Arquivo para Abril 15th, 2008

Igrejas Históricas

Antes das igrejas luxuosas do ciclo do ouro em Minas Gerais, as primeiras construções religiosas em solo nacional foram edificadas com a simplicidades e devoção aos padroeiros das cidades litorâneas. Vindos com as caravelas de Martim Afonso, os padres jesuítas, que tentariam catequizar os índios, foram responsáveis pela confecção das primeiras capelas. Eram construídas com o material que dispunham na época: madeira; pedras talhadas; areia do mar. Além de imagens sacro-santos simples, esculpidas em barro ou pedra-sabão. Na região, são várias as edificações que resistiram ao tempo e se mantiveram como centro histórico-religioso. Hoje em um belo ponto turístico.


Convento Nossa Senhora da Conceição
No início do povoamento de Itanhaém, os primeiros habitantes edificaram, no alto de um monte, uma pequena ermida de barro. Desde cedo atraiu a atenção e a fé dos romeiros que vinham de vários pontos da Capitania Hereditária de São Vicente.
Por ser um dos pontos mais afastados da colonização portuguesa na América, o convento serviu de abrigo aos moradores e defesa da cidade. Foi durante longos anos a igreja matriz da vila, por isso existia a seu lado uma casa para o vigário, assim continuando até 1639, quando se iniciou a construção do novo templo paroquial, com o título de Sant’ana.
Os dois pavimentos superiores, dos quais o de baixo está ao nível do piso da igreja divididos em celas, eram os dormitórios principais. Ao lado direito do lanço descrito, fazendo face com a frente da igreja, fica anexo outro edifício com pavimento térreo e um só superior. Este está ao nível do piso do primeiro andar do lanço principal, com o qual comunica por meio de um arco. O seu pavimento térreo, em parte cavado dentro do morro, está ao nível dos outros e nele funcionava o capítulo conventual. O primeiro andar, que de fora parece o térreo, é acessível do adro da igreja: era a portaria. No segundo andar havia uma sala, talvez biblioteca.
Com a extinção da Capitania de Itanhaém, que passou de novo para a Capitania de São Vicente, e com o êxodo da maior parte dos seus habitantes para o interior, atraídos pela fama das descobertas de minas de ouro e de pedras preciosas, os frades existentes também sentiram a escassez da renda do Convento, que os levou a irem, por sua vez, saindo para outros lugares onde pudessem ser melhor amparados.
Durante muito tempo, a igreja ficou abandonada e entregue à destruição do tempo. Em 1921, Washington Luís, amante da história do Brasil e Presidente do Estado de São Paulo, resolveu proceder uma restauração parcial, renovando o madeiramento do telhado e o assoalho. Soube-se que um dos vigários tinha enterrado há muito tempo diversas imagens do Convento, logo atrás da Igreja Matriz de Sant’Anna. A busca teve êxito e quatro dessas imagens ainda são conservadas no Convento.
Em 1948 grande parte do telhado e do forro ruiu por um raio, destruindo completamente a torre. O monumento histórico, a partir de 1952, foi objeto de restauração, executada então pelo órgão de preservação federal.
O monumento foi parcialmente incendiado e ficou abandonado por longo período, e de certo modo submetido a dilapidações. As obras de restauração iniciadas em 1952, previam também a reconstituição da ala conventual (ruínas da residência), incendiada no início do século XIX, conforme pode-se verificar dos estudos então efetuados. Dessa época até os dias de hoje, exigiu de tempos a tempos, obras de conservação


Matriz de São Vicente
A Igreja Matriz da Vila de São Vicente foi erguida por Martim Afonso, embora não seja no exato local em que ela se encontra hoje. O primeiro prédio que abrigou a Igreja foi erguida próximo à orla da praia. Local onde ocorreu a fundação oficial da Vila de São Vicente.
Diz os livros de história que em 1542, a construção foi destruída por um maremoto que varreu a cidade. Não apenas a Matriz, mas boa parte das construções da Vila foram destruídas.
Após a tormenta, a segunda sede foi erguida pelo povo em local, um pouco mais distante da faixa de areia do mar. Porém, novamente ficou em ruínas. Desta vez, foram os piratas que atacaram São Vicente para saquear o comércio e as casas.
Em 1757, a atual igreja foi construída sobre as ruínas da anterior, onde permanece até os dias atuais. Seu nome é uma homenagem a São Vicente Mártir, santo espanhol que deu nome à cidade e hoje é seu padroeiro.
Em 1999 foi interditada. No ano seguinte, um incêndio destruiu parte do teto e altar, além de danificar algumas imagens sacras. Em 2006 foi finalizada a primeira parte das obras de restauração do imóvel.


Igreja do Valongo

Importante exemplar das construções dos padres franciscanos. Considerada um dos mais belos barrocos do século XVIII, a entrada da igreja conta com três arcos romanos, simétricos às portas-balcões de arco abatido do andar superior, arrematadas por vergas curvas de pedra. Frontão ondulado e guirlandas completam a fachada.
À esquerda fica a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, que conserva o Cristo Místico de Seis Asas entre as obras de arte de sua capela, perpendicular e com arco aberto para a igreja conventual. Além do padroeiro apresenta, no altar-mor, um dos únicos tronos rotativos do País: de um lado a Santíssima Trindade e, do outro, o ostensório para Adoração Perpétua.
Ali as paredes ganharam murais de azulejos, na década de 30, de autoria de Cândido da Silva Jr., que se auto-retratou de paletó e gravata, ao lado de Santo Antônio.
Uma placa comemora a visita do monsenhor José Ferreti, datada de 1823, que se tornaria papa com o nome de Pio XII.
O portal da igreja traz a data de 1640 no alto, ao passo que a entidade leiga da Ordem Terceira inaugurou a capela em 1691. Em 1859, o imóvel foi vendido para a construção da estação da estrada de ferro Santos-Jundiaí. O convento foi demolido mas não houve força capaz de retirar a imagem de Santo Antônio do altar, fato que foi considerado milagre e impediu o desaparecimento da igreja, elevada a santuário em 1987.


Mais informações:

Convento Nossa Senhora da Conceição – Itanhaém
Localizado no alto do Morro do Itaguaçu, Centro Histórico. Funciona diariamente, das 9 às 11 horas e das 13 às 18 horas. Mais informação nos telefones da Secretaria de Turismo (13) 3421-1808 ou (13) 3421-1809

Igreja Matriz – São Vicente
Localizada na Praça João Pessoa, s/ nº, Centro. Mais informações no telefone da secretaria de Turismo e Cultura (13) 3569-1400

Igreja do Valongo – Santos
Largo Marquês de Monte Alegre s/ nº. Funciona de terça a sábado, das 8h00 às 20h00, e domingo, das 8h00 às 19h00. Mais informação no telefone (13) 3219-1481

(Matéria publicada no caderno especial + Verão, do Jornal Diário do Litoral, em 19 de janeiro de 2008 )


 

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