Arquivo para Novembro, 2007

ENTIDADES TENTAM MANTER A HISTÓRIA DA SOROCABANA

Preservar a memória cultural da Sorocabana. Este foi o intuito da primeira reunião que dará inicio aos trabalhos para a criação de um espaço público, que visará o permanente cultivo à história da estrada de ferro. O evento realizado, ontem, na Estação da Cidadania, em parceria com o Fórum da Cidadania de Santos, OAB e Sindicato dos Ferroviários.

Incentivado pelo projeto “Memória e Conversar”, da Comissão de Direitos da Pessoa Idosa da OAB, que tem o propósito de preservar e registrar a memória cultural da Cidade por meio dos atores envolvidos no processo histórico, a reunião tentou formar a equipe de trabalho e deu diretrizes para as próximas ações.

O coordenador do Fórum da Cidadania de Santos, Célio Nori, comentou sobre o projeto. “A idéia inicial é criar um espaço público de permanência da memória cultural da ferrovia”. A proposta idealiza a aquisição uma locomotiva, que ficará em frente da Estação Cidadania, e mais dois vagões: um de carga, que abrigará um palco para apresentações; e outro de passageiros, que abrigará uma biblioteca temática sobre ferrovias e cidadania.

Para Nori a reunião foi uma “soma de idéias e intenções com a modesta intenção de criar, além de um ponto turístico, um espaço público”. Segundo o coordenador, os interesses corporativos só não levaram ao fim da estação, porque o imóvel foi tombado como Patrimônio Público. Nori comentou que o Mc Donald’s tentou comprar o espaço, na época que iniciaram as privatizações do terreno da antiga Sorocabana.

Antes de abrigar o Fórum da Cidadania de Santos (inaugurado em 25 de agosto de 2006), a antiga estação era usada pelo Grupo Pão de Açúcar (proprietário do terreno e responsável pela manutenção do imóvel) para atividade com crianças. Mas, com a instalação do posto de gasolina no hipermercado, uma lei que proibe a realização de quaisquer atividades envolvendo crianças nas proximidades de postos de combustíveis forçaram o encerramento das ações.

História – De uma família de ferroviários e mais de 35 anos trabalhados no único emprego que teve, o aposentado Alcides Baptista Medina, praticamente nasceu dentro da estação. Para ele, é de suma importância a permanência da história do local. Motivado pelo abandono da estação, o aposentado tem lutado para a criação de um museu desde 2001. “Quando eu vi como estava aqui, não me conformei. Fui falar com o prefeito, com vereadores. Mas todos me diziam que não daria em nada”, desabafa.

A Sorocabana foi criada para acabar com o monopólio de 100 anos do grupo inglês, South West São Paulo Railway Co, na década de 1930, pelo governo de Getúlio Vargas. Pelos trilhos da companhia, escoava boa parte da produção de banana do Vale do Ribeira. “Eram dois trens por dia, com mais de 15 vagões de banana”, lembra Medina.

Manter viva a história da Sorocabana é o que motiva o aposentado. Ao falar da empresa, emociona-se. Medina conta, que no passado, no dia 1º de Maio, os funcionários decoravam os vagões e passeavam com a família. “Passávamos dois, três dias decorando os vagões. Era mais que uma empresa, éramos uma família”.

O aposentado comenta que o desenvolvimento das cidades do Litoral Sul e Vale do Ribeira se deu por meio das linhas da antiga Sorocabana. “As cartas vinham dentro do trem. O pessoal só lia os jornais depois do trem passar.”

Medina sonha com a volta dos trens de passageiros. “A solução é o trem. Em todos os países do mundo esta forma de transporte é utilizada, e com grande eficiência. Quando me aposentei da Sorocabana, estávamos vivendo um momento de modernidade. Não sei porque acabou”. Aposentado desde 1981, o ex-ferroviário viveu, longe dos trilhos, as décadas que levaram a deteriorização das linhas férreas. Motivos para isso, ele aponta ao lobby das empresas automotivas.

Para manter vivo os sonhos e relembrar o passado, a cada dois meses ex-funcionários da Sorocabana se encontram para um café, na sede do Sindicato. “Aí, a turma se encontra, é uma festa só”.

(Matéria publicada em 25/11/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 25 – Turma: Noite. Página 08)

Lojas oferecem maior variedade para enfeites natalinos

Próximo da comemoração do Natal, lojas de enfeites aproveitam a época e embelezam as tradicionais decorações natalinas.

Na proximidade do Natal, um ramo de comércio temporário invade os centros comerciais das cidades da região. Movidos pelas novidades importadas, as lojas de vendas de enfeites tentam manter o espírito natalino com muitas cores e luzes.

Há dez anos nesta atividade, seis deles em Santos, o gerente de uma destas lojas, Marcos Antônio, diz que o melhor período de venda é de 15 de novembro a 15 de dezembro. “Depois do dia 15 (dezembro), as árvores já estão montadas e o pessoal prefere comprar os presentes, roupas”.

Para esse ano, as expectativas são de aumento nas vendas em 10% em relação ao ano passado. Antônio atribui à baixa do dólar como um dos maiores fatores para elevar as vendas. “Os preços estão na mesma faixa de preço em relação ao ano passado. Muitos produtos estão até com preço mais baixo”, completa.

