Ao mar, sem fim

As ruas levam para portos desconhecidos. Rostos familiares rodeiam as vistas cansadas. O céu, de tão azul e infindo, trouxe tranqüilidade e harmonia aos descendentes da paz roubada. Momentos eternizados em segundos sagrados do seu peito frágil e dotados de admiração bela ao te ver sorrir. Vagam, como loucos, pelos subúrbios escuros das cidades desertas de amor. A vida, mesmo que de brincadeira, dera a luz que falta para colorir seus sonhos. Voe sem medo de voar, mas volte para onde nunca deveria ter partido.

Cinco vidas em suas mãos, cinco rotas de colisão à sua frente. Em frente, sem volta, sem desculpas, sem frescuras. Quase sem sono, com dor no corpo, como sempre ou como nunca. Seus suspiros mais audaciosos inspiram qualquer sonhador. E eu, que me fiz de sonhos, memorizo cada palavra dita calmamente do seu doce penar. Cinco vidas descritas em suas memórias extraordinárias. O mundo inteiro, como uma orquestra dodecafônica, parou ao passo que suas rotas afastavam. Vá por onde ninguém ousou ir. Mas volte o mais rápido que puder.

Das poucas coisas que me lembro, remonto em minha cabeça o seu sorriso, a forma como fechava os olhos e abria os lábios, o som agradável do seu riso puro, a maneira como seu cabelo se comportava ao balançar a cabeça. Lembranças opacas que perderam a forma, perderam a razão, perderam a maneira exata que me fazia lembrar. Fotos antigas enfeitam minhas retinas. Como em uma metalinguagem cinematográfica, te vejo bailar registrada por uma Super-8. Projetada na parede da sala, ao som do projetor e das suas gargalhadas. Saudade. Saudade. Saudade.

Onde habitam os sonhos? Quantas cores há no arco-íris? Quem controla o vento? Quem ordena a vida? Quantas estações ainda estará longe? Quantas primaveras há no seu sorriso? Em que lado o Sol se levanta? Quantas vidas restam para entrar em sua vida?

Há quem duvide das movimentações ocultas que regem o mundo, coisas tais que chamam de destino. Há quem duvide do amor. Há quem duvide de tudo, só pelo prazer em duvidar. Mas há (e ainda bem que existem) os que acreditam em tudo isso, e esperam, pacientemente, pelo momento exato, pela hora cheia, pela estrela que iluminará os dias. Há aqueles que choram ao ler um poema, ou ao ver um filme, ou ao ler um livro. Há aqueles são guiados pelos sentimentos. Para estes, não há nada mais belo, mais rico e único que um pôr-do-sol.

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