Arquivo para Junho, 2007

Amor, ordem e progresso em fluxo na Vila Esperança

“Amor por princípio, e a Ordem por base; o Progresso por fim”, assim Augusto Comte definiu o positivismo. Sem sombra de dúvidas, o amor é o sentimento que movimenta e define caminhos para o mundo. Jesus Cristo amou a humanidade de forma única, Che Guevara amou e morreu pela América Latina. Santos Dummont amou a liberdade. Saturnino de Brito, Carlos Chagas, Louis Pasteur, Alexandre Fleming amaram a humanidade e por ela revolucionaram a medicina e o progresso humano.

O amor guiou os passos de Sebastião Ribeiro dos Santos, mais conhecido como Zumbi, líder comunitário da Vila Esperança, bairro que fica embaixo da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão. São 20 anos de muita luta e heroísmo para a urbanização do bairro. Zumbi ainda preside a ONG “Cubatão de bem com o mangue”, criada por ele, a fim de conscientizar a comunidade sobre a relação do homem com o meio ambiente.

Calçando um chinelo de cada cor, roupas simples, Zumbi fala do bairro com muita dose de paixão. A batalha que conduz – comenta com brilhos nos olhos – visa à urbanização do bairro, água, esgoto, luz e transporte público de qualidade. Quando chegou, nos anos 70, com a construção da Imigrantes, lá não havia quase ninguém. Orgulha-se em ser um dos primeiros moradores do bairro.

Comte afirmava que a aliança entre o amor e a fé guia a atividade. Zumbi não esconde a sua religiosidade. Usa camiseta estampada com a imagem da Nossa Senhora e a reprodução de Cristo na cruz enfeita a sede da ONG. Pelos cantos, citações da bíblia e em sua fala mansa há o agradecimento a Deus. Porém, a forma ponderada de falar se transforma ao narrar as ações de melhorias para o bairro. “Não sossego até que todos os moradores tenham um lar digno para morar”.

“É uma vitória por dia”, desabafa com ar de esperança. A última grande vitória foi em 2006, com a assinatura do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Com este compromisso firmado entre Prefeitura, Sabesp e a comunidade, a urbanização do bairro saiu dos sonhos e ganhou as ruas. “A Sabesp tem trabalhado de forma acelerada. De segunda a segunda, sem folga”, completa. Uma das responsabilidades do termo é a preservação do mangue, para isso uma cerca de 15 quilômetros foi construída separando a área de preservação ambiental. O custo da construção de foi R$ 90 mil e financiada pela Petrobrás.

“Hoje o bairro está da forma que imaginei há 20 anos. Temos muito para melhorar, muitas lutas e conquistas pela frente”. Contemplando o horizonte e em tom quase profético, Zumbi nos inspira “O fruto deste trabalho é para os nossos filhos e netos. De nada adianta lutar sem amor”.

(Matéria publicada em 10/06/2007, no AGÊNCIA FACOS Especial, com o tema “A coisa mais importante de nossas vidas”, sobre as várias faces do amor, com base no livro digital “Ensaios sobre o Amor”, do escritor português Eduardo Reisinho. Ano 34. Edição 11 – Turma: Noite. Página 7)

Campanha de prevenção ao glaucoma testa equipamento

Campanha para prevenção ao glaucoma, realizada ontem, em São Vicente, servirá para estudo sobre a eficácia dos equipamentos para medição intra-ocular. O evento foi realizado em conjunto com a Escola Paulista de Medicina, Secretaria de Saúde Municipal e ABRAG (Associação Brasileira dos Amigos, Familiares e Portadores de Glaucoma), e aconteceu no dia Nacional ao Combate à doença.

Mais de 150 pessoas aguardavam em fila uma hora antes da abertura do shopping. A procura superou as expectativas dos realizadores, que calculavam atender no máximo 100 pessoas. Até às 11 horas, foram cadastradas 235 pessoas para serem atendidas. Sete enfermeiras realizavam o cadastro dos pacientes.

Segundo o secretário de saúde de São Vicente, Cláudio França, o evento serviu para prevenir e alertar a população sobre os riscos da doença. “Caso se detecte a pressão ocular em alguém, o paciente será encaminhado para tratamento no serviço de saúde da Cidade” completou. França alertou sobre os altos riscos desta enfermidade: “Quase um milhão de brasileiros sofrem de glaucoma”. Segundo a ABRAG, no Brasil, o número é de aproximadamente 900 mil.

Saturnino Rodrigues da Cruz, 77 anos, passou pelo teste. O resultado foi 12 por 15 milímetros de mercúrio (12 no olho direito e 15 no esquerdo), considerado bom. “Não tenho enxergado bem, ultimamente. Tenho dificuldades para ler, mas os médicos disseram que minha pressão está boa”. A aposentada Ivone Miranda da Silva, 64 anos, disse que o teste é rápido e sem dor. Ela já realizou outros testes. “Hoje deu 19 por 19. Está bem perto do limite”, completa.

