Partes perdidas de uma calmaria desejada. Sobre o mundo, caminho vislumbrando seus suspiros esquecidos. A paz roubada tão perto de voltar ao princípio, quando tudo era utopia ou um lindo sonho inalcançável. Inexatos instantes a contemplar as horas mortas. Enquanto a roda-gigante que gerencia o universo gira, vagamos pelas lentes cristalizadas e olhares infantis. Meus olhos vermelhos e o medo de se entregar.
Perto do fogo, longe das lágrimas de um recinto de outrora. Mar e sol que se unem em um ponto perdido no universo. Volte do lado sombrio da lua e me encante com seus mistérios, que me devoram aos poucos. Um pouco de luz. Ar, por favor! Rascunhos de histórias inacabadas e imperfeitas transcorrem em passos lentos a me conduzir. Perigos e sinais de vida vindos de um passado opaco. Medo e desejo misturados. A saudade transmuta em sabedoria e dores solidificadas. Pelos reflexos do espelho, te vejo a dançar em um ritual. Mitologicamente, você a enfeitar meus pesadelos mais sombrios.
Aproximo meus anseios a suas mãos cândidas. Olhos e pele próximos a acontecimentos recentes e expectativas de ações vindouras. Pesa sobre os ombros, a necessidade quase que vital em alinhar seus impulsos a meus pulsos cansados. No momento de ir embora, resolvi voltar. Esqueço traumas, dores e sonhos sobre a penteadeira e parto para mais um dia sem flores, sem poesia. Como entregue a um amor remoto, sem conseguir um direcionamento aos meus passos, saio para salvar o mundo. Rostos e gestos trazidos pela maré. Depois da vertigem, a volta.
São esses anseios e a intensidade deles que nos fazem voltar. Parabéns pelo blog.