Fernando Gabeira – Hóspede da Utopia

Hóspede da UtopiaHóspede da Utopia, Fernando Gabeira (Editora Nova Fronteira; Rio de Janeiro; 2º edição; 216 páginas, 1981). Escritor, jornalista, político (atualmente deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro),fotógrafo, iniciou sua carreira como jornalista no Jornal do Brasil (1964 – 1968). Ingressou na luta armada contra a ditadura militar, responsável, em 1969, pelo seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, posteriormente, preso, torturado e finalmente, exilado (em troca pelo embaixador alemão). Acompanhou de perto o golpe militar que derrubou Salvador Allende, no Chile, após, tal golpe, passou a viver na Europa (Suécia). No final dos anos 70, participou do tribunal Bertrand Russel, que investigou os crimes da ditadura brasileira.

Com a anistia política, voltou ao Brasil, e iniciou sua carreira de escritor, com o best-seller, “O que é isso companheiro” (1979, Cia. das Letras), que narrava o episódio do seqüestro do embaixador americano. Em seguida lançou “Crepúsculo do Macho” (1980, Guanabara), e “Entradas e Bandeiras” (1981, Codecri), relatando como vivera exilado, e sua volta ao Brasil.

Em Hóspede da Utopia, a cena central é o término de uma relação marcada pela rotina, em fragmentos de cartas, lembranças do passado, viagens, e ligações telefônicas, resumidamente, em retalhos de comunicação, vai se costurando todo o enredo, que da mesma forma que começa, termina, deixando uma sensação incompleta, ou até mesmo, um desejo em saber se tudo acabará bem. Quem já esta acostumado com a forma com que o Gabeira escreve poderá pensar que se trata de mais uma de suas histórias reais, embora o mesmo deixe bem claro, no início do livro, que este trata-se de uma obra de ficção. Impossível, ainda mais para quem conhece a figura pública do Fernando Gabeira, ao ler o livro não imagine que muitos fatos narrados possam ter sido vividos.

Após o término de uma relação, que julgavam ser para sempre, o narrador, um antropólogo, narra sua vida, como a um recomeço, tentando dar continuidade, assim que Luisa o deixou, partindo para Nova Iorque. Em várias cartas, telefonemas à ex-namorada, misturado ao presente (do narrador), e seus devaneios ao passado, e claro com Luisa, toda a trama é desenhada, horas como uma aventura, despertando desejo ao leitor em seguir estes passos, horas em solidão e saudades.

O livro, sem ter pretensão alguma, ocupa uma lacuna na literatura brasileira – literatura jovem. Sendo ou não uma ficção, “Hóspede da Utopia” remete a um período conturbado da juventude no Brasil, que acabara de descobrir a liberdade política, ainda perdidos com tantas ideologias, ou falta de uma. Assim, brutalmente Gabeira termina o livro, ensaiando para o futuro ainda incerto, e impresso em suas páginas a vontade de mudar, não apenas o mundo, ou o país, mas sim, mudar a mente e o coração, abrindo-os para o novo amanhecer.

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