Arquivo para Setembro, 2007

Satisfação e mãos sujas em oficina de Arte e Comunicação

“Enorme satisfação” foi a sensação que sentiu a artista plástica Mônica Höera, ao término da oficina “Arte e Comunicação”, que ela ministrou durante o Intercom, em oficina e palestra na Unisanta.

O evento contou com a presença de mais de 50 inscritos e misturou teoria e atividades manuais. A professora se surpreendeu com o que considerou a total entrega dos alunos na parte prática da oficina. “Vivemos em momento histórico de pasteurização. As pessoas ficam atrás da tela de computadores, parece que têm medo de sujar as mãos de barro. Aqui, elas sujam”.

De origem européia, Mônica ressaltou a importância das bases no processo de formação do sujeito-indivíduo. “Meus pais me ensinaram bases profundas, como caráter e honestidade. Valores estes que carrego comigo e muito me ajudaram nas minhas andanças pelo mundo”. A artista plástica afirma que trabalha para viajar. “Como não tenho marido e filho, tudo que ganho acabo gasto em viagens por lugares exóticos. Sou apaixonada pela cultura destes lugares”.

Mônica viajou para o Egito em julho passado e acaba de chegar da Argentina, onde apresentou esta mesma oficina. E já planeja novos rumos. “Marrocos, Argélia, África do Sul, devem ser fascinantes as cores destes lugares”. Professora de Publicidade e Propaganda da UniSantos, Mônica Höera pesquisou as cores dos brinquedos infantis femininos no Brasil para sua dissertação de Mestrado, no Mackenzie.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 30/08/2007. E no boletim impresso NOTÍCIAS DO INTERCOM, do dia 31/08/2007)

Arquivo reúne registros da censura do Dops ao teatro

O resgate da memória das produções culturais de São Paulo de 1930 a 1970, a partir dos registros do Dops (Departamento de Ordem e Política Social), foi o centro das discussões da mesa Comunicação e Censura, na UniSantos, durante o Intercom-2007, em Santos, no litoral paulista. O material composto destes registros geraram o Arquivos Miroel Silveira (AMS), da ECA-USP.

A história da formação do AMS daria um livro. Todo o material de pesquisa foi adquirido por “obra do acaso”. “O pessoal do Dops ligou para o professor Miroel Silveira, avisando que precisavam desocupar espaço e tinham que se livrar de uma papelada”, explicou Maria Aparecida Laet (USP). Segundo a pesquisadora, eles tinham pressa. “Ele disseram: venham hoje, ou colocaremos fogo em tudo”, completou.

O material ficou arquivado na sala do professor Miroel Silveira, no Departamento de Teatro, Rádio e Televisão (USP), desde 1988, onde lecionava. Mas só a partir de 2002 projetos de pesquisas foram desenvolvidos. Composto por um conjunto de processos de censura prévia ao teatro, da República Nova até 1970, o acervo contem a história da formação da escola de teatro paulista.

Segundo Maria Aparecida Laet, 60% das peças sofreram algum tipo de censura, no período de 1930 a 1968. De um total de aproximadamente 6.000 obras, 47 foram proibidas de exibição. Depois que a peça era liberada, poderia ser censurada, desde que houvesse alguma infração. “Era comum um censor ir ver uma peça depois de aprovado o texto, ou alguém denunciar”, completa a pesquisadora.

A professora da ECA Maria Marta Jacob, especialista em análise do discurso, diz que a temática das obras era sobre a família. “Como era proibido falar de política, os autores usavam cenas do cotidiano para tocar nos assuntos proibidos”, explica a professora. “Outro tema era as traições, geralmente da mulher por um camarada mais rico”.

Outra parte dos estudos analisa a produção do teatro amador feito por associações de bairros, sindicatos e colônias de imigrantes. “Reuniam-se para manter a unidade da sua língua de origem, para tratar de questões da fábrica, ou simplesmente para se reunirem”, analisa Maria Aparecida Laet.

O estudante de Comunicação, escritor e ator Guimarães Ortega falou sobre a censura. “Eu vivi este período, era comum um censor entrar no meio de uma apresentação”. Segundo Ortega, as peças, cinco dias antes da estréia, eram apresentadas a uma junta de três censores. “Se não gostassem da peça, censuravam mesmo, ou prendiam”.

Ortega conta que uma de suas peças teve 45 minutos censurados. “Mesmo assim, claro, fizemos a peça na íntegra. Um dia, o censor apareceu. Sorte nossa que com um veículo oficial. Não tivemos dúvidas, apresentamos a peça censurada”.

Para Maria Aparecida Laet, a censura nas apresentações foi mais agressiva nos teatros amadores. “O teatro comercial apresentava da forma que estava no texto, sem adaptações ou cacos (improvisações em cena)”.