As árvores coloridas e as mangueiras iluminadas são os produtos mais procurados, segundo a vendedora, Mônica de Araújo. “Mas, o que mais vende mesmo são os enfeites, que variam de R$ 0,50 a R$ 12,00.”

Para a vendedora, a tradição é o maior fator de estímulo nas vendas nessas lojas. Segundo apontou, todas as classes sociais compram enfeites, independente do valor e do tamanho. “O importante é a magia do Natal, a alegria”, aponta. Mônica ainda atribui aos valores da religião e família como motivos para a tradição natalina.

Tradição – O casal de aposentados, Maria Helena e Ivan Terra, não abrem mão das compras de enfeites. Todo ano montam a árvore de Natal e o presépio na segunda quinzena de novembro. “Só desmontamos depois de 15 de janeiro. Mas, por mim, deixava o ano inteiro”, completa Maria Helena.

“Falta apenas pintar a sala, arrumar algumas coisinhas e lavar as cortinas para montar decorar a casa”, disse Terra. “A iluminação da fachada da casa já está pronta e funcionando”, conclui.

Há cinco anos, um incidente curioso aconteceu com o casal. Encantada com uma árvore na vitrine de uma loja, na 25 de Março, Maria Helena quis comprá-la. Era a última da loja, no mesmo instante começou um tiroteio na rua. “O vendedor fechou a loja, e vendeu bem baixinho o preço. Até hoje a usamos”, diz a aposentada.

Sobre os preços, o casal analisa que em São Paulo os preços estão até 200% mais baratos. “Um enfeite de Papai-Noel que aqui está R$ 15,00, em São Paulo sai por R$ 5,00.”, analisa o aposentado. Na capital, segundo o casal, as vendas começaram há um mês. Mesmo assim, Maria Helena acha que estas lojas deram maior variedade e beleza nos enfeites das casas. “Havia pouca opção e os preços eram maiores. Hoje, há mais cor, mais tipos de enfeites, mais variedade” completa.

Com a abertura das portas antecipada, em pelo menos dez dias, Antônio Marcos atribui ao bom relacionamento com o proprietário do imóvel. “Ano passado usamos este ponto, como tudo correu bem, o proprietário nos ofereceu o local. Com as chaves nas mãos, resolvemos antecipar a abertura”. Animado com as vendas, o gerente garante que o Natal desse ano vai ser o mais colorido de todos os tempo.

Concorrência – Lojas de materiais elétricos e luminárias aproveitam a época para aumentar as vendas comercializando decorações. De olho neste mercado, as lojas enfeitam suas vitrines com muitas luzes e brilhos.
Balconista de uma loja de luminária, Cristina Aparecida, aposta nas mangueiras coloridas como “melhor produto” para comercializar nessa época. Cristina analisa a praticidade, resistência e na beleza do material para o sucesso mercadológico.

(Matéria publicada em 11/11/2007, no AGÊNCIA FACOS. Ano 34. Edição 23 – Turma: Noite. Página 04)

Biblioteca em Borracharia é um simples exemplo a ser seguido

Já se foi o tempo em que as únicas referências de literatura em uma oficina mecânica eram as fotos com mulheres nuas coladas nas paredes. Pelo menos em uma borracharia na periferia de Sabará (MG), onde também funciona uma biblioteca. Entre pneus e graxa, os livros convivem em mais perfeita harmonia no local. Nas paredes da Borrachalioteca de Marcos Túlio Damascena não há fotografias, mas estantes com cerca de sete mil obras.

Damascena começou a transformar a oficina em bibliotecas há três anos, quando passou a juntar as revistas e jornais, antes destinado aos clientes, para oferecê-los aos moradores da região. Estimulados pelo prazer em ler, a iniciativa teve total adesão da comunidade. Com mais de 220 empréstimos por mês, e com o tempo de permanencia de até 15 dias, a borracharia atende a todas as faixas etárias. Além dos esforços de Damascena, biblioteca se mantém com as inúmeras doações feitas pelos freqüentadores.

Na noite do dia 30 de outubro, Damascena foi um dos ganhadores do Prêmio Viva Leitura 2007. O programa, parceria entre os Ministérios da Educação e da Cultura, busca incentivar ações de estímulo à leitura no país. O borracheiro recebeu a quantia de R$ 25 mil, que garante investir na ampliação da Borrachalioteca.

Outras duas iniciativas foram premiadas em um evento que teve quase duas mil inscrições de todas as regiões do país. Assim como Monteiro Lobato, o borracheiro acredita que uma nação se faz de homens e livros. Ele confia no poder da leitura como base para as transformações sociais, e que iniciativas simples, como a dele, podem incentivar o hábito em ler.

O prêmio faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Educação e da Cultura. As principais bandeiras do projeto são reconhecer e divulgar ações de estimulo à leitura. Além de uma audaciosa meta de implantar bibliotecas em todos os municípios do país no curto prazo de dois anos. Uma triste realidade, no país 613 cidades não possuem bibliotecas públicas.

Para saber mais:

Notícia publicada no Agência Nacional
Leitura Viva
Projeto reduzirá déficit de bibliotecas municipais
Objetivos e Metas do PNLL
EDUCAÇÃO E CULTURA – Livros para sobremesa


 

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