Arquivo de janeiro \27\UTC 2007

BORBOLETAS

Tenho saudade do futuro, de um lugar que sempre estive.
Em outra dimensão onde a felicidade era eterna.
Em todos os gestos de seus olhos, via castelos de areia em gotas d’água.
Que o silêncios de suas palavras acalmava a tempestade que vivera.
Onde seus braços e pêlos estavam sempre perto de meu punho.
Seus passos distantes feriam meus desejos mais puros, distância.
E no nascer da primavera latente em suas primeiras pétalas tocando a face do vento.
Sua cabeça em meu peito era a melhor demonstração da natureza.
Ao cair das primeiras folhas amareladas do outono, despedindo da vida.
Seu sorriso trazia de volta as flores, as cores e os aromas primaveris.

Em um instante, tive saudade do futuro, a qual vivo eternamente.
Num segredo abstrato, via de passagem uma aquarela de momentos passados.
Pintado em azul e amarelo, nossos passos e sorrisos.
Enxerguei por olhos de um pintor o poder extra comunal de sua fragilidade bela,
E com o vento ecoou pelas paredes cinza dos arranha-céus da cidade. Berrava seu nome.
Com a força de mil exércitos, suas palavras faziam em silêncio oblíquo. Seu olhar calava.
Elemento de lucidez em fragmentos de loucuras. Enxergava pela sua ótica o mundo.
Guerras e fomes não existiam neste futuro onde vivo eternamente ao seu lado.
Neste dia, senti saudade do futuro.

Estrelas caiam em todas as pétalas de rosas em gotas de chuva amena de verão.
Campos verdes coberto de branca relva enchiam o silêncio de seus olhos.
Cintilavam no azul aveludado da noite efervescentes brilhos de euforia, que alguns homens referem como cometas.
Eram tempos que borboletas governavam paz, e nem mil canhões destruiriam corações repletos de sonhos e esperanças.
Ninguém, nem mesmo as rosas tem cores mais vivas que seu sorriso

TOM DE DOR

Segui tortuosos passos infindos.
Você seguia reto, destino traçado. Colorido!
Poeira vermelha em meus passos.
Flores de lótus que se abrem em seu caminhar.
E eu perdido entre qualquer rastro.
Fechava os olhos. Observava:

Talvez seja a primavera.
Talvez seja sua ausência.
Talvez seja a hora errada.
Talvez seja para a vida inteira.

AI! SEUS OLHOS.

Caminhei por ruas, desertas.
Desertos caminhos, caminho!
Sob mil sóis. Desejei mil luas.
Eterno brilho reluzente, azul.
Dançando, faixas de luzes refletidas no mar.
Anoiteceu!
Noites e dias que passam ao acaso.
Céu!Esperei tempo! Tempo! Tempo!
Angelicalmente, seu toque em minha cabeça,
Breve tremor no corpo.
Brilhou! O amanhã! Nasci.
Esperei! Tempo! Preciso! Eterno.
Raiou! O Sol!
O céu azul se fez.
Sua rua, ai! Se fosse minha rua.
Seus olhos, ai! Se olhassem para mim.
Dourados fios da verdade! Amor!
Se fosse corajoso! Se fosse aventureiro!
Se fosse valioso! Se fosse verdadeiro!
Ai! Se tocasse sua face. Se seu aroma perfumasse o ambiente.
Ai! Traduzir-te é imprimir o futuro.
Se, e somente se, cegar todos os satélites. É transmutar.
É reinventar a gramática.
É duvidar da vida, e em um segundo depois amá-la incondicionalmente.
Tatear suas palavras é realimentar a alma.
É infindo movimento do mar e lua.
É desdobrar-se a alma em mil, e amar-te mil vezes.
É desprender-se da matéria inerte, dando-te vida.
É caminhar em campos cobertos de girassóis.
É multiplicar os pães. Reinventar a metafísica,
A religião, a cultura. Redescobrir o homem.
Ai! se seus olhos pudessem ver o que vejo em ti.
Guerras feitas em suas palavras, paz fariam.
Ai! Se somente fosse, no mundo, você e eu, e o universo a descobrir.
Eternamente buscaríamos o novo mistério. Você e eu.
E o correr da eternidade a embalar nosso amar.

MOSTRE-SE, POETA!

Por que se escondes, poeta?
Que medo lhe corroe as vistas e paralisa-te?
Por que se fechas em mundos de fantasias, poeta?
O que te faz penar e ter vergonha de encarar sua face perante o espelho?
Por que tens medo, poeta? E quais medos são estes?
Não percebe que é impossível esconder seus olhos perdidos no horizonte.
Seu coração vibrante e apaixonado, sua sensibilidade à flor da pele.
Eles te entregam poeta! Não te escondas.
Por que vacila em caminhar tortos passos? Seus passos são tortos?
E daí? Todos seus passos foram tortos. Seus anos também .
Por que não levanta a cabeça e orgulha-te? És poeta. És poeta.
Por que não tiras esta venda que cobre seus olhos e coração?
E venha ver o sol nascer nas manhãs de outono.
A primavera se pôr no horizonte.
Não finges que não se importa. Isto é sua vida.
Erga-te a espada de flores e bote-se a lutar por palavras.
Entrega seu coração ao mundo. Tu és patrimônio de todos.
De que serve um poeta dentro de sua caverna sombria?
De que serve todos os salmos sem a leitura?
Levante poeta. E mergulhe no mundo que foi desenhado por ti.
Não enxergas que transformações fizeste ao universo.
Por que não olhas no espelho e diga: “Sim, sou poeta”?
Por que envergonha-te de ser quem és. E és tão bem.
Tem vergonha de olhar aos outros homens e percebe que não são iguais a ti.
Bobagem, poeta!
Não sintas vergonha. Eles que deveriam sentir por não conhecer a vida.
Levante a cabeça, caminhe por vale de alegria. Ah! Poeta!
Quantas invejas sofreste? Quantas homens queriam ser tu.
E o que fazes? Esconde-se ao meio da multidão.
Deixa-te ferir pelos pobres de espírito. E, por quê?
Falte-te coragem para perceber que és? És, e sempre será poeta
Poeta torto!
Poeta solto!
Poeta de alma, coração e vida.
Poeta!
Poeta que caminha em vales de flores, poeta que desvia das pedras.
Poeta!
Sem mar!
Sem onda!
Sem nada!
Poeta! Menino perdido no mundo adulto aprendendo a viver.
Poeta dos olhos apaixonados.
Dos suspiros perdidos contemplando o horizonte.
Poeta menino gigante.
Poeta das alegrias, fantasias.
Poeta sem motivos te aviso: Viver é mais que os outros.
Viver é cantar em poesias seus dias.

TRAMAS

No escuro, tropeçávamos em sentidos esquecidos.
Jogados ao caso, por descaso.
Em vão, vagavam pelas frias cavidades do chão.
Procuravam almas perdidas para brincar com seus sonhos.

Paredes e tetos caíram quando um fio do destino louco
atingiu no peito duas almas que bailavam seus corpos jovens pelo ar.
Tocados em cheio durante a valsa vienense da madrugada,
choravam ao rompimento da linha condutora que os ligavam.

Do lado oposto, anjos barrocos tortos riam.
A cena repetia em retilíneas voltas completas dos ponteiros.
Relógios parados.
Anjos barrocos tortos dançavam pelos amplos salões
enfeitados de euforias, divertiam-se com suas estripulias.

E as almas, perdidas em distraídas horas perdidas,
Contemplavam, atônitos, os ponteiros sem movimentos.
Olhavam em volta, tudo em ordem ou no completo caos?
Presos, amarrados, vagavam por todo o correr da eternidade
a um espelho com a face do outro refletida.

Entenderam, definitivamente, todo o significado do amor.

A PORTA ESTAVA…

A porta estava entreaberta,
Escondendo fagulhas de sorrisos tortos,
Duvidosos.
Escorriam pela face lágrimas de saudade.
Ternura transformada em pedaços de cristais.
Falsas demonstrações de tranqüilidade e paz.
Peito e alma dilacerada.
Onde estás? Procuro.
Você existe!
Você existe!
Você existe!
Persiste.
Há amor no mundo? O mundo de amor?

A porta estava fechada.
Inverno!
Solidão!
Dias cinzas!
Existe amor!
Existe amor!
Existe amor?
Resiste o amor?
Resistirá aos dias, as horas escuras. Dúvidas.
Restos de palavras ásperas ecoavam em meu peito.

Olho a janela e vejo o outro lado da rua,
Talvez veja o outro lado da história,
Ou o outro lado do que sou,
Talvez nada vejo, meus olhos atordoados pouco enxergam.
Vento varre a rua deserta.
Uma única frase ecoa em minha mente.
-Eu te amo!
-Eu te amo!
-Eu te amo!

Fecho a janela.

A porta estava entreaberta,
Pequenas verdades misturas com doses cavalares de mentiras,
Atravessam o salão principal.
Fagulhas de verdades atingiam meu peito.
E eu era composto de pequenos pedaços esquecidos.
Verdades trituradas.
A porta estava entreaberta,
E por ela apenas a brisa passava.
Olhe para os quadros pendurados na parede,
Que narravam histórias fantásticas,
-Mentiras!

A porta estava fechada.
E com ela tudo que me ligava ao mundo.
Fecho a porta, a janela, os olhos a vida.
Fecho-me para o mundo, sorrio.
Existe amor?
Amor!
Existe!

GOTAS DE SAUDADE

Não te olhei nos olhos com medo que uma fenda abrisse sob seus pés
Não inventei passados, histórias, relatos, por não aprender a mentir.
Hoje creio que a vida seja um dado viciado tentando nos enganar
Aprendi que por mais forte que somos seremos sempre alguém
que procura a quem amar. E amar cada vez mais.

Não sorri quando te vi vindo com medo que uma tempestade tirasse meus pés do chão
Condenei meus próprios pecados e arrependimentos ao te ver caminhar. Bela
Saudade é ar que sufoca o peito, seca a boca, arrebenta o coração.
Suave volta, segundos seguindo de longe

Não te olhei com medo que uma tormenta desviasse o seu caminhar
Percebi que há anos caminhava sozinho, mesmo indo em sua direção
Desconfio que seu compasso foi criado por discos riscados ou fora de rotação. Solar
E seus ritmos articulados, pulsante como coração, são leis testadas pela física lógica.
Ilógica é não te amar.

Não sorri quando caminhavas próximo ao mar com medo de nunca mais passar
Descobri que há muitos anos que não consigo dormir. Sonhar jamais
Desenhei-te em uma folha de papel, pedaços de silêncios perdidos, largos como seus sorrisos.
Percebi que sempre estavas sozinha com medo de perder-se em terremotos.Tempestades ou em paz.

Fecho os olhos e te pinto nua. Em uma estrela extinta e escura
Em uma chama, brilhante, intensa.


janeiro 2007
S T Q Q S S D
« dez   fev »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Categorias

Acesso número:

  • 124,226 Páginas vistas.