Boa parte do material pesquisado pode ser visto no site do AMS.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 02/09/2007)

Pollyana Ferrari lança livro sobre hipertexto e hipermídia

A professora Pollyana Ferrari, da PUC, apresentou na Unisantos, durante o Publicom (Encontro com Autores de Publicações Recentes em Comunicação), o livro Hipertexto e Hipermídia. A obra vem cercada de expectativa, porque a autora tem um dos títulos mais populares sobre o assunto, Jornalismo Digital.

O livro, como indica o título, analisa as relações entre profissionais de comunicação e os novos meios digitais de difusão de conteúdo. Organizado por Pollyana Ferrari, ele é um apanhado geral de discussões dos últimos quatro anos de pesquisadores da área. Para a autora, a produção jornalística está em uma nova era. “Hoje, vivemos o colaborativismo na forma de produção do jornalismo”, comenta.

“O Indesing [software de editoração eletrônica], por exemplo, tem recursos para funcionar em rede. O que você faz fica visível para toda a equipe, e eles colaboram no resultado final”, completa Urbano Nobre Nojosa, que escreveu um dos capítulos de Hipertexto e Hipermídia.

Mas, afinal, qual será o papel do jornalismo no futuro? Os pesquisadores apostam nas novas mídias, como a Internet móvel. “Sempre que se for discutir jornalismo on-line, temos que esquecer este falso problema da Internet versus impresso”, analisa Nojosa.

Pollyana vê o jornalismo impresso em um terreno mais seletivo. “A Folha de S. Paulo imprime 300 mil exemplares por dia e já chegou a um milhão, mas mesmo assim é para um público seleto. Vamos caminhar para jornais custando cerca de R$ 15,00″.

Essas análises são cada vez mais constantes. O periódico on-line Le Monde Diplomatique Brasil, acaba de lançar sua versão impressa, depois de oito anos na web, ao valor de R$ 8,90.

Outro ponto abordado pelos professores foi a não-linearidade dos hipertextos. O usuário cria seu próprio caminho de leitura, aprofundando ou interpretando as informações de maneira pessoal e dinâmica. É nesse ponto que, na hipermídia, o jornalista deve ter mais critérios na análise das informações.

Sobre usabilidade, os pesquisadores apontam para o avanço das tecnologias, e afirmam que em um futuro próximo não haverá mais sistema operacional. “A usabilidade é feita para respeitar um espaço físico da tela, como se fosse um quadro. Mas em breve isso não haverá mais. O Google foi o primeiro a perceber isso. Você acessa sua conta e pode fazer diversas ações que antes eram presas a um programa”, comenta Nojosa.

Para Pollyana, a Web 2.0 deixou de ser uma utopia para se transformar em uma realidade imediata, porque o usuário tem elaborado o conteúdo, independentemente de quem estava produzindo antes. “No Orkut, no MSN, nos wikis, nos blogs, no YouTube, temos feito o que não se fazia antes. E quem deveria ter feito não fez. Coube ao usuário desenvolver esse conteúdo. As novas ferramentas vieram para dar vazão a esta necessidade”.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 02/09/2007)

‘Queremos incluir o negro no conceito de nação’

Reparar os danos causados à população negra. Com este propósito aconteceu o I Congresso de Negros e Negras do Brasil. O evento foi realizado sábado, na Câmara Municipal de São Vicente, com o intuito de eleger os delegados que irão representar a Baixada Santista na Plenária Estadual.

“Queremos incluir o negro no conceito de nação”, pontuou a coordenadora do congresso na Baixada Santista, Tatiana Evangelista. “Logo após a abolição, os negros foram jogados nos centros urbanos. Muitos ex-escravos vagavam pelas ruas, sem ocupação. Foi criado, então, a lei da vadiagem para prender os negros livres sem ocupação das cidades. Com medo, eles fugiram para os morros, criando, assim, o que chamamos hoje de favela”, acrescentou.

Tatiana apontou para a “baixa-estima” da população negra. O Coordenador União Nacional dos Negros (UNEGRO), Julião Vieira, avaliou sobre as desigualdades no mercado de trabalho. “É inegável que os negros ganham menos. Além disso, o sub-emprego é sempre destina às minorias étnicas”.

Mas as maiores preocupações de Vieira foram para os “extermínios dos jovens negros”. Segundos afirmaram, jovens das periferias, de 14 a 22 anos, são assassinados pelo crime organizado ou pelo “Poder do Estado” (Polícia Militar).

Vieira é defensor dos programas de incentivo do Governo Federal (Bolsa Família, Prouni, Cotas nas universidades). Mas afirma que tais ações não acabam com o problema. “É necessário uma mudança na estrutura. Estes programas pregam o assistencialismo, e não a solução do problema”, apontou.

