Falando da Vida

Vai-se, novamente, baby blue. E pensei que seria apenas mais uma volta para depois regressar a meu peito cansado de esperar algo novo a cada instante. Ledo engano. Os ponteiros correm ao contrário quando não está. Novos problemas e sempre as mesmas soluções: um passo de cada vez, toda vez; siga em frente e adiante verás o novo amanhã. Balelas. Eu que choro feito fogo ao sol do meio-dia. Em vão. A cura tão longe. Como se houvesse curas para poucas chagas.

Às vezes acredito que sou capaz de mudar o mundo. No segundo seguinte, me pego a rir dos meus ingênuos devaneios; por que logo eu seria capaz de alterar aquilo que não quer ser transformado? Noutras, desconfio se devo duvidar de meus instintos mais bonitos e passos contraditórios. Sempre me calo quando não está.

Ainda há pouco, era apenas uma imensa estrela prestes a mergulhar de cabeça no infinito instante entre nós dois. Agora, é uma gigante ira a devorar a grandeza do mundo. Vai, suje os pés na lama e alivie o peito. Tenha medo não; a barra sempre estará pesada demais àqueles que ousam desafiar o coro dos contentes. Somos tão poucos, mas ainda somos fortes. Até quando? Não sei!

Enquanto você corria o mundo, eu sonhava. Preso em meus labirintos, não pude sorver seu veneno e nem te ver chorar quando mais precisou de meus conselhos inúteis. Não que eles eram válidos, mas afagavam sua alma sempre que se entregava à deriva na noite escura. É esta imensa oculta magia sobre suas retinas que me cativa. É uma força a me deixar inerte. O tempo passou. Sinto a introdução leve, uma guitarra distorcida e a bateria a carregar a harmonia surreal. Berro: “felicidade não serve ser não for com amor”. Não deu para segurar.

Eu me pego a pensar sobre o silêncio das estrelas e a morte de constelações. Você me acorda para a vida e cita a morte de crianças regimentadas para servir ao tráfico aos às grandes corporações. É esta sua sensatez que me deixa desorientado. Um sino toca forte em mim; Lennon canta em algum canto esquecido de meu subconsciente: “She’s not a girl who misses much”. Como ao refrão seguinte, concordo.

O azul de seus olhos traduz som e fúria. Nunca tive medo de partidas, mas também não deixo as malas arrumadas. Melhor achar que sempre há o amanhã para escolher um novo terno ou encarar uma fila interminável. Algo é certo, um dia não mais haverá o amanhã. Que esta data eu seja pego de roupas limpas e a barba feita. Não gosto de incomodar.

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