Segundo a coordenadora da ABRAG, Elisabete Fruchi, acima de 20 milímetros de mercúrio começa a existir algum perigo. “Como os sintomas não são percebidos, os pacientes chegam quando perderam mais de 20% do campo de visão”. Elisabete afirma que 80% dos casos são decorrentes de casos na família. Outras possíveis causas são uso mau uso de colírios e traumas físicos. “Quem tem diabetes corre o risco de contrair a doença”, acrescenta.

O médico responsável pelo evento, Filipe Aciolly Gusmão, alertou sobre o glaucoma que não apresenta pressão intra-ocular. “A medição intra-ocular não é único teste e nem definitivo. São necessários outros exames para afirmar a existência do glaucoma no paciente”. O glaucoma não tem cura, mas diagnosticado precocemente e com tratamento assíduo a doença é estabilizada.

Estudo – Os médicos aproveitaram o evento para realizar um estudo sobre a eficácia dos equipamentos de medição da pressão intra-ocular. Vinte pessoas foram analisadas em três equipamentos diferentes, com intervalos de dez minutos entre cada análise. O resultado deste estudo será transformado em uma tese.

Glaucoma – é uma doença que causa dano ao nervo óptico. Este nervo envia os sinais visuais ao cérebro, que processa as informações e as convertem em imagens. A causa do glaucoma não é totalmente conhecida, mas o aumento da pressão interna no olho é o maior fator de risco.

A parte interior do olho é preenchida por um líquido chamado humor aquoso. Este líquido tem a finalidade de limpar e alimentar as diferentes partes internas do globo ocular. Quando, por algum motivo, este líquido se acumula há um aumento da pressão intra-ocular. Este aumento obstrui o nervo óptico, levando a uma irreversível perda de fibra nervosa e gradativa perda da visão.

O principal sintoma da enfermidade é perda do campo de visão periférica, gerando o que os especialistas chamam de visão tubular.

(Matéria publicada em 27/05/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 11 – Turma: Noite. Página 7)

Vila Esperança

Visão do BairroNaomi Klein costuma falar do vazio político para justificar as mobilizações sociais (ONG´s, passeatas, correntes de e-mails). Canclini diria que o consumo seria um caminho para a cidadania. Baumann diria que os meios de comunicação são fornecedores de modelos comportamentais…

Poderia alongar por horas e horas visões teóricas de pesquisadores, mas prefiro limitar ao alcance de meus olhos. Devido ao trabalho de “Comunicação Comparada”, que deveríamos escolher uma comunidade e analisar a relação do “homem e o meio”, escolhemos, depois de muitos caminhos tortos, a Vila Esperança, em Cubatão. Fundada nos anos 70, com a construção da Rodovia Imigrantes, localiza-se ao longo dos trilhos da antiga estrada de ferro Santos-Jundiaí, e abaixo da Rodovia dos Imigrantes. Inclui-se às áreas conhecidas como Sítio Novo, Ilha Bela, Morro dos Índios e Imigrantes. No bairro moram aproximadamente 6 mil famílias, com mais de 20 mil moradores.A Rodovia dos Imigrantes

Tivemos como guia o líder comunitário, e presidente da ONG “Cubatão de Bem com o Mangue”, Zumbi, andamos por toda a vila. Zumbi nos disse ser um dos primeiros moradores da região. Na ONG também funciona o estúdio de uma TV comunitária. Existe um programa de debate sobre educação ambiental e cidadania. A maior luta da ONG é a regulamentação do bairro, urbanização das ruas, água, esgoto, luz e transporte público de qualidade. Muito já foi feito. Segundo Zumbi, são vinte anos de luta para a melhoria do bairro.

Além do estúdio, na ONG, dividida em duas localidades, tem aulas de inglês, dança, capoeira, e uma clínica médica. Há um programa de distribuição diária de sopas, atendendo mais de 350 pessoas. Ainda há um centro de inclusão digital.

Em 2006 foi assinado o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), o termo defini a preservação do mangue, com isso uma cerca de 15 quilômetros separa a população da área de proteção ambiental. A construção da cerca custou 90 mil reais, e foi financiada por uma empresa da região. Atualmente está em construção o “Museu da Água”, financiado pela mesma empresa, ao custo de 450 mil reais, construída no Horto Municipal de Cubatão, com previsão de finalização das obras para dezembro de 2007.

Devido ao tamanho do bairro e para facilitar o processo de urbanização, há um outro projeto, desenvolvido pelo líder comunitário, Miúdo. A Sociedade de Melhoramentos da Vila Esperança. Lá funciona uma rádio comunitária, feita pela e para a comunidade. Na rádio há um programa diário da ONG, com duração de 30 minutos, debatendo formas de melhorias do bairro, programas de saúde e meio ambiente. Na associação há salas de aula (inglês, dança, capoeira), a administração, e uma padaria comunitária equipada com os maquinários necessários (forno, batedeiras, fôrmas). A dona de casa precisa levar apenas os ingredientes.

