começou a criar corpo. Uma idéia simples, interligar computadores para existir comunicação mútua, tornou-se todos, a certo ponto, iguais. Protegidos pelo anonimato todos tinham voz para expressar suas opiniões ou dividir conhecimentos, até então, mantido em sigilos. A este processo deu-se o nome de horizontamento da comunicação. Tendo como mártir os primeiros hackers, desbravadores solitários em busca de conhecimento.

Hoje, em um mundo conectado, a luta é para a inclusão digital. O que, de início, foi uma apropriação de conhecimentos restritos, transformou, pacificamente, à integração ao mundo da informação.

Para saber mais:
Maio de 1968
Internet
Inclusão Social
Laptop $100


 

Março 2007
S T Q Q S S D
« Fev   Abr »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Acesso número:

  • 61,771 Páginas vistas.

Twitter