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Biblioteca em Borracharia é um simples exemplo a ser seguido

Já se foi o tempo em que as únicas referências de literatura em uma oficina mecânica eram as fotos com mulheres nuas coladas nas paredes. Pelo menos em uma borracharia na periferia de Sabará (MG), onde também funciona uma biblioteca. Entre pneus e graxa, os livros convivem em mais perfeita harmonia no local. Nas paredes da Borrachalioteca de Marcos Túlio Damascena não há fotografias, mas estantes com cerca de sete mil obras.

Damascena começou a transformar a oficina em bibliotecas há três anos, quando passou a juntar as revistas e jornais, antes destinado aos clientes, para oferecê-los aos moradores da região. Estimulados pelo prazer em ler, a iniciativa teve total adesão da comunidade. Com mais de 220 empréstimos por mês, e com o tempo de permanencia de até 15 dias, a borracharia atende a todas as faixas etárias. Além dos esforços de Damascena, biblioteca se mantém com as inúmeras doações feitas pelos freqüentadores.

Na noite do dia 30 de outubro, Damascena foi um dos ganhadores do Prêmio Viva Leitura 2007. O programa, parceria entre os Ministérios da Educação e da Cultura, busca incentivar ações de estímulo à leitura no país. O borracheiro recebeu a quantia de R$ 25 mil, que garante investir na ampliação da Borrachalioteca.

Outras duas iniciativas foram premiadas em um evento que teve quase duas mil inscrições de todas as regiões do país. Assim como Monteiro Lobato, o borracheiro acredita que uma nação se faz de homens e livros. Ele confia no poder da leitura como base para as transformações sociais, e que iniciativas simples, como a dele, podem incentivar o hábito em ler.

O prêmio faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Educação e da Cultura. As principais bandeiras do projeto são reconhecer e divulgar ações de estimulo à leitura. Além de uma audaciosa meta de implantar bibliotecas em todos os municípios do país no curto prazo de dois anos. Uma triste realidade, no país 613 cidades não possuem bibliotecas públicas.

Para saber mais:

Notícia publicada no Agência Nacional
Leitura Viva
Projeto reduzirá déficit de bibliotecas municipais
Objetivos e Metas do PNLL
EDUCAÇÃO E CULTURA – Livros para sobremesa

Satisfação e mãos sujas em oficina de Arte e Comunicação

“Enorme satisfação” foi a sensação que sentiu a artista plástica Mônica Höera, ao término da oficina “Arte e Comunicação”, que ela ministrou durante o Intercom, em oficina e palestra na Unisanta.

O evento contou com a presença de mais de 50 inscritos e misturou teoria e atividades manuais. A professora se surpreendeu com o que considerou a total entrega dos alunos na parte prática da oficina. “Vivemos em momento histórico de pasteurização. As pessoas ficam atrás da tela de computadores, parece que têm medo de sujar as mãos de barro. Aqui, elas sujam”.

De origem européia, Mônica ressaltou a importância das bases no processo de formação do sujeito-indivíduo. “Meus pais me ensinaram bases profundas, como caráter e honestidade. Valores estes que carrego comigo e muito me ajudaram nas minhas andanças pelo mundo”. A artista plástica afirma que trabalha para viajar. “Como não tenho marido e filho, tudo que ganho acabo gasto em viagens por lugares exóticos. Sou apaixonada pela cultura destes lugares”.

Mônica viajou para o Egito em julho passado e acaba de chegar da Argentina, onde apresentou esta mesma oficina. E já planeja novos rumos. “Marrocos, Argélia, África do Sul, devem ser fascinantes as cores destes lugares”. Professora de Publicidade e Propaganda da UniSantos, Mônica Höera pesquisou as cores dos brinquedos infantis femininos no Brasil para sua dissertação de Mestrado, no Mackenzie.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 30/08/2007. E no boletim impresso NOTÍCIAS DO INTERCOM, do dia 31/08/2007)

Arquivo reúne registros da censura do Dops ao teatro

O resgate da memória das produções culturais de São Paulo de 1930 a 1970, a partir dos registros do Dops (Departamento de Ordem e Política Social), foi o centro das discussões da mesa Comunicação e Censura, na UniSantos, durante o Intercom-2007, em Santos, no litoral paulista. O material composto destes registros geraram o Arquivos Miroel Silveira (AMS), da ECA-USP.

A história da formação do AMS daria um livro. Todo o material de pesquisa foi adquirido por “obra do acaso”. “O pessoal do Dops ligou para o professor Miroel Silveira, avisando que precisavam desocupar espaço e tinham que se livrar de uma papelada”, explicou Maria Aparecida Laet (USP). Segundo a pesquisadora, eles tinham pressa. “Ele disseram: venham hoje, ou colocaremos fogo em tudo”, completou.

O material ficou arquivado na sala do professor Miroel Silveira, no Departamento de Teatro, Rádio e Televisão (USP), desde 1988, onde lecionava. Mas só a partir de 2002 projetos de pesquisas foram desenvolvidos. Composto por um conjunto de processos de censura prévia ao teatro, da República Nova até 1970, o acervo contem a história da formação da escola de teatro paulista.

Segundo Maria Aparecida Laet, 60% das peças sofreram algum tipo de censura, no período de 1930 a 1968. De um total de aproximadamente 6.000 obras, 47 foram proibidas de exibição. Depois que a peça era liberada, poderia ser censurada, desde que houvesse alguma infração. “Era comum um censor ir ver uma peça depois de aprovado o texto, ou alguém denunciar”, completa a pesquisadora.

A professora da ECA Maria Marta Jacob, especialista em análise do discurso, diz que a temática das obras era sobre a família. “Como era proibido falar de política, os autores usavam cenas do cotidiano para tocar nos assuntos proibidos”, explica a professora. “Outro tema era as traições, geralmente da mulher por um camarada mais rico”.

Outra parte dos estudos analisa a produção do teatro amador feito por associações de bairros, sindicatos e colônias de imigrantes. “Reuniam-se para manter a unidade da sua língua de origem, para tratar de questões da fábrica, ou simplesmente para se reunirem”, analisa Maria Aparecida Laet.

O estudante de Comunicação, escritor e ator Guimarães Ortega falou sobre a censura. “Eu vivi este período, era comum um censor entrar no meio de uma apresentação”. Segundo Ortega, as peças, cinco dias antes da estréia, eram apresentadas a uma junta de três censores. “Se não gostassem da peça, censuravam mesmo, ou prendiam”.

Ortega conta que uma de suas peças teve 45 minutos censurados. “Mesmo assim, claro, fizemos a peça na íntegra. Um dia, o censor apareceu. Sorte nossa que com um veículo oficial. Não tivemos dúvidas, apresentamos a peça censurada”.

Para Maria Aparecida Laet, a censura nas apresentações foi mais agressiva nos teatros amadores. “O teatro comercial apresentava da forma que estava no texto, sem adaptações ou cacos (improvisações em cena)”.

Boa parte do material pesquisado pode ser visto no site do AMS.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 02/09/2007)

Pollyana Ferrari lança livro sobre hipertexto e hipermídia

A professora Pollyana Ferrari, da PUC, apresentou na Unisantos, durante o Publicom (Encontro com Autores de Publicações Recentes em Comunicação), o livro Hipertexto e Hipermídia. A obra vem cercada de expectativa, porque a autora tem um dos títulos mais populares sobre o assunto, Jornalismo Digital.

O livro, como indica o título, analisa as relações entre profissionais de comunicação e os novos meios digitais de difusão de conteúdo. Organizado por Pollyana Ferrari, ele é um apanhado geral de discussões dos últimos quatro anos de pesquisadores da área. Para a autora, a produção jornalística está em uma nova era. “Hoje, vivemos o colaborativismo na forma de produção do jornalismo”, comenta.

“O Indesing [software de editoração eletrônica], por exemplo, tem recursos para funcionar em rede. O que você faz fica visível para toda a equipe, e eles colaboram no resultado final”, completa Urbano Nobre Nojosa, que escreveu um dos capítulos de Hipertexto e Hipermídia.

Mas, afinal, qual será o papel do jornalismo no futuro? Os pesquisadores apostam nas novas mídias, como a Internet móvel. “Sempre que se for discutir jornalismo on-line, temos que esquecer este falso problema da Internet versus impresso”, analisa Nojosa.

Pollyana vê o jornalismo impresso em um terreno mais seletivo. “A Folha de S. Paulo imprime 300 mil exemplares por dia e já chegou a um milhão, mas mesmo assim é para um público seleto. Vamos caminhar para jornais custando cerca de R$ 15,00″.

Essas análises são cada vez mais constantes. O periódico on-line Le Monde Diplomatique Brasil, acaba de lançar sua versão impressa, depois de oito anos na web, ao valor de R$ 8,90.

Outro ponto abordado pelos professores foi a não-linearidade dos hipertextos. O usuário cria seu próprio caminho de leitura, aprofundando ou interpretando as informações de maneira pessoal e dinâmica. É nesse ponto que, na hipermídia, o jornalista deve ter mais critérios na análise das informações.

Sobre usabilidade, os pesquisadores apontam para o avanço das tecnologias, e afirmam que em um futuro próximo não haverá mais sistema operacional. “A usabilidade é feita para respeitar um espaço físico da tela, como se fosse um quadro. Mas em breve isso não haverá mais. O Google foi o primeiro a perceber isso. Você acessa sua conta e pode fazer diversas ações que antes eram presas a um programa”, comenta Nojosa.

