Arquivo para abril \23\UTC 2007

TERCEIRAS TERÇAS – JOSÉ HAMILTON RIBEIRO

Quebrando a série “35 anos do primeiro álbum do Clube da Esquina, uma história de superação que inspirou um aspirante a alguma coisa. Algumas vezes, eu digo jornalista.

OU SONHOS QUE SE TRANSFORMAM

Certas histórias exigem um pouco mais de tempo para que possamos escrever. Pensei em como começar este relato, em não ser “nariz de cera”, ou, quem sabe, exagerar na parcialidade dos fatos, exagerar nos elogios. Na última terça-feira, dia 17 de abril, o jornalista José Hamilton Ribeiro esteve em Santos, depois de três anos, pelo projeto “Terceiras Terças”, do Sesc Santos e Livraria Realejo. Na última passada por Santos, o jornalista recebeu homenagens e o lançamento de uma biografia, realizada como TCC.

O teatro do Sesc estava lotado, aproximadamente 700 pessoas (dos 785 lugares do recinto) compunham o ambiente intimista, a qual decorreu a entrevista, composto, por maior parte, de estudantes de jornalismo, as perguntas eram direcionadas à profissão. Começou descrevendo os quatro últimos lançamentos editoriais com sua assinatura. Peculiaridades de cada grande reportagem descrita nas páginas de sua obra. Contou a história de Zé Bilico, um produtor rural do de Itapecerica, Minas Gerais, que está no livro “O livro das grandes reportagens”, da Editora Globo. Que em meio a tantas “personalidades”, Hamilton deu voz à sabedoria popular. Seus olhos brilhavam ao descrever o porquê desta escolha.

Destacou a importância da mulher na profissão de jornalista. Importância que a Lya Luft sempre defendeu. Relembrou momentos da Guerra do Vietnã, destacou o momento político-social da primeira, e comparou-a com a Guerra do Iraque. Relembrou dos ideais mortos de uma sociedade justa pelo Socialismo. E, 30 anos depois, deu a vitória do combate na Ásia aos americanos, justificando a abertura ao capital estrangeiro e a livre iniciativa existente nos dias atuais no Vietnã. Emocionou-se ao relembrar momentos da sua tragédia pessoal, mas, neste instante, com a força de um ser humano ímpar, que não desiste, descreveu, de forma jocosa, uma parte do seu drama.

Nas poucas linhas acima temos uma idéia, mesmo que superficial, do ocorrido. Mas algo maior aconteceu, um pequeno gesto, um acontecimento pequeno, uma frase fez reafirmar a chama que por pouco quase se apagou em mim. Minha paixão por livros e música é eminente. Estavam à venda alguns livros do José Hamilton, comprei o “Música Caipira”, (estava com pouco dinheiro, mas precisamente o valor exato do livro e minha condução de regresso à casa). Entrei na fila para autografar meu exemplar. Fila grande, e, pacientemente, o Hamilton atendia um a um, tirando foto, conversando, respondendo, com simpatia e bom-humor. Ele que passara o dia todo em uma maratona de entrevistas à imprensa local. Todos, que ele atendia com um sorriso, diziam ser estudantes de jornalismo ou jornalista. Eu, confesso, fiquei encabulado de tal abertura. Na minha vez, sorri, dei-lhe o livro, e disse: “Ola, mestre”. Ele levantou os olhos, olhou-me e perguntou: “É jornalista?”. Respondi: “Estudante”, ele retribuiu: “Tem todo o jeito de ser”. Tiraram foto deste instante, e, como de habitual, fiz minha pose (não-pose) de tirar fotos.

Voltei para casa, exemplar nas mãos, envaidecido do elogio de um ícone do jornalismo, sentei-me com minha mãe e meu tio (fãs do José Hamilton), na cozinha, recitei trechos do livro, contei minha aventura, senti-me tão jornalista como me senti vivo. Na cama, na hora de dormir, fiquei olhando o teto por bons pares de horas, pensando nos meus sonhos ao embarcar nesta profissão, nos projetos de mudar o mundo, de construir valores de cidadania, de levar conhecimento ao máximo possível de pessoas, germinar cultura, lapidar e descobrir talentos… Sonhos que me fazem viver, que me fazem acordar a cada dia. Estou no caminho certo, penso a cada instante.

Cada caminhada inicia-se no primeiro passo.

Os Livros

Música Caipira
Tropeiros
O Gosto da Guerra
O livro das reportagens

A Foto
Crédito: Carlos Freire
Terceiras Terças - José Hamilton Ribeiro
Encontro com o mestre José Hamilton Ribeiro
Ps: Não levem a sério minha pose.

