Arquivo para Maio, 2007

Biatlo tumultua o trânsito na orla da praia

Avenidas interditadas em decorrência de atividades esportivas voltaram a deixar o trânsito lento, na manhã deste sábado, no trecho entre o Canal 4 e o Aquário Municipal. Só este ano, foram realizados outros nove eventos que bloquearam o fluxo de veículos na região.

Como conseqüência do 15º SP Open Biathlon, o trajeto das linhas de ônibus que realizam este percurso foi alterado. Eles foram desviados no Embaré pela rua Siqueira de Campos para a Avenida Epitácio Pessoa, retornando para a orla da praia pela rua Afonso Celso de Paula e Lima.

A maioria dos veículos desviava pela rua Siqueira de Campos. Segundo o motorista Alexandre Augusto Gomes, que dirigia o Circular 8 da Viação Piracicabana, estas ruas são “mal asfaltadas”. “Isso causa muito transtorno. O fluxo fica lento, os passageiros reclamam. Conduzir nestes dias é uma tarefa difícil”.

Alguns passageiros estranharam quando o ônibus desviou para o trajeto alternativo. A aposentada Regina Arrruda, que estava no ônibus, reclamava da viagem lenta e cansativa. “Quando tem a vista do mar a viagem melhora”. O também aposentado José Roberto Stecca disse que ficou 15 minutos esperando um circular, até que foi avisado sobre o itinerário alterado. “Não há divulgação nenhuma, mudam o trajeto e não avisam nada”.

Já para empregada doméstica Ermelinda de Araújo, moradora de São Vicente, não havia problema algum. “Ficou mais fácil e mais perto de onde eu trabalho”.

Na altura da rua Joaquim Monteiro, na Ponta da Praia, dois agentes da CET controlavam a travessia dos ciclistas. Neste intervalo, a ciclovia atravessa o percurso dos atletas. Nos pontos de conversão, o movimento do tráfego era controlado manualmente pelos agentes, ignorando o tempo dos semáforos. O esquema gerou reclamações dos motoristas, devido ao tempo de espera para liberar o trânsito. Um agente da CET, que não quis revelar o nome, disse que entre 7h30 e 9 horas foi registrada maior intensidade de tráfego. “Neste período o tempo de espera dos semáforos foi de até um minuto”.

Faixas informativas sobre a interdição das vias e rotas de desvios foram espalhadas pelas imediações. Mesmo com avisos proibindo o estacionamento de veículos, havia muitos automóveis ao longo da avenida. A liberação do tráfego estava marcada para o meio-dia.

(Matéria publicada em 13/05/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 09 – Turma: Noite. Página 4)

Inclusão (social) digital

Nos países em desenvolvimento há um grande divisor de águas, cuidar dos problemas que realmente assolam a maioria da população, ou ampliar e popularizar o acesso à Internet. Nestes países, o que é visível, de fato, são pequenas ilhas que copiam tecnologias – dos ditos países do primeiro mundo – em grandes centros um pouco mais desenvolvidos – se comparado o restante do país. Brasil, Índia, Chile, Argentina, Africa do Sul são ótimos exemplos. Alguns teóricos em tecnologia defendem a idéia da inclusão digital, enquanto antropólogos, sociólogos protegem questões “mais urgentes”, como a fome, a guerra, o analfabetismo, as doenças e a desigualdade social.

Nesta batalha teórica o problema tende a aumentar. Enquanto a luta é travada, no plano de fundo, o mesmo abismo que separam os “dominantes e oprimidos” é visível nos dois mundos. Tantos nos problemas reais como no que diz respeito à Internet a lacuna separadora destes extremos é gigantesca. E tende a crescer. Dados mostram que os países mais atrasados em tecnologia são os que atravessam maiores problemas sociais. O mais curioso é que, no dito terceiro mundo, quando menos a população tem acesso a informação, mais elevado é o número de corrupção e falcatruas. Existe alguma relação entre estes números? Desinformação leva ao conformismo.

Mas, afinal, o que é mais importante. Se perguntarmos à população carente, a resposta será unânime. Acabar com os problemas sociais. Porém, do outro lado, o dos defensores dos problemas “virtuais” batem na tecla que o acesso e o bom uso da Internet geram cidadania. O velho ditado chinês, ensinar a pescar ao invés de dar o peixe. Ocorre que nos países desenvolvidos a Internet tem criado aglutinados “sociais” em defesa de causas das mais variadas. Tais fenômenos nunca foram observados na história da humanidade. Estudiosos do assunto inclinam para a facilidade de comunicação e entendimento entre as pessoas geradas por meio dos computadores. Causam antes abafadas pelo “grande imprensa” agora tem vazão em páginas, blogs, comunidades, grupos de e-mails. As redes de redes têm levado à mudanças, não só no âmbito tecnológico, mas também na forma de socialização e de criação de valores sóciais e de cidadania. Muitos destas ações tornam proporções gigantescas e reais. Como os softwares livres e o Fórum Social Mundial.

Uma coisa é inegável. Só existe desenvolvimento econômico com auxílio do desenvolvimento tecnológico. Maio de 68, tido como marco inicial de todo o processo social que a Internet desencadeou, é um exemplo disso. Naquele período – pós-guerra – os jovens tiveram acesso às Universidades. As instituições de ensino estavam lotadas, muito acima do limite. Milhares de jovens de toda a Europa, no período mais fértil de suas vidas, entraram em contato com o conhecimento. De lá para cá, todas as transformações do velho continente são nítidas. Os defensores da Internet se baseiam neste ponto. O conhecimento gera desenvolvimento. Diminui as diferenças, quebra barreira, cria cidadania, fomenta discussão e transformação. Desenvolve.

O decorrer da história nos mostra que, de tempo em tempo, grandes mudanças reorganizam a forma de percepção do mundo. 1968 foi um marco. Lá, os jovens perceberam que o tempo deles passava mais rápido que dos seus pais. Hoje, o tempo é mais veloz. Naquela época – maio de 1968 – não existia tantas formas de comunicação como existe hoje. Porém, o contato com a Universidade colocou-os em contato com novas possibilidades de ação, de transformação de realização. Por meio da internet, este contato com a informação tem tamanho inimaginável. Mas, de outro lado, é devastadora a forma que a tecnologia tem se desenvolvido. Tendendo, assim, a excluir cada vez mais os já excluídos tecnologicamente. Como a própria história nos mostrou, sempre foi possível uma nova tecnologia para o desenvolvimento humano. Desde a invenção das ferramentas em pedra lascada até a corrida (maluca) ao espaço, o homem acresceu ao que já acumulava de conhecimento e misturando imaginação e ciência criou alternativas para o que era até então proposto. Desta forma, pensar que a tecnologia atual está estanque, é retrógrado. É andar na contramão da história.

Resta aos senhores da tecnologia um olhar mais amplo e menos egocentrista. O conhecimento humano é para toda a humanidade e não para um pequeno círculo de “senhores feudais do conhecimento”. De nada adiantará novas formas de tecnologia se continuarem escondidas ou inacessíveis.

CET quer conscientizar motoristas que falam ao celular enquanto dirigem

A partir desta segunda-feira, a CET realizará, nos principais cruzamentos de Santos, campanha de orientação contra o uso de celulares ao volante. A iniciativa da Prefeitura em conjunto com a Polícia Militar visa à prevenção de acidentes. Serão distribuídos panfletos no intuito de informar e conscientizar os motoristas sobre os riscos. A campanha vem em resposta ao aumento das infrações que, em dois anos, apresentou crescimento de quase 12%.

As estatísticas da CET apontam que, em 2004, foram efetuadas 21.199 autuações, e em 2006, 23.690. Em todo o país, falar ao celular enquanto dirige é o maior causador de multas de trânsito. Em apenas 10 minutos, no cruzamento das avenidas Ana Costa e Presidente Wilson, constatou 12 motoristas dirigindo enquanto falavam ao telefone. Um agente da CET no local, ao ser abordado pela reportagem, alegou que fiscalizava apenas a ciclovia.

Segundo o taxista Luiz Rogério, a medida vem em boa hora. Ele conta que diariamente observa muitos atos de imprudência no trânsito. Confirma que utiliza o aparelho celular para uso profissional, tendo que atender, muitas vezes, no meio de uma corrida. “Atrapalhar, atrapalha um pouco, mas temos que atender. Quando não é o telefone, é o rádio da cooperativa”. Ele já foi multado duas vezes pelo uso de celular. Também taxista, José Amparo é mais taxativo. Para ele, a falta de fiscalização é o principal motivo dos abusos. “Todo motorista sabe que é proibido dirigir falando ao telefone”.

A campanha da CET coincide com a semana que antecede o Dia das Mães, a segunda melhor data para vendas de aparelhos celulares, perdendo apenas para o Natal. Neste período, as vendas são superiores em 80% se comparado com os demais meses. Para este ano, as operadoras prepararam pacotes de vantagens ao consumidor, variando de aparelhos com custo zero a bônus em minutos de conversa.

“Esperamos uma vendagem superior a do ano passado, em cerca de 5%, devido às promoções”, afirma a gerente de vendas da Claro, Janaina Ferreira Peres. No Dia das Mães de 2006, foram comercializados 1,8 milhões de aparelhos em todo o país.

Segundo a ANATEL, existem mais de 102 milhões de aparelhos habilitados no Brasil. No primeiro trimestre deste ano, houve acréscimo de 2,24% no volume de vendas. Somente no último mês, foram comercializadas mais de 965 mil habilitações. No Estado de São Paulo foi aprovada a quarta operadora de serviço móvel, Unicel, que estima obter 10% do mercado no período de três anos.

(Matéria publicada em 29/04/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 07 – Turma: Noite. Página 5)

Trabalho e caridade marcam o Dia da Doutrina Espírita

O Dia da Doutrina Espírita foi comemorado ontem, em Santos, com muito trabalho. Os principais centros espíritas da Cidade mantiveram suas atividades cotidianas, visando à caridade e solidariedade aos que pouco possuem.

Segundo o IBGE cerca de 6,8 milhões de brasileiros, aproximadamente 6% da população, são adeptos das doutrinas voltadas para o espiritismo, mas apenas 1,33%, cerca de 2,3 milhões de brasileiros, se autodenominam espíritas. Em Santos, segundo o Jaci Nagris, do Instituto Cultural Kardecista de Santos, são aproximadamente 20 mil praticantes, o que representa cerca de 4,8% da população santista. Existem, na Cidade, 60 centros espíritas. Na Baixada Santista são 97 núcleos.

José Carlos Ferreira, o Carlinhos, que foi interno do Ismênia de Jesus, e hoje é voluntário da entidade, é um exemplo dos ensinamentos da doutrina. Criado desde do primeiro ano de idade no instituto, lá ficou por 16 anos. Saiu quando concluiu o 3º colegial. “Lá, aprendi muito mais que as lições da escola. Aprendi a ser mais humano”, afirma. Hoje, aposentado, voltou ao lar, mas, desta vez, como voluntário. “Sempre freqüentei as sessões, os grupos de prece, as campanhas de caridade, agora como aposentado, sou voluntário em tempo integral. É uma forma de agradecimento”. Ele atua na banca de livros, que serve como centro de informações e local de encontro, localizada na Avenida Conselheiro Nébias, 395.

A caridade é o principal mote para os adeptos do espiritismo, por isso as instituições realizam várias frentes para desenvolvê-la. As mais freqüentes são os lares de amparos às crianças, geralmente com alguma deficiência física, e de idosos. “Estamos ocupando o lugar que o Estado não ocupa, amparando aos esquecidos”, comenta Neide Queije, conselheira do Lar Espírita Mensageiro da Luz.

A maior dificuldade destas casas é manter as contas em dia, com isso, muitas ações são realizadas. Sebos e brechós são os mais comuns. “Em épocas como Natal e Páscoa, abrimos pontos especiais, o que nos ajuda um pouco, mas não é suficiente”, comenta Sandra Regina Paulino, presidente do Conselho Deliberativo e Fiscal, do Mensageiro da Luz. A loja de ovos de Páscoa desta entidade está funcionando na Avenida Washinton Luiz, esquina com a Rua Minas Gerais.

(Matéria publicada em 01/04/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 05 – Turma: Noite. Página 7)

Torneio de natação visa a descoberta de novos talentos

Com aproximadamente 300 atletas inscritos, o Torneio Regional Petiz e Infantil de Natação, foi realizado, neste sábado, no Clube Internacional de Regatas, em Santos. Organizado pela 7ª Delegacia da Federação Aquática Paulista (FAP), teve como objetivo descobrir novos talentos e servir como classificatório para os campeonatos Paulista e Brasileiro. O evento começou às 9 horas. O programa previa a realização de 29 provas sem premiações.