A conselheira municipal da juventude, Silvia Lopes Fiel, é voluntária no Consórcio Social da Juventude em São Vicente, programa financiando pelo Governo Federal destinado ao acesso à educação da população de baixa renda. “Lá dou aula de valores humana, ética e cidadania. Indo muito além das matérias que caem no vestibular”, afirmou. Silvia levou seus alunos para participar do Congresso.

“Só queremos que as leis (isenção de impostos) existentes para as demais religiões sejam aplicadas às religiões de matriz africana”, reivindicou o Coordenador de Conselho de Promoção da Igualdade Racial e Étnica de São Vicente, Ivan Marcos.

O Congresso – A plenária que aconteceu na Baixada serviu para eleger os delegados que representarão na plenária Estadual, que será realizada no dia 22 de setembro, em São Paulo. Dividido em 19 macro-regiões, serão eleitos 400 delegados em todo o Estado, em congressos realizados neste fim de semana. A Baixada Santista contará com 16 cadeiras.

São Vicente – A cidade foi escolhida para sediar o congresso regional por ser o primeiro lugar do Brasil em ter escravo. “Quando Martin Afonso chegou em São Vicente, já existia 135 negros da Angola. Eles trabalhavam no engenho existente em frente ao Porto das Naus”, historiou Ivan Marcos.

Marcos acentuou que São Vicente foi uma das primeiras cidades do país a libertar os escravos. “Em 31 de outubro de 1886, quase dois anos antes da Lei Áurea, os negros de São Vicente estavam libertos”.

(Matéria publicada em 16/09/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 17 – Turma: Noite. Página 4)

MORANGOS MOFADOS – CAIO FERNANDO ABREU

Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu (Contos. Editora Brasiliense; São Paulo; 6º edição; 145 páginas, 1985). Como cenas rápidas de um trailer narrando histórias em busca de um sentido para o mundo. Ao fundo, músicas (rock, blues, tango, MPB) ajudam na composição do cenário, embalado em ritmo quase cinematográfico. Imagens explodem em palavras lapidadas, manifestadas em dores, angustias, fracassos, encontros e desencontros, esperanças, enfim, milhões de sentimentos misturados, costurados em pequenas teias a formar um enorme mosaico de emoções que marcou uma época. E ainda continua a identificar gerações e gerações que se sucedem após o lançamento apoteótico da obra.

Dividida em três partes, Morangos Mofados é, sem dúvida, a composição mais conhecida de Caio Fernando Abreu. A primeira parte, intitulada “O Mofo”, narra a queda de valores, dos amores, a solidão, a fragilidade humana, a embriagues, o consumo de drogas, o desespero, o desamor, a dor na forma mais fria e crua. Escrita de forma precisa, quase cirúrgica, Caio vai nos apresentando uma série de personagens anônimos, que ao final se personifica em uma única pessoa: o autor? Ou, quem sabe, até mesmo qualquer um de nós.

O gosto amargo da derrota, cheirando a mofo, a vômito, a vodca barata, a cigarros. Uma melodia sentimentalmente melancólica ao fundo. Escuridão e desencontros. O gosto da solidão esculpida em delírios da alma. Encravada em labirintos tortuosos e escuros de forma magistral. A sensação é idêntica à saída de uma montanha-russa.

“Os Morangos”. Aqui, uma paz tranqüilizadora invade de forma mágica a alma das personagens. Como se a existência de um final feliz fosse possível e breve, ou como se a vida fosse menos pesada. O doce levemente ácido do morango fundindo na língua, mostrando um belo dia de sol após uma tempestade. Mas o doce dá espaço para a acidez, transformando pedaços de magias em mágoas e solidão. Enquanto o dente fere o vermelho brilhoso do morango, na boca permanece o gosto azedo do preconceito, do medo, dos sonhos perdidos, das utopias transformadas em contas bancárias. O enjôo natural dos abusos. Dos delírios causados pelo excesso de cocaína

Histórias envolvendo vagabundos (giramundos), hippies sem destinos, loucos, comunistas, yupes desenfreados, compulsivos, sargentos, preconceitos, estupidez, falta de amor. Dos sonhos de uma geração apodrecendo na latrina comum. Das vidas apodrecendo em latrinas fétidas comuns. A paz tão perto e tão distante que os rápidos movimentos de nossos olhos não conseguem captar. Tampouco poderiam.