EsgotoCaminhando pelo bairro, além do elevado número de igrejas, o esgoto a céu aberto. A prefeitura disponibilizou caçambas espalhadas ao longo da avenida principal para acúmulo de lixo. Mas ainda é insuficiente. Na última casa que separa a cerca protetora, uma senhora nos disse sobre a paixão pelas plantas e o sonho de ter uma casa de alvenaria. O líder comunitário, Zumbi, que nos acompanhava, disse da sua luta para que todas as casas recebam melhorias.
Caçambas de Lixo
Logo depois, em um momento que precisei explicar a uma senhora sobre a importância do cadastramento (depois dizem que o jornalista não deve se envolver na matéria), Miúdo nos disse sobre a existência de “algo” que anda espalhando “boatarias”. De canto, em um conversa paralela, Zumbi e Miúdo olhavam o bairro, os olhos fundos de alegria e esperança. “Em vinte anos, estamos sonhando com isso.” “Estas obras são para os nossos filhos e netos”, profetizou.

Miúdo perguntou ao grupo se iríamos nos formar jornalistas para dizer a verdade ou para dizer o que “eles querem”. A resposta foi unânime. A VERDADE. “Nem que seja preciso criar nosso espaço”, completei.

Cerca

Capítiulo posterior

Só com mobilização social (de dentro para fora) que podemos mudar alguma coisa. Vila Esperança nos mostra isso. A determinação pessoal e a união pela mudança geram força suficiente para mudar. Precisamos insistir, como a mola que resiste.

40 anos do Sgt. Pimenta e a banda dos Corações Solitários

Capa do  Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band  (1967)1967. A Guerra do Vietnã estava longe do fim, Gabriel Garcia Márquez lançava “Cem anos de solidão”. Um mundo colorido de LSD ecoava na mente da geração Flower Power. Che Guevara fora assassinado na Bolívia. Enquanto isso, Ronald Reagan era eleito governador da Califórnia. O homem ainda não tinha chegado à Lua. URSS X EUA. Ideologias discutidas nas esquinas. No Brasil, tempo de censura pré AI-5, Glauber Rocha estreava Terra em Transe. Plínio Marcos lançava o “Navalha na Carne”. O Rei da Vela, peça até então inédita do Oswald de Andrade, estreava no Teatro Oficina (reinaugurado após incêndio em 1966). O Bandido da Luz Vermelha estava preso.

1967. 1 de Junho. Chega às lojas o álbum “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band”. O maior da historia da música pop. Um marco na história da música. Influência das influências… Qualquer superlativo é pequeno perto do tamanho de álbum. Foram necessárias 700 horas em estúdio para elaborar as 13 faixas que compõem uma estrutura única. Um dos primeiros álbuns conceituais da história. Considerado por muitos o início do Rock Progressivo. 13 maravilhas lapidadas pelo quarteto fantástico e George Martin. 39 minutos e 43 segundos misturando música pop e erudita em um brilho de perfeita harmonia e melodia.

O oitavo disco dos Beatles, o terceiro da segunda fase (iniciada em 1965, com Rubber Soul) Particularmente a fase que mais gosto. “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band” levou a aposentadoria prematura (devidamente retomada) da carreira de Brian Wilson (Beach Boys). O álbum surgiu como resposta do “Pet Sounds”, dos Beach Boys, que surgiu em resposta ao “Rubber Soul”, dos Beatles. A resposta de Sgt. Pepper´s viria com o projeto inacabado “Smile”, lançado (finalmente) em 2004.

40 anos depois, o álbum ainda é referência entre os fãs e músicos. Os impactos gerados após o lançamento do disco podem ser analisados nos quatro cantos do mundo. Em 1968, o pequeno príncipe, Ronnie Von, lança seu “álbum psicodélico”. A inspiração invade desde a Tropicália até o Clube da Esquina. Músicos da Jovem Guarda, inspirados no ecos da Flower Power, lançam seus discos psicodélicos (Wanderléa, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Wanusa, Os Incíveis). O mundo fervia com os ouvidos presos nos pouco menos de 40 minutos do Sargento Pimenta.

Dois dias após lançado, Jimi Hendrix abriu um show tocando a faixa título do álbum. Joe Cocker consegui uma façanha, melhorar uma música dos Beatles. Frank Zappa (influenciador do Sgt. Pepper´s) se influencia no álbum para fazer uma critica à sociedade América. Em seguida, os Rolling Stones lançaram o seu clássico “Their Satanic Majesties Request”. No mesmo ano chegava às lojas o The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd. Muitos críticos afirmam a influência do Pink Floyd no som do Sgt. Pepper´s, que no período gravava no estúdio B da Abbey Road, enquanto os Beatles usavam o estúdio A. O mundo vivia um momento único de criatividade e rebeldia que fora esquecido no decorrer dos anos.

O quarentão do Sgt. Pepper´s mostra que o som dos Beatles continua atual. As técnicas inovadoras de gravação, os timbres e maluquices experimentadas no estúdio, além das doses de LSD, ideologias, gurus espirituais e criatividade absurda de composição, orquestração e arranjos fazem do álbum uma pequena pérola, que será revisitada e homenageada de geração a geração.

Para ouvir mais

Parte um
Parte dois
Parte três
Parte quatro
Parte cinco


 

Junho 2007
S T Q Q S S D
« Mai   Jul »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Acesso número:

  • 61,731 Páginas vistas.

Twitter