Arquivo para maio \02\UTC 2007

MEMÓRIAS DE SONHOS QUE NÃO ENVELHECEM

Em comemoração aos 35 anos do Clube da Esquina, abre-se espaço para relembrar alguns shows. De início, um dia que não se traduz em palavras.

(OU SEGUNDOS ETERNIZADOS DO SHOW DO LÔ BORGES)

Era 10 de dezembro de 2004, lembro-me perfeitamente, e como poderia esquecer. Alguns detalhes, talvez, fugiram da memória, mas os momentos mais profundos continuam. Como olhar uma fotografia e relembrar todos os instantes que eternizaram aquele segundo. Aliás, uma fotografia nada mais que isso, um segundo eternizado. Neste dia, milhares de segundos eternizados se enraizaram em meu peito.

Como dizia, era 10 de dezembro de 2004. A música sempre morou em mim, lembro-me de detalhes da infância, que sempre estão ligados à música. Quando descobri o “Clube da Esquina” era apenas uma criança, desde então amei profundamente cada acorde deste movimento. Nesta data, pude pela primeira vez ver o Lô Borges ao vivo.

Teatro Municipal de Santos, 21horas.

Duas horas de show. Mágico, palavras se ecoam em excessos ou em falta para descrever este concerto. Bárbaro seria pouco. Não digo isso com os ouvidos de fã, mas pelos olhos de expectador que, além de se emocionar, vê toda a platéia em eufórica excitação e os olhos cheios d’água.

Confesso que cheguei atrasado. Perdi cerca de três minutos do concerto. Mas cheguei a tempo de ouvir a primeira música. Era um espetáculo mais intimista. Lô e violão, mas nada, além da iluminação do palco. E foi a festa para quem ama “os mineiros”. Depois da primeira hora de show, moderado entre música e “causos” ilustres, a hora seguinte foi seguida por pedidos vindos do público. Maravilha em estado bruto, pura contemplação.

Alguns “causos” famosos, como o início da amizade entre Lô e Beto Guedes, a famosa história da patinete de madeira branca, a dívida que o Beto cisma em dizer que nunca foi paga. O Amor pelos Beatles misturado com a Bossa Nova. O dia que ele conheceu o Bituca, o início de tudo, como algumas canções foram feitas, as novas parcerias. Como bom mineiro, o Lô falava calmamente e de tom quase sussurrado. Era um dia mágico.

Findo o show, ele dirigiu-se à sala de recepção do teatro, a qual daria autógrafos. Estava eu com o último álbum dele nas mãos, indagando-me por não ter levado capas dos discos antigos, ainda em vinil, e o livro “Os sonhos não envelhecem”, do Márcio Borges. Mas, ao chegar minha vez, redimi-me. Foi breve. Menos de um minuto, como quase tudo que muda uma vida. Olhei para o Lô, com os olhos cheios de lágrimas e disse: “Lô, te amo”, ele me olhou, sorriu e disse: “Enxugue estas lágrimas, meu amigo. Qual seu nome?”, respondi: “Eduardo”. Ele continuou: “Oh! Meu amigo Eduardo, viva o som, viva a música”. Ele se levantou e me abraçou, disse, agora em tom mais baixo: “Você me fez ganhar o dia”. Sai misturando lágrimas com sorriso. Chovia uma leve garoa. Nem me importei, estava nas nuvens.

Na cabeça ecoava: “Por que se chamavam homens/Também se chamavam sonhos/
E sonhos não envelhecem”

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