“Morangos Mofados”. A terceira parte. Com os olhos fechados, ouço “Let me take you down, ’cause I’m going to Strawberry Fields. Nothing is real and nothing to get hungabout. Strawberry Fields forever.” Como se eu estivesse em um universo paralelo, um refúgio, um abrigo, uma morada longe, mas dentro, do caos urbano. Uma espécie de esconderijo para se abrigar da chuva tóxica, ou dos desatinos do coração. Enquanto imagens explodem diante de nossos olhos cansados, ao fundo, o som dos Beatles vai levemente aumentando, aumentando…

Caio nos deixa com a boca aberta, o livro nas mãos e o pensamento longe, imaginando: E se a vida fosse diferente? Para ler e reler sempre que a saudade – ou a dor – falar mais alto. Os morangos mofados, como estrangeiro em sua terra natal, ou girassóis no inverno enfeitando os pastos da Rússia, ou uma Guerra Santa… O cheiro e o gosto do mofo ultrapassam toda a simbologia poética do morango.

Mais de Caio Fernado Abreu:
Blog Sem Amor. Só a loucura
Wikipedia
Filme Aqueles Dois (Casa de Cinema, Porto Alegre)
Os contos do livro

NUJJOR: ENCONTRO COM AUDÁLIO DANTAS – 02/07/2007

É, chegou ao fim. Fica em nossas mentes a sensação de dever cumprido, o aprendizado adquirido, compartilhado, além de renovadas esperanças e projeções para o futuro. Depois de quase dois meses de reuniões, planos, idéias, nomes, debates, escolhas…, finalmente foi realizado o nosso projeto de um debate paralelo ao Intercom. Realmente paralelo, tanto que nem constava na relação de atividades do evento.

Tivemos a presença ilustríssima do Audálio Dantas, para quem não o conhece, é importante lembrar que se trata de um dos melhores jornalistas que nosso país já teve, foi repórter da saudosa Revista Realidade. Além disso, Audálio era o presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP quando Wladimir Herzog foi assassinado nos porões da Ditadura. Neste cenário, teríamos a idéia de como seria o encontro.

Mas, foi muito melhor que poderíamos imaginar. Além da simpatia e do tato para lidar com as pessoas, o Audálio Dantas deu uma aula de empenho jornalístico e de ânimo para os mais jovens. Com uma capacidade ímpar de acumular a sabedoria dos anos com a vontade, gana e determinação dos mais jovens, Audálio mostrou mais vitalidade em mudar o jornalismo atual que muitos estudantes que conheço.

Outras surpresas cercaram a data. A primeira de todas foi a presença do jornalista Carlos Conde. Uma semana antes, no projeto “Papo de botequim” (encontro com jovens jornalistas com uma figura importante [jornalista, artista, intelectual], com o propósito de conversar sobre a profissão), Conde conversou por mais de quatro horas. Entre histórias, injeções de ânimo e doses de simpatia com modéstia, intimistamente, Conde nos contou sobre seus planos de futuro. Ao vê-lo entrar, minutos antes do início do evento, senti (e creio que todos os envolvidos sentiram) uma serenidade típica dos que fazem a coisa certa.

Aos poucos, alguns professores (os mais apaixonados, envolvidos e incentivadores de ações por parte dos alunos) foram chegando. Neste instante, tive (novamente, creio que tivemos) a sensação que algo bárbaro estava a acontecer. Aconteceu. O debate ocorreu de forma brilhante. Mas um bate-papo que uma forma hierárquica de mesas de discussões. Polêmicas foram levantadas e discutidas com seriedade e profundidade. Visões antagônicas depositadas com bases teóricas de todos os lados. Quem ganhou com isso? Todos os presentes.

Tive esta resposta nos momentos seguintes, nos sorrisos de quem participou. Professores vieram nos parabenizar pelo “sucesso” do evento. Mas nem tudo correu tão bem assim. Tivemos alguns problemas. Poucos estudantes interessados em ir ao evento. Tínhamos o Intercom acontecendo ao mesmo tempo, em outros campi. Depois, nas atividades culturais, a trupe Teatro do Pé teve um problema com um instrumento músicas essencial para o espetáculo. Foram pessoalmente nos dar a notícia, e de forma ética comprometeram-se em participar conosco em outros eventos. O guitarrista Mauro Hector, competentíssimo, manteve os presentes na companhia de boa música.

Com o saldo positivo deste evento, e a experiência adquirida, temos, agora, que continuar com o nosso trabalho sério e reflexivo. Levantar nossas bandeiras e sonhos. Caminhar com mais empenho em nossos projetos, e, com isso, realizarmos o que propomos desde a criação (desde antes da oficializaçãol) do núcleo que era a formação de jornalistas críticos, em uma sociedade mais reflexiva e justa. Utopia? Costumo chamar de vontade de mudar o mundo. Se não for possível o mundo todo, mudaremos o mundo que está próximo de nossos braços. Não sei vocês, mas tenho coragem e vontade suficiente para abraçar o mundo todo.


 

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