Enquanto o mundo se arrasta, nós nos mantemos presos em milhares de feridas não cicatrizadas e momentos eternizados em nossas almas. A vida, vista de fora, parecia ser algo simples; tão comum quanto respirar. Não! Não me convide para beber seu veneno. Não tenha medo de entregar seus planos em outras rotas. Pedras em seus passos. Poeira vermelha sobre o céu de brigadeiro que não nos aguarda.
Espero o telefone tocar, como torço para que não me ligue. Contradições que se compõem em um enorme mosaico de sentimentos mensurados pelo tempo. Em relógios imprecisos, rotas de colisão e estrelas distraídas perdem-se em longas e intermináveis voltas concêntricas em um labirinto sem nexo, sem lógica e sem final. Nove pontas de uma estrela reluzente: azul. Noites de frio, manhãs melancólicas com cheiro de saudade. E você vinda do alto.
Busco em outras histórias pedaços esquecidos do passado. Em frente, apenas a lembrança dos dias que virão. Compro flores como se pudessem rever as rosas que enfeitavam um jardim que me marcou, em algum lugar estranho. Tudo é tão verde em seus olhos, que é impossível não enxergar pela sua clarividência. Justo quando me acostumava, o ar faltou. Fulminante como um raio em noite de tempestade, novamente o tapa brutal da dor.
Eu esperei tanto tempo por respostar para as perguntas não formuladas, que me deparei com a desesperança de ter perdido algo que nunca pude tocar. Mas, ainda havia mais a esperar. Os dias que passavam enquanto esquecia do tempo, os olhos que cansavam diante da penteadeira desabitada de sua fotografia. Resolvi desprender-me do período remoto que nos uniu. Na verdade, dias intermináveis.
Enquanto caminhava devagar pelas ruas da cidade deserta, você respirava fundo em novos planos e entregas. Do outro lado, dois mundos que se chocaram e que deixaram marcas profundas. Qual a palavra certa para descrever o que nos passa? Dor e saudade que e misturam a um gosto de sal na língua. Bem-vinda ao lar; guardo histórias embaixo do colchão para encher de alegria ao seu regresso em nós. Sobre a mesa vazia, o passado como sobremesa.
Edu, vivemos numa eterna contradição.
O sentimento de esperar as coisas, cresce em nós cada vez mais.
Continue escrevendo assim!
Beijos.
Tu precisa postar mais preciosidades dessas, cara. Parabéns