Para Pollyana, a Web 2.0 deixou de ser uma utopia para se transformar em uma realidade imediata, porque o usuário tem elaborado o conteúdo, independentemente de quem estava produzindo antes. “No Orkut, no MSN, nos wikis, nos blogs, no YouTube, temos feito o que não se fazia antes. E quem deveria ter feito não fez. Coube ao usuário desenvolver esse conteúdo. As novas ferramentas vieram para dar vazão a esta necessidade”.

(Matéria publicada no jornal laboratorial ONLINE UNISANTA, da Universidade Santa Cecília, durante a cobertura do XXX INTERCOM, em 02/09/2007)

Diário de Bordo – 50º Congresso da UNE – Brasília

Planalto Central. Brasília. Latitude 15º14´s, longitude 47º54´w. Clima seco. Umidade relativa do ar: 35%. Vento: norte, 3,09 m/s. Céu de Brigadeiros. Sol. 1500 quilômetros longe de casa.

50º Congresso da UNE.

Antes de tudo

Às 20h, horário de Brasília, na Praça do Correio, São Vicente – SP. Pouco depois da hora marcada, saímos em viagem com duas paradas programas. Cubatão e São Paulo. Eu, depois de quatro anos, tirei férias no trabalho, para quatro dias em Brasília.

São Paulo. Última parada para embarque. Conversas, teorias, sonhos. Pelo caminho, discussões sobre o futuro político, política, partidos, congresso, juventude. Sonhos.
Quinze horas e algumas paradas pelo caminho, chegamos a Brasília. UNB, 15 horas.

Quinta-feira, 5 de julho de 2007.

“No centro de um planalto vazio/ Como se fosse em qualquer lugar/ Como se a vida fosse um perigo…” (Léo e Bia – Oswaldo Montenegro)

Após o desembarque, câmera na mão e o início do nosso trabalho, realização de um documentário sobre o Congresso. Um mar de estudantes, com bandeiras, faixas, camisetas, bonés, adesivos partidários. Gritos de guerras, palavras de ordem. Desordem.
Início dos muitos debates proposto pela UNE. Em quase todos os rosto, a vontade de mudar, de construir algo novo. Sonhos.

Pelos corredores tomados pelos estudantes dos quatro cantos do país, além da diversidade cultural de cada estado estampada em camisetas, no sotaque, nos cabelos, na vestimenta, na forma de aproximação…, havia o entusiasmo típico da juventude. Idéias pulsantes das mentes inquietas, de jovens que desejam mudar os rumos políticos do Brasil. Sonhos, vontade de mudar e a bandeira do futuro estampada em cores vivas nos sorrisos e retóricas eufóricas do futuro da nação. Brasília.

Debates e mais debates, sobre os mais variados temas. Softwares livres, GLBTT, Meio Ambiente, Política, Educação. Tudo ao mesmo tempo, em diversas salas e auditórios da UNB. Pelos corredores, artistas, hippies, livros, DVDs, cartazes, camisetas do Che, livros de correntes Socialistas, Marxistas, Comunistas. Filmes proibidos e raros em cópias piratas, livros e cartilhas partidárias raras, artesanato em couro…

Rosto do Che em várias partes, paro para indagar, onde estão as estampas do Luís Carlos Prestes, Lamarca, Antônio Conselheiro, Bacuri, Marighella, entre outros revolucionários brasileiros? Até em nossos heróis seremos colonizados eternamente? Indagações e pensamentos soltos.

Depois dos debates, e ao cair da noite, todos de volta (ou ida) para os alojamentos. Ficamos cerca de 11 quilômetros da UNB, na W3, asa sul. E 308. De banho tomado, mesmo com a precária estrutura da escola que serviu de alojamento, fomos jantar em uma pizzaria. As ruas calmas da noite de Brasília, acompanhada do frio ao cair da tarde e do ar seco, nos levaram pelas quadras bem desenhadas. De volta ao alojamento, a segunda parte mais interessante da viagem começava. O choque cultural de todos os estados da nação aberto entre nós. Em uma roda de mate, gaúchos, mineiros, paulistas, pernambucanos, paraenses, amazonenses, baianos, acreanos, potiguares… Na mesma roda que o mate passava, a cachaça nordestina e mineira rodava de mão em mão. Nas conversas, carregadas de encantados com os milhares de sotaques, toda a diversidade cultural do país depositada nas particularidades e características de cada unidade da nação. Características de cada canto, cada verso, cada estrofe e refrão. Sons, poesias, literatura, cinema, teatro, dança, cultura popular e erudita em um balaio único. Brasil. Durmo com o sorriso nos lábios por toda a riqueza que só nosso solo sagrado tem, o seu povo.

Sexta-Feira, 06 de junho de 2007.

“Vocês que fazem parte dessa massa/ Que passa nos projetos do futuro, /É duro tanto ter que caminhar /E dar muito mais do que receber” (Admirável Gado Novo – Zé Ramalho)

O segundo dia começa um pouco preguiçoso, pelo menos para o meu corpo cansado. Ao chegar à UNB, por volta das 9h30, alguns debates interessantes sobre o Meio Ambiente. Com a ajuda da assessoria de imprensa do congresso, fomos ao julgamento de anistia de ex-dirigentes da UNE, presos no período da Ditadura Militar.

Estava agendada para as atividades da tarde uma passeata até o Banco Central, os dados oficiais falam de 8 mil estudantes exigindo a demissão do Henrique Meirelles e mudanças na política econômica. Manobra eleitoreira da UNE, para mostrar “força” nas eleições de domingo. Acompanhei do alto do trio elétrico, em posição privilegiada, registrando para o documentário. Pelo caminho, palavras de ordem, bordões e discursos verborrágicos, inflamados e jargões ultrapassados da esquerda estudantil.

“Povo marcado é povo feliz…” (Admirável Gado Novo – Zé Ramalho)

Do alto do trio elétrico, a massa compactada de estudantes, ao som das músicas (sucessos) do momento e discursos eufóricos, senti a sensação e o arrepio de fazer parte de um movimento que o idealismo e o sonho é maior que a razão. Apenas ao cair da noite pude reparar, de forma clara, a manobra eleitoreira que mais de 8 mil estudantes foram vitimados. Uma passeata absolutamente inútil, como se o presidente do Banco Central, funcionário público, mudasse algo na política econômica, sendo que é apenas um cargo burocrático e figura decorativa. A raiz do problema, o xis da questão, o ponto de equilíbrio está acima da figura emblemática do Henrique Meirelles.

Mesmo assim, fiz o registro fiel. Ao chegar ao Banco Central, chuva de papel picado dos funcionários da instituição. Mais de 200 policiais faziam a guarda da entrada do BC. Desci do trio elétrico e acompanhei a manifestação do chão. Atravessei a barreira policial com a câmera na mão. 8 mil vozes gritando “Fora Meirelles”. Depois do discurso, o Hino Nacional cantando por um belo coro. Com a garganta seca e emocionado, berrávamos: “Verás que um filho seu não fosse a luta…”.

De volta à UNB, assistimos ao documentário sobre o Honestino Guimarães, líder estudantil morto durante a ditadura militar. Ao término, “Batismo de Sangue”, do diretor Helvécio Ratton, sobre o livro do Frei Beto. Tortura, prisões, humilhações e a destruição dos ideais. Registro fidelíssimo do período que sonhar era proibido, idealizar um sonho era crime. Período que estudante era símbolo de rebeldia e de liberdade.

“É esta a juventude que quer tomar o poder?” O que diria Caetano Veloso hoje, ao ver a juventude calada diante de tanta barbárie social? O que diria Caetano para os pragmáticos, aos acomodados, aos consumistas, aos porras-loucas, aos alienados, aos manipulados, os que estão no poder? Sonhar e não ter medo de sonhar.

Sábado, 07 de julho de 2007.

“Nada existe como o azul/ Sem manchas/ Do céu do Planalto Central/ E o horizonte imenso aberto/ Sugerindo mil direções” (Céu de Brasília – Toninho Horta e Fernando Brant)

Terceiro dia da nossa viagem, quarto dia do congresso. Como todos os dias, começamos cedo, mas a preguiça fez-me ficar um pouco mais no colchonete, retardando o café da manhã, e perdendo o ônibus, que desta vez nos levaria para ginásio Nilson Nélson. Fomos de circular até a rodoviária e de lá, em uma lotação, para o ginásio. Um grande professor diz que o furo é a junção da sorte e do faro jornalístico. Tive alguns furos nos últimos dias, mas devo, em grande parte, à sorte. Desta vez, ao chegarmos ao ginásio, Heloísa Helena falava para a juventude do PSOL. Fomos até ela e pedimos uma “palavrinha”. Fomos atendidos com entusiasmo e atenção pela ex-senadora. Ao término, um abraço fraternal e desejos de boa sorte.

Entrevistamos a candidata à presidência da UNE, de forma arrogante, declarou-se eleita, um dia antes das eleições, indireta por sinal. E ainda falam em democracia.

Entramos no ginásio. Arquibancadas lotadas, na quadra um mar de gente, gritos de guerra, palavras de ordem, bandeiras de diversos partidos, representações da juventude partidária. MPB nas camisetas e bandeiras, camisetas com frases de músicas, mesmo que os que a usavam não soubessem quem compôs a canção. Como exemplo claro, em um panfleto com os autores errados da música “Clube da Esquina n.º2”. Discursos nacionalistas e antiimperialistas. Contradições entre a fala e a ação. Berros antiianques, mas nas camisetas desenhos do Calvin para expressar a revolta imperialista (?). Pergunto-me, onde estão a Mônica, o Cebolinha, o Menino Maluquinho, o Saci-Perere, a Graúna, ou qualquer outro traço nacional? A colonização por meio da TV é visível até em quem quer reclamar da colonização por meio da TV. Aliás o marxismo também é uma colonização. Nossos estudantes citam Marx, Engels, Sartre, Nietzsche, mas esquecem de citar Darcy Ribeiro, Orlando Villas Boas, Gilberto Freire. Faltam referencias nacionais aos que querem tratar da nacionalidade.

Fomos pegar algumas imagens panorâmicas de Brasília na Torre de TV. A idéia era pegar o pôr-do-sol. Tarefa cumprida. Do alto da torre podemos ver o Estádio Mané Garrincha lotado. Ao fundo, o Congresso Nacional, o sol se pondo, Brasília encerrando o início de uma longa jornada de sonhos e realizações. Na mente, ecoavam os versos do Sérgio Sampaio, “E posso dizer que começo a voar sossegado em seu avião, /E mesmo com o ar desse jeito tão seco, consigo cantar no seu chão. /Quase que me sinto em casa em meio a suas asas e “Dablius” e “Éles” e/ Eixos e ilhas, Brasília”.

Voltamos ao Congresso. Circo pegando fogo. Votação das propostas. Um militante subiu as estruturas metálicas do teto. Foi detido por um policial. Agressão ao estudante. Todo o ginásio eufórico contra as cenas de violência. Uma pequena multidão cercou os seguranças. Pensei que a coisa ficaria feia, mas a mesa conseguiu contornar a situação. Voltamos à votação. Nada de novo, tudo como antes. As propostas da situação ganharam “por diferença visual”, segundo a mesa. O término do sonho, telegrafada a acabar, dava seus primeiros passos que muita coisa foi em vão. E foi.

Conchavos, negociatas, repetições da velha oligarquia dominante no poder, idealismo versus politicagem, partidos divididos entre a emoção idealista e a razão política. Fim de sonhos, início da realidade. Construção de bases? Esquerda versus Direita? Nunca a esquerda foi mais direita! Conservadorismo dos dois lados. Esquerda à direita. Direita à esquerda. Reboque. Choque. Cargo. Cadeira. Voz. Caminhada realizada no primeiro passo. Tijolo por tijolo. Democracia? Mil por UM? Crachá? Quem são os jovens que querem tomar o poder? Repetições da politicagem e negociatas da política tradicional. Votos e composições de chapas por cargos. Nas universidades repetimos o passado. Reluzimos o brilho de uma estrela que morreu há bilhões de anos. Miramos o presente, repetimos o passado no futuro. Poder versus posição. Conservar tudo como está, como foi e, provavelmente, como sempre será.

Um dia… quem sabe… um dia tudo mudará.

Domingo, 08 de junho de 2007 – Último Dia.

“Já gastei muita esperança/ Já segui muita ilusão/ Já chorei como criança/ atrás de uma procissão/ Mas já fiz correr valente/ quando tive precisão” (Ventania [De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando] – Geraldo Vandré e Hilton Accioly)

Último dia. Dia D. Acordamos arrumando nossas coisas, roupas sujas em sacolas plásticas, último banho gelado, plenárias, barracas arrumadas, café da manhã reforçado. Abraços e despedidas, trocas de e-mails e telefones. Sonhos depositados em futuras alianças, que no fundo sabemos, que não serão tão fortes assim. Deixamos o alojamento com um nó na garganta, uma brisa de saudade apertando o peito, como se o mais importante de toda a viagem estivesse naqueles quartos, dentro de cada coração e mente inquieta de cada um dos jovens que deixaram seus lares, camas confortadas, banhos quentes e comidas saborosas, para ousar sonhar em um futuro político melhor. Um Brasil melhor, mais digno, mais justo, menos sofrido ao nosso maior tesouro, o povo brasileiro.

Entramos no ônibus que nos levaria para o ginásio, neste dia que seria o último na Capital Federal. As chapas levariam suas propostas, defenderiam suas teses, teria as eleições e tudo acabaria. Para daqui dois anos tudo começar de novo.

De início, 11 chapas inscritas. Antes de tudo, negociatas e acordos elaborados nos bastidores. Em uma barraca de lanches, muito antes do início das eleições, um “político” bebia e gozava comemorando sua “cadeira” na UNE, fruto da desistência de candidato próprio em sua chapa. ABSURDO.

Duas chapas retiraram suas candidaturas pedindo “vaga” na composição da UNE. Em alto grau de sem-vergonhice, negociando “cargo” abertamente, como se fosse normal. Uma novidade no Congresso, a chapa Deus. Como quase todos, pensei ser uma sigla, mas não, o intrépido “companheiro” (ou camarada) estava disposto na defesa da DEUS (religião, não o Deus universal) na UNE. Acertadamente ou não, foi a única chapa de oposição ao atual modelo que manteve a posição calada, até de forma respeitosa. As demais frentes de oposição ou eram vaiadas, ou se afogavam em mares de bolinhas de papel, ou com lasers nos olhos, ou por barulho, mas o ato de maior demonstração antidemocrata era o “fala com a minha mão”.

“É esta a juventude que quer tomar o poder?”

Protestar contra o que foi dito é um direito, tanto quanto falar e dar sua opinião. Tal senso de democracia e liberdade não foi visto no ginásio Nilson Nelson, no último dia do Congresso. Teoricamente o mais importante. Mas como tudo era um jogo de cartas marcadas, nada muda e nada mudará.

Houve rachas internos dos grupos que formaram o “chapão” (chapa 11, posição). Muitos movimentos internos dos blocos não aceitaram a debandada. Mas ficaram apenas no protesto, outros se retiram do ginásio, houve quem não votou, em forma de protesto.

O mais grave estava para vir. O almoço seria liberado após o voto dos delegados. O ginásio foi fechado. Ninguém entra, ninguém sai. Só quando o último delegado votasse que os portões seriam abertos. Às 18 horas, não tinha acabado a votação. A desorganização ficou completa, por volta das 19 horas, quando o “almoço” acabou, deixando muitos sem comida. Contam-me, de bastidores, que um grupo invadiu o palanque do ginásio para reclamar da situação. O presidente da UNE disse que chegaria mais almoço e pediu que os manifestantes formassem fila no refeitório. Ao passo que os manifestantes saiam, ele pediu para os seguranças do recinto para fechar as portas. ABSURDO.

O resultado das eleições deu o óbvio. O que já era telegrafado desde a última eleição. Alias, há quem aposte no próximo presidente da UNE.

Nos gritos de guerra eufóricos, nos protestos contra o americanismo, imperialismo, TV Globo, política econômica de FHC, Lula, marxismo, monopólio, juventude no poder. Pedidos de democratização dos meios de comunicação, TV comunitária, inclusão social, inclusão digital, GLBTT, aborto, meio ambiente, minorias, ensino à distância, revolução pela cultura…

Solitário em uma bandeira vermelha, o Graúna do Henfil berrava a favor da contra reforma. A mola que resiste?

Embarcamos no ônibus que me levaria para casa, em doze horas de desconforto e sono pesado, imaginei sobre o futuro político do país. Há saídas? Naomi Klein, salve-nos.

Vila Esperança

Visão do BairroNaomi Klein costuma falar do vazio político para justificar as mobilizações sociais (ONG´s, passeatas, correntes de e-mails). Canclini diria que o consumo seria um caminho para a cidadania. Baumann diria que os meios de comunicação são fornecedores de modelos comportamentais…

Poderia alongar por horas e horas visões teóricas de pesquisadores, mas prefiro limitar ao alcance de meus olhos. Devido ao trabalho de “Comunicação Comparada”, que deveríamos escolher uma comunidade e analisar a relação do “homem e o meio”, escolhemos, depois de muitos caminhos tortos, a Vila Esperança, em Cubatão. Fundada nos anos 70, com a construção da Rodovia Imigrantes, localiza-se ao longo dos trilhos da antiga estrada de ferro Santos-Jundiaí, e abaixo da Rodovia dos Imigrantes. Inclui-se às áreas conhecidas como Sítio Novo, Ilha Bela, Morro dos Índios e Imigrantes. No bairro moram aproximadamente 6 mil famílias, com mais de 20 mil moradores.A Rodovia dos Imigrantes

Tivemos como guia o líder comunitário, e presidente da ONG “Cubatão de Bem com o Mangue”, Zumbi, andamos por toda a vila. Zumbi nos disse ser um dos primeiros moradores da região. Na ONG também funciona o estúdio de uma TV comunitária. Existe um programa de debate sobre educação ambiental e cidadania. A maior luta da ONG é a regulamentação do bairro, urbanização das ruas, água, esgoto, luz e transporte público de qualidade. Muito já foi feito. Segundo Zumbi, são vinte anos de luta para a melhoria do bairro.

Além do estúdio, na ONG, dividida em duas localidades, tem aulas de inglês, dança, capoeira, e uma clínica médica. Há um programa de distribuição diária de sopas, atendendo mais de 350 pessoas. Ainda há um centro de inclusão digital.

Em 2006 foi assinado o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), o termo defini a preservação do mangue, com isso uma cerca de 15 quilômetros separa a população da área de proteção ambiental. A construção da cerca custou 90 mil reais, e foi financiada por uma empresa da região. Atualmente está em construção o “Museu da Água”, financiado pela mesma empresa, ao custo de 450 mil reais, construída no Horto Municipal de Cubatão, com previsão de finalização das obras para dezembro de 2007.

Devido ao tamanho do bairro e para facilitar o processo de urbanização, há um outro projeto, desenvolvido pelo líder comunitário, Miúdo. A Sociedade de Melhoramentos da Vila Esperança. Lá funciona uma rádio comunitária, feita pela e para a comunidade. Na rádio há um programa diário da ONG, com duração de 30 minutos, debatendo formas de melhorias do bairro, programas de saúde e meio ambiente. Na associação há salas de aula (inglês, dança, capoeira), a administração, e uma padaria comunitária equipada com os maquinários necessários (forno, batedeiras, fôrmas). A dona de casa precisa levar apenas os ingredientes.

EsgotoCaminhando pelo bairro, além do elevado número de igrejas, o esgoto a céu aberto. A prefeitura disponibilizou caçambas espalhadas ao longo da avenida principal para acúmulo de lixo. Mas ainda é insuficiente. Na última casa que separa a cerca protetora, uma senhora nos disse sobre a paixão pelas plantas e o sonho de ter uma casa de alvenaria. O líder comunitário, Zumbi, que nos acompanhava, disse da sua luta para que todas as casas recebam melhorias.
Caçambas de Lixo
Logo depois, em um momento que precisei explicar a uma senhora sobre a importância do cadastramento (depois dizem que o jornalista não deve se envolver na matéria), Miúdo nos disse sobre a existência de “algo” que anda espalhando “boatarias”. De canto, em um conversa paralela, Zumbi e Miúdo olhavam o bairro, os olhos fundos de alegria e esperança. “Em vinte anos, estamos sonhando com isso.” “Estas obras são para os nossos filhos e netos”, profetizou.

Miúdo perguntou ao grupo se iríamos nos formar jornalistas para dizer a verdade ou para dizer o que “eles querem”. A resposta foi unânime. A VERDADE. “Nem que seja preciso criar nosso espaço”, completei.

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Capítiulo posterior

Só com mobilização social (de dentro para fora) que podemos mudar alguma coisa. Vila Esperança nos mostra isso. A determinação pessoal e a união pela mudança geram força suficiente para mudar. Precisamos insistir, como a mola que resiste.

TERCEIRAS TERÇAS – JOSÉ HAMILTON RIBEIRO

Quebrando a série “35 anos do primeiro álbum do Clube da Esquina, uma história de superação que inspirou um aspirante a alguma coisa. Algumas vezes, eu digo jornalista.

OU SONHOS QUE SE TRANSFORMAM

Certas histórias exigem um pouco mais de tempo para que possamos escrever. Pensei em como começar este relato, em não ser “nariz de cera”, ou, quem sabe, exagerar na parcialidade dos fatos, exagerar nos elogios. Na última terça-feira, dia 17 de abril, o jornalista José Hamilton Ribeiro esteve em Santos, depois de três anos, pelo projeto “Terceiras Terças”, do Sesc Santos e Livraria Realejo. Na última passada por Santos, o jornalista recebeu homenagens e o lançamento de uma biografia, realizada como TCC.

O teatro do Sesc estava lotado, aproximadamente 700 pessoas (dos 785 lugares do recinto) compunham o ambiente intimista, a qual decorreu a entrevista, composto, por maior parte, de estudantes de jornalismo, as perguntas eram direcionadas à profissão. Começou descrevendo os quatro últimos lançamentos editoriais com sua assinatura. Peculiaridades de cada grande reportagem descrita nas páginas de sua obra. Contou a história de Zé Bilico, um produtor rural do de Itapecerica, Minas Gerais, que está no livro “O livro das grandes reportagens”, da Editora Globo. Que em meio a tantas “personalidades”, Hamilton deu voz à sabedoria popular. Seus olhos brilhavam ao descrever o porquê desta escolha.

Destacou a importância da mulher na profissão de jornalista. Importância que a Lya Luft sempre defendeu. Relembrou momentos da Guerra do Vietnã, destacou o momento político-social da primeira, e comparou-a com a Guerra do Iraque. Relembrou dos ideais mortos de uma sociedade justa pelo Socialismo. E, 30 anos depois, deu a vitória do combate na Ásia aos americanos, justificando a abertura ao capital estrangeiro e a livre iniciativa existente nos dias atuais no Vietnã. Emocionou-se ao relembrar momentos da sua tragédia pessoal, mas, neste instante, com a força de um ser humano ímpar, que não desiste, descreveu, de forma jocosa, uma parte do seu drama.

Nas poucas linhas acima temos uma idéia, mesmo que superficial, do ocorrido. Mas algo maior aconteceu, um pequeno gesto, um acontecimento pequeno, uma frase fez reafirmar a chama que por pouco quase se apagou em mim. Minha paixão por livros e música é eminente. Estavam à venda alguns livros do José Hamilton, comprei o “Música Caipira”, (estava com pouco dinheiro, mas precisamente o valor exato do livro e minha condução de regresso à casa). Entrei na fila para autografar meu exemplar. Fila grande, e, pacientemente, o Hamilton atendia um a um, tirando foto, conversando, respondendo, com simpatia e bom-humor. Ele que passara o dia todo em uma maratona de entrevistas à imprensa local. Todos, que ele atendia com um sorriso, diziam ser estudantes de jornalismo ou jornalista. Eu, confesso, fiquei encabulado de tal abertura. Na minha vez, sorri, dei-lhe o livro, e disse: “Ola, mestre”. Ele levantou os olhos, olhou-me e perguntou: “É jornalista?”. Respondi: “Estudante”, ele retribuiu: “Tem todo o jeito de ser”. Tiraram foto deste instante, e, como de habitual, fiz minha pose (não-pose) de tirar fotos.

Voltei para casa, exemplar nas mãos, envaidecido do elogio de um ícone do jornalismo, sentei-me com minha mãe e meu tio (fãs do José Hamilton), na cozinha, recitei trechos do livro, contei minha aventura, senti-me tão jornalista como me senti vivo. Na cama, na hora de dormir, fiquei olhando o teto por bons pares de horas, pensando nos meus sonhos ao embarcar nesta profissão, nos projetos de mudar o mundo, de construir valores de cidadania, de levar conhecimento ao máximo possível de pessoas, germinar cultura, lapidar e descobrir talentos… Sonhos que me fazem viver, que me fazem acordar a cada dia. Estou no caminho certo, penso a cada instante.

Cada caminhada inicia-se no primeiro passo.

Os Livros

Música Caipira
Tropeiros
O Gosto da Guerra
O livro das reportagens

A Foto
Crédito: Carlos Freire
Terceiras Terças - José Hamilton Ribeiro
Encontro com o mestre José Hamilton Ribeiro
Ps: Não levem a sério minha pose.

ALCATÉIAS DO CONHECIMENTO.

Vivemos, hoje, um momento único, não só na história da cibernética, como em toda estruturação social. A informática, que teve seu inicio para fins bélicos, desenvolveu-se, ao passar dos anos, em um poderoso centro de entretenimento, comunicação, informação e socialização. Tão veloz quanto ao desenvolvimento tecnológico, o caráter cultural, e por sua vez socializador, despontou como o maior centro de conhecimento e troca de informações, nunca visto na história da humanidade.

Para operar um computador, nos idos anos 50/60, era necessário a especialização em matemática, complexos cálculos, que exigiam excessivo esforço e tempo, eram efetuados em poucos segundos. Aos poucos, e com o aumento de interesse na área em universidades, criou-se como ciência. Deste momento, apenas poucos privilegiados ao conhecimento detinham condições para operar ou construir um computador. No final dos anos 70 e início dos anos 80 e, principalmente, por implemento do ambiente gráfico, a informática deixou de ser um bicho de sete cabeças.

Como um instrumento de uso militar, mecanicista e tecnocrático transformou-se no fenômeno cultural que conhecemos hoje? A resposta para esta pergunta encontra-se no grupo que, quase acidentalmente, deu inicio à revolução. O movimento de contracultura, o famoso maio de 68 – a geração que pregava a criatividade humana como o ápice cultural -, enxergou na possibilidade de democratização do conhecimento tecnológico uma base para derrubar tudo, até então, pré-estabelecido.

Estes “revolucionários”, em suas garagens, desenvolveram os primórdios da informática como conhecemos hoje. Ao passo principal de construir formas simples de comunicação entre máquina e usuário. Com o advento da Internet, derivada de redes militares (ARPANET), a Cibercultura começou a criar corpo. Uma idéia simples, interligar computadores para existir comunicação mútua, tornou-se todos, a certo ponto, iguais. Protegidos pelo anonimato todos tinham voz para expressar suas opiniões ou dividir conhecimentos, até então, mantido em sigilos. A este processo deu-se o nome de horizontamento da comunicação. Tendo como mártir os primeiros hackers, desbravadores solitários em busca de conhecimento.

Hoje, em um mundo conectado, a luta é para a inclusão digital. O que, de início, foi uma apropriação de conhecimentos restritos, transformou, pacificamente, à integração ao mundo da informação.

Para saber mais:
Maio de 1968
Internet
Inclusão Social
Laptop $100


 

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