MEMÓRIAS DAS ESQUINAS DE UM CLUBE

Os Sonhos não envelhecem
Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, Márcio Borges (Editora Geração Editorial; São Paulo; 3º edição; 358 páginas, 1996). Tudo começou em torno de uma grande amizade. Como, quase tudo, envolto por encantos de magia. Ano 1963, estréia em Belo Horizonte o filme “Jules et Jim”, do diretor francês Francois Truffaut. Dois amigos ao saírem do cinema, e ainda sob forte impacto do filme, descobrem algo maior que a amizade existente entre eles, iniciam uma carreira brilhante.
Eram noites cercadas por batidas de limão, música, poesias e sonhos. Muitos sonhos. Jovens contestadores que imaginavam mudar o mundo. Sobre estes sonhos cerca-se a obra do letrista, publicitário e poeta Márcio Borges. O livro não é centrado apenas na vida e obra da coluna principal do movimento Clube da Esquina, Milton Nascimento, mas narra as histórias de sucessos, fracassos e embaraços das vidas comuns de todos os integrantes.
Durante a leitura conversamos com o livro, como se fossemos participantes da história. Escrita de forma sensível e única, Márcio Borges vai narrando sem obedecer ordem cronológica, pequenas histórias de jovens comuns que viriam conquistar seu espaço ao sol. Narra o encontro entre Lô Borges e Milton Nascimento, de como algumas obras primas da música popular brasileira nasceram, entre outros divertidos acontecimentos de uma forma peculiar e sublime.
Paralelamente o livro atravessa a trajetória política do Brasil, desde o golpe militar de 1964 até início dos anos 80. Narrando acontecimentos que misturam a vida artística e política dos integrantes do movimento. Mas, mergulha em histórias abaixo de toda esta movimentação, histórias simples como o amor de Paula e Bebeto, que Caetano Veloso insistiu em colocar a letra na música do Milton Nascimento, das aventuras cinematográficas do autor, algumas histórias de amor, surgimento de canções em estradas de terra, músicas para um jipe, ou da morte da Elis Regina em uma passagem recheada de saudade e lágrimas. Misturando sensibilidade e indignação retratou fielmente o momento histórico vivido.
De repente Milton Nascimento mostrava ao mundo os encantos de Minas Gerais. No quarto dos homens da família Borges, e misturando jazz, rock progressivo, bossa nova e samba, um bando de meninos criam uma sonoridade única, impar. Neste quarto, na esquina desta casa, em cada coração dos integrantes que este livro se projeta em resgatar lembranças destes dias de censuras, repressão, Beatles, esperança e sonhos. Narra a história de uma geração que viveu para a arte, e dela embalaram o coração de muitas vidas.
Os sonhos não envelhecem – Memórias do Clube da Esquina. Leia o livro, ouça os discos e entregue-se aos momentos nostálgicos desta obra. Livro para ter na estante, e reler com calma, embalado pelas texturas que o som das Gerais traz. Em um horizonte perdido o mundo conheceu todas as emoções contidas no carro de boi, no trem mineiro, nos tambores de minas, e no coração de homens. Aqui, o que se chamava homem, também se chamava sonhos… E os sonhos não envelhecem.

Valor: R$ 33,00 (em média)

35 ANOS DE UM CLUBE E SUAS ESQUINAS

Brasil, Minas Gerias, 1972. Artes. Chega ao mercado um álbum duplo, na capa, a foto genial do Cafi, dois garotos de cócoras à beira de uma estrada de terra. Fotografia que traz em si um raio-x do cenário rural esquecido no tempo. Nas 21 faixas que moldam o álbum, toda a sutileza, requinte, riqueza, e particularidades de Minas têm para mostrar ao mundo. Jovens inquietos fizeram de seus sonhos, esperanças e anseios de justiça social, música e poesias, e, assim, transformaram de seus corações e devaneios sua arma branda com cheiro de paz e desejo de um futuro bom. Canalizaram tudo que absorviam em 21 pérolas mágicas, 21 pequenos universos musicais, 21 odisséias, 21 vidas próprias que nasceram para germinar mais vidas. Registros fiéis de um momento conturbado da vida social e política no país, mas, ao mesmo tempo, fiéis aos sonhos e inquietudes de seus jovens corações.

Milton Nascimento mostrou ao mundo a voz de Deus se este cantasse. , com a sua genialidade sonora, tocou a alma destes “homens sórdidos”, Márcio Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos traduziram em palavras todos os sentimentos do mundo. Cafi registrou com sua objetiva cada detalhe desta jornada. Beto Guedes doou seu talento infindo em acordes bárbaros. Ainda Eumir Deodato e Wagner Tiso montaram, desmontaram e brincaram de cientistas malucos reconstruindo formas narrativas completas, em orquestrações majestosas, como transmutar em música sem descaracterizar na forma original que foram escritas. Nelson Angelo, Toninho Horta, Robertinho Silva, Novelli, Nivaldo Ornelas, Tavinho Moura abusaram de suas genialidades, chegando ao ponto da perfeição. Mãos de Ruy Guerra, Ana Terra, Caetano Veloso, Chico Buarque, Murilo Antunes, Mauricio Tapajós, Maurício Maestro, Pacífico Mascarenhas, Noguchi, Kélio Rodrigues, Stilf, Lizzie Bravo, José Antônio Perdomo, embarcaram nesta nave chamada “Clube da Esquina”.

Em comemoração dos 35 anos do Clube da Esquina, uma série de reportagem sobre o clube e suas esquinas.

Mais informações:
Museu do Clube da Esquina


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