Bem-vinda. De volta? Até já!

Vejo as cenas dos próximos capítulos como a uma repetição dos episódios anteriores. Parece que nada de novo acontece nos cotidianos dias que passamos. Querendo ou não, meu amor, a vida continua, mesmo que de forma lenta, a correr pelos longos e duvidosos desfiladeiros. Quando ouço no rádio a nossa música parece que o mundo pára. Ou será que sou eu?

Vejo as velhas folhas amarelas a qual escrevia frases soltas, coisas que você costumava chamar de poemas. Li, reli, voltei a ler por horas e horas tentando descobrir o que teria escrito. Por que me torturo assim? Sei que não voltas, e mesmo se voltasse será que seria como sonhamos um dia? Sonho louco de duas pessoas que se tornavam um. Um. Dois, dez, dez milhões. Somos todos iguais. Ás vezes iguais até demais.

Abri suas cartas, seus recados, seus bilhetes, seus suspiros, sua alma. Li, não venha me falar de semiótica, idiotices, cafonices, de filmes água-com-açúcar-roliudianos. Não venha com todo os seus altos-e-baixos, seus sentimentos-sem-sentidos, ou com a cara-de-pau em falar de amor. Quem é você para cuspir no prato raso do amor? Quem sou eu para imaginar que um dia seríamos um, dois, dez, dez milhões, mesmo sendo todos iguais. Imaginei que seríamos diferentes dentro das nossas diferenças. BABAQUICE.

“Pra mim, chega…”, terminