Arquivo para fevereiro \28\UTC 2007

NASCIMENTO

Brilha, em um silêncio abstrato,
Toda aquarela reluzente em seus olhos
Vívidos, cândidos de luz e ternura.
Em uma paisagem absoluta e bela
Vejo a vida passar, com seus olhos rasos
de falta de alegria, vivida em tortos pastos.

Em noites de brilho intensos, a paz reinante em suas palavras
trazia conforto ao peito cansado da idade.
Entendia a pureza e a beleza latente dos cosmos.
Em momentos únicos de extrema calmaria.
Reinante como solitário navegador dos trópicos,
em mares remotos e tranqüilos.
Reluziam no céu as tonalidades existentes em seu sorriso.
Estrelas, perdidas, brilhavam no céu d´Espanha.
A Lua, contemplando seu rosto, perdera a luz.

Aos que dizem que sou estranho, errôneo,
Meus olhos fechados e o silêncio de meus lábios
Respondiam, em retóricas distintas, toda a euforia
e o desejo de meus mais esquecidos gestos.
A paz roubada, a falta de esperança
sumiam ao te ver, translúcida e bela, caminhando pela avenida.
Faróis de mercúrio iluminavam onde passava,
piscavam meus olhos, tentando melhor te enxergar.
Assim, quem sabe, acreditar em minhas pupilas incrédulas.
Teimavam, em vão, não observar.
Rotas solares chocavam no momento exato
que seus mais belos passos cruzavam o mar.
Daí, o que se viu, foi toda a civilização ocidental
perdida entre a paz sonhada e a guerra santa.

Meu berro recitava seu nome como um louco ama a lua,
Um navegador explora o amar, um sonhador imagina, e imagina tanto.
De longe, e como sempre, perdia-me entre o medo e o desejo.
Era o movimento terrestre regendo os meus passos tortos,
De um poeta torto, caminhando em tortos desfiladeiros.
Resta-me, apenas, o peso da pena e a pena que a vida fez-me prisioneiro.
Calado, estático, até mesmo ferido.
A sua retina reluzente de amor e afeto,
Emergiu uma ponta de paz e esperança
Que eu, na mais estúpida incompreensão,
Achara perdida ou demasiadamente inalcançável.
A vida, mesmo incompleta, mostrava sua frente quente
Ao peito incrédulo deste pobre poeta pobre.

Ergo-me de esperança e de paz roubada.
A vida ergue-me de luz vinda de suas vistas,
Em vista, tudo que sempre sonhei. Você, vinda do alto,
Derretia as nuvens em gotas de chuva em dias de verão.
Meus olhos viram, pela décima quinta vez, o nascimento de um milagre.
Neste instante, pôs-se ao céu dois arco-íris.
O que antes era trovoadas e dançantes faixas de luz no breu,
Agora, vivo, duas vezes sete cores enfeitam seus cabelos.
Desenhados pelas mãos mais perfeccionista,
Escorria em sua face a alegria radiante de um sorriso,
Dos meus olhos deslizavam toda a dor de uma vida
condensada em lágrimas puras, que curaram meu coração.

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DOR

E se a chuva cair quando você sorrir.
Talvez a vida perca seus mistérios.
Mas se a chuva teimar em molhar
Seu rosto sereno, na madrugada
Quando nossas peles unidas
Nunca mais deixarem de se unir
O sol raiará entre seus olhos e sorriso

Se você quiser, este amor nunca acabará (comigo)
Se você quiser, se você fizer o possível (e o impossível)
Este amor, o nosso amor, será mais que vivo.
Será iluminado e imensamente nosso abrigo.
Seu abrigo.

Mas se a chuva cair e molhar seus cabelos,
durante meus passos mais distraídos.
Serei seu par, por onde você for.
Não me faça chorar, nem me faça mal.
Queira bem, amor meu.

E se o azul ele for, esse tanto,
esse grande
essa imensa flor
Que brotou, germinou, floresceu em meu peito.
Queria bem, amor meu.

Mas se o sol nascer em sua face,
e um arco-íris brotar do seu sorriso,
se a chuva cair, ela que caia.
Faça bem a quem o bem te fez, amor meu.
Queira bem, anjo bom.
Caia como chuva, apareça como sol.
Anjo bom, amor meu.

ESTRELAS VAGAS

Era noite. Nem calor nem frio fazia.
As estrelas, estas perdidas, me seguiam.
Cintilavam, não sei ao certo, mas chovia.
A lua, ah! esta sim, sorria.
Penetravam em meus olhos com seus brilhos
Recados seus emitidos pelo anoitecer da primavera

Era noite. Nem calor nem frio fazia.
Certas nuvens, cansadas, me conduziam.
A lua, acerca das minhas retinas, observava seu sorriso.
No ar pairava o vôo de um vaga-lume.
Que, cansado da luz, olhava o universo e dizia:
“-Seu brilho eterno não é, um dia apagará; e o que será de mim?”
Não sei ao certo o mês que embalava o breu desta data.
Nem se era noite ou se era dia.
Mas não fazia calor nem frio fazia.

Sei que olhava a lua, e lia seus recados no mar de prata.
Estrelas cadentes do choro do universo lamentavam sua falta.
Enquanto uma ventania varria cosmos distraídos.
Eu, com os pés no chão, tateava a poeira cósmica da saudade.
Ah! Saudade que meu peito sentia, meu pranto sofria.
Os dias, estes parados, não se iam. Tardava sua partida.
Era noite. Nem calor nem frio fazia.


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