Para os técnicos, o evento ajuda a avaliar se os atletas estão assimilando o aprendizado dos treinos, além de corrigir algumas falhas visíveis apenas em competições. “Nossa preocupação é avaliação dos jovens atletas, verificar a aplicação das técnicas aprendidas e postura perante as competições”, diz o técnico, Felipe Moura, da MESC, de São Bernardo do Campo. Para a técnica da UNISANTA, Maressa Nogueira, o evento é, de fato, o primeiro contato, de caráter competitivo, para os mais novos. “Para os mais experientes, a meta é o índice para o Campeonato Brasileiro”, completa.

Durante as provas, os jovens competidores recebiam incentivos dos técnicos nas proximidades da piscina. Nas arquibancadas parcialmente lotadas, a torcida dos pais era muito animada, unindo-se aos gritos de guerra dos colegas de clube. “É muito importante ouvir nossos amigos berrando, torcendo pela gente. Dá mais garra”, afirma o nadador Lucas Matheus, de 11 anos, atleta do Hebraica, de São Paulo. “Por ser a primeira competição do semestre, em outra cidade, ainda mais com chuva, acho que meu filho tem muito a evoluir”, declara a mãe de Breno Ferreira Xavier, Mayena Xavier. Breno, que treina duas horas por dia, pretende atingir o índice para se classificar para o Campeonato Brasileiro. “Acho que vai dar, nos treinos já atingi a marca, vamos ver quando cair na piscina.”

Segundo o delegado da 7ª Delegacia da FAP, Peter Arthur Bydlowski, esta é a primeira vez, nestas categorias, que a competição acontece com piscina de alto nível. “Esta piscina é um das melhores do Brasil em sua metragem. Com isso, a garotada terá condições para desenvolver uma boa prova. A festa só não ficou mais bonita devido à chuva”, afirma Bydlowski.

Concorrência – Mas, nem tudo é alegria. Fora das piscinas, uma outra competição é travada. Desta vez, para vender equipamentos esportivos, em barracas lotadas de produtos, localizadas nas proximidades do evento. Para o comerciante Carlos Veredas, de Santos, que vende produtos para natação em todas as competições da Baixada Santista, não foi um bom dia de vendas. Segundo Veredas, a chuva e a concorrência desleal de comerciantes da capital que, ao final dos eventos, liquidam mercadorias, acabam deteriorando este mercado. “Eles vendem tudo a preço de banana, afinal têm pouco a perder”. Maiôs, óculos de natação e tocas são os produtos que mais vendem nestes eventos.

(Matéria publicada em 18/03/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 03 – Turma: Noite. Página 4)

Frota de Cabral ganha exposição de réplicas em São Vicente

Réplicas das embarcações da frota de Pedro Álvares Cabral são as principais atrações da exposição “Navegar é preciso”, na Casa Martim Afonso, em São Vicente. Toda a esquadra, que desembarcou em Porto Seguro, está representada na mostra. Ao todo, são dez naus e três caravelas, além de outras embarcações típicas das costas brasileiras dos séculos XVI ao XIX. A exposição destes modelos estende-se até o final de abril.

Além das réplicas, completam a mostra, quadros do artista plástico Carlos Fabra, que reproduzem atracações históricas em solo brasileiro, como a chegada das naus de Pedro Álvares Cabral e de Martim Afonso, em São Vicente. Há também reproduções de espadas e painéis contando a história das navegações. Segundo o historiador e responsável pela mostra, Marcos Braga, a partir de maio, outras reproduções de embarcações históricas substituirão as atuais.

As réplicas foram feitas com base nas plantas originais, vindas de Portugal. Demoraram, em média, quatro meses cada uma para ficarem prontas. “A maior dificuldade é no transporte, além do alto custo da logística. As peças são delicadas”, afirma Braga. A curiosidade da exposição é uma escultura de cobre, confeccionada com mais de 6 mil nós, do artista plástico Francisco Filho, segundo o responsável da mostra, está à venda. O valor não foi divulgado. Segundo a estagiária de turismo e guia da exposição, Alaisy Ferreira de Oliveira, o contato será feito diretamente com o artista.

“Em dias de sol, como hoje, há pouca visitação. Já em dias de chuva, temos um grande volume de visitas”, afirma Alaisy. Em baixa temporada, o público é basicamente de estudantes. A Prefeitura de São Vicente tem um programa de visitação agendada, atendendo as escolas da cidade. Na temporada, o público é diversificado, sendo o maior alvo os turistas. “Este ano, muitos estrangeiros vieram ver a mostra”, completa Alaisy.

A exposição é aberta ao público de terça a domingo, das 10h às 18h. Localiza-se ma Praça 22 de Janeiro, 469, São Vicente. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone (13) 3568-8948.

(Matéria publicada em 04/03/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 01 – Turma: Noite. Página 5)

MEMÓRIAS DE SONHOS QUE NÃO ENVELHECEM

Em comemoração aos 35 anos do Clube da Esquina, abre-se espaço para relembrar alguns shows. De início, um dia que não se traduz em palavras.

(OU SEGUNDOS ETERNIZADOS DO SHOW DO LÔ BORGES)

Era 10 de dezembro de 2004, lembro-me perfeitamente, e como poderia esquecer. Alguns detalhes, talvez, fugiram da memória, mas os momentos mais profundos continuam. Como olhar uma fotografia e relembrar todos os instantes que eternizaram aquele segundo. Aliás, uma fotografia nada mais que isso, um segundo eternizado. Neste dia, milhares de segundos eternizados se enraizaram em meu peito.

Como dizia, era 10 de dezembro de 2004. A música sempre morou em mim, lembro-me de detalhes da infância, que sempre estão ligados à música. Quando descobri o “Clube da Esquina” era apenas uma criança, desde então amei profundamente cada acorde deste movimento. Nesta data, pude pela primeira vez ver o Lô Borges ao vivo.

Teatro Municipal de Santos, 21horas.

Duas horas de show. Mágico, palavras se ecoam em excessos ou em falta para descrever este concerto. Bárbaro seria pouco. Não digo isso com os ouvidos de fã, mas pelos olhos de expectador que, além de se emocionar, vê toda a platéia em eufórica excitação e os olhos cheios d’água.

Confesso que cheguei atrasado. Perdi cerca de três minutos do concerto. Mas cheguei a tempo de ouvir a primeira música. Era um espetáculo mais intimista. Lô e violão, mas nada, além da iluminação do palco. E foi a festa para quem ama “os mineiros”. Depois da primeira hora de show, moderado entre música e “causos” ilustres, a hora seguinte foi seguida por pedidos vindos do público. Maravilha em estado bruto, pura contemplação.

Alguns “causos” famosos, como o início da amizade entre Lô e Beto Guedes, a famosa história da patinete de madeira branca, a dívida que o Beto cisma em dizer que nunca foi paga. O Amor pelos Beatles misturado com a Bossa Nova. O dia que ele conheceu o Bituca, o início de tudo, como algumas canções foram feitas, as novas parcerias. Como bom mineiro, o Lô falava calmamente e de tom quase sussurrado. Era um dia mágico.

Findo o show, ele dirigiu-se à sala de recepção do teatro, a qual daria autógrafos. Estava eu com o último álbum dele nas mãos, indagando-me por não ter levado capas dos discos antigos, ainda em vinil, e o livro “Os sonhos não envelhecem”, do Márcio Borges. Mas, ao chegar minha vez, redimi-me. Foi breve. Menos de um minuto, como quase tudo que muda uma vida. Olhei para o Lô, com os olhos cheios de lágrimas e disse: “Lô, te amo”, ele me olhou, sorriu e disse: “Enxugue estas lágrimas, meu amigo. Qual seu nome?”, respondi: “Eduardo”. Ele continuou: “Oh! Meu amigo Eduardo, viva o som, viva a música”. Ele se levantou e me abraçou, disse, agora em tom mais baixo: “Você me fez ganhar o dia”. Sai misturando lágrimas com sorriso. Chovia uma leve garoa. Nem me importei, estava nas nuvens.

Na cabeça ecoava: “Por que se chamavam homens/Também se chamavam sonhos/
E sonhos não envelhecem”


 

Maio 2007
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