Embora vitorioso nas urnas no último 10 de agosto – quando teve seu mandato reconfirmado no revogatório -, o presidente da Bolívia, Evo Morales, acompanhou em seguida a oposição ao seu governo ganhar força e ser abraçada pela opinião pública em várias partes do mundo. A crise vizinha deflagrada nas últimas semanas demonstra a escassez política e argumentativa do sistema semi-ditatorial da América católica.
O vazio político-admintrativo das figuras centrais latino-americanas ocasiona a dominação do poderio econômico. De um lado, malucos armados de doutrinas atrasadas, discursos ufanistas e ultranacionalista – disfarçadas de um neo-marxismo – ; do outro corner, os interesses imperialistas do vil capital.
Nesse embate, quem perde é a população ingênua e desarmada de conhecimentos necessários à mobilização social. Não à toa, o palco de constantes lutas egocêntricas pelo poder se faz em países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento. Nações sem o costume republicano e democrático. Pátrias dividas em anos de lutas históricas pela libertação colonialista, e que, como o tempo, culminaram ao servilismo do grupo dos países industrializados.
A união dos grupos oposicionistas das regiões mais ricas da Bolívia é um exemplo claro da organização de uma ala da sociedade. Mais uma vez, a busca pelo lucro dos petrodólares desloca parcela da sociedade numa luta em que um único jogador movimenta as peças. Desnecessário salientarquem sairá coroado com a “vitória”. Os semi-ditadores latino-americanos apenas dão vazão para o aparecimento de movimentações da classe econômica dominante. São, apenas, a justificativa “legal” para a o uso da força, legitimado pelo aval – mesmo por debaixo dos panos -, dos EUA.
Cantarolando Caetano Veloso: “será que nunca faremos senão confirmar/ A incompetência da América Católica/ Que sempre precisará de ridículos tiranos?”. A maioria dos carros que cruzam os sinais vermelhos não é mais composta por fuscas; mas os homens continuam a exercer seus podres poderes. Resta saber quem velará pelas alegrias do mundo?