BORBOLETAS

Tenho saudade do futuro, de um lugar que sempre estive.
Em outra dimensão onde a felicidade era eterna.
Em todos os gestos de seus olhos, via castelos de areia em gotas d’água.
Que o silêncios de suas palavras acalmava a tempestade que vivera.
Onde seus braços e pêlos estavam sempre perto de meu punho.
Seus passos distantes feriam meus desejos mais puros, distância.
E no nascer da primavera latente em suas primeiras pétalas tocando a face do vento.
Sua cabeça em meu peito era a melhor demonstração da natureza.
Ao cair das primeiras folhas amareladas do outono, despedindo da vida.
Seu sorriso trazia de volta as flores, as cores e os aromas primaveris.

Em um instante, tive saudade do futuro, a qual vivo eternamente.
Num segredo abstrato, via de passagem uma aquarela de momentos passados.
Pintado em azul e amarelo, nossos passos e sorrisos.
Enxerguei por olhos de um pintor o poder extra comunal de sua fragilidade bela,
E com o vento ecoou pelas paredes cinza dos arranha-céus da cidade. Berrava seu nome.
Com a força de mil exércitos, suas palavras faziam em silêncio oblíquo. Seu olhar calava.
Elemento de lucidez em fragmentos de loucuras. Enxergava pela sua ótica o mundo.
Guerras e fomes não existiam neste futuro onde vivo eternamente ao seu lado.
Neste dia, senti saudade do futuro.

Estrelas caiam em todas as pétalas de rosas em gotas de chuva amena de verão.
Campos verdes coberto de branca relva enchiam o silêncio de seus olhos.
Cintilavam no azul aveludado da noite efervescentes brilhos de euforia, que alguns homens referem como cometas.
Eram tempos que borboletas governavam paz, e nem mil canhões destruiriam corações repletos de sonhos e esperanças.
Ninguém, nem mesmo as rosas tem cores mais vivas que seu sorriso

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2 Responses to “BORBOLETAS”


  1. 1 marina março 18, 2007 às 12:26 am

    Quando gosto é sem razão descoberta
    quando desgosto, também.
    Ninguém com dádivas e gabos,
    não me transforma.

    Belo poema, vibrante, como diria Villa-Lobos: “é de rasgar o coração”.

  2. 2 marina março 18, 2007 às 2:15 am

    O que há em mim é sobretudo cansaço –
    Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo u de nada:
    Cansaço, assim mesmo, ele mesmo: cansaço.

    A sutileza das ensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto em alguém,
    Essas coisas todas –
    Essas e o que falta nelas eternamente;
    Tudo isso faz um cansaço.

    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseja o impossível,
    Há sem dúvido quem não queira nada –
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmene o possível.
    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
    Ou até senão puder ser…


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