NASCIMENTO

Brilha, em um silêncio abstrato,
Toda aquarela reluzente em seus olhos
Vívidos, cândidos de luz e ternura.
Em uma paisagem absoluta e bela
Vejo a vida passar, com seus olhos rasos
de falta de alegria, vivida em tortos pastos.

Em noites de brilho intensos, a paz reinante em suas palavras
trazia conforto ao peito cansado da idade.
Entendia a pureza e a beleza latente dos cosmos.
Em momentos únicos de extrema calmaria.
Reinante como solitário navegador dos trópicos,
em mares remotos e tranqüilos.
Reluziam no céu as tonalidades existentes em seu sorriso.
Estrelas, perdidas, brilhavam no céu d´Espanha.
A Lua, contemplando seu rosto, perdera a luz.

Aos que dizem que sou estranho, errôneo,
Meus olhos fechados e o silêncio de meus lábios
Respondiam, em retóricas distintas, toda a euforia
e o desejo de meus mais esquecidos gestos.
A paz roubada, a falta de esperança
sumiam ao te ver, translúcida e bela, caminhando pela avenida.
Faróis de mercúrio iluminavam onde passava,
piscavam meus olhos, tentando melhor te enxergar.
Assim, quem sabe, acreditar em minhas pupilas incrédulas.
Teimavam, em vão, não observar.
Rotas solares chocavam no momento exato
que seus mais belos passos cruzavam o mar.
Daí, o que se viu, foi toda a civilização ocidental
perdida entre a paz sonhada e a guerra santa.

Meu berro recitava seu nome como um louco ama a lua,
Um navegador explora o amar, um sonhador imagina, e imagina tanto.
De longe, e como sempre, perdia-me entre o medo e o desejo.
Era o movimento terrestre regendo os meus passos tortos,
De um poeta torto, caminhando em tortos desfiladeiros.
Resta-me, apenas, o peso da pena e a pena que a vida fez-me prisioneiro.
Calado, estático, até mesmo ferido.
A sua retina reluzente de amor e afeto,
Emergiu uma ponta de paz e esperança
Que eu, na mais estúpida incompreensão,
Achara perdida ou demasiadamente inalcançável.
A vida, mesmo incompleta, mostrava sua frente quente
Ao peito incrédulo deste pobre poeta pobre.

Ergo-me de esperança e de paz roubada.
A vida ergue-me de luz vinda de suas vistas,
Em vista, tudo que sempre sonhei. Você, vinda do alto,
Derretia as nuvens em gotas de chuva em dias de verão.
Meus olhos viram, pela décima quinta vez, o nascimento de um milagre.
Neste instante, pôs-se ao céu dois arco-íris.
O que antes era trovoadas e dançantes faixas de luz no breu,
Agora, vivo, duas vezes sete cores enfeitam seus cabelos.
Desenhados pelas mãos mais perfeccionista,
Escorria em sua face a alegria radiante de um sorriso,
Dos meus olhos deslizavam toda a dor de uma vida
condensada em lágrimas puras, que curaram meu coração.

Anúncios

3 Responses to “NASCIMENTO”


  1. 1 Fani fevereiro 28, 2007 às 4:50 am

    adorei a poesia, é muito bonita!!!
    parabéns
    bjos

  2. 2 marina março 1, 2007 às 1:21 am

    Sempre sensível, intenso, emocionante…

  3. 3 Denise março 2, 2007 às 4:48 pm

    Sensibilidade pura. Que poema lindo!!! Parabéns, Edu…


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




fevereiro 2007
S T Q Q S S D
« jan   mar »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728  

Categorias

Acesso número:

  • 124,228 Páginas vistas.

%d blogueiros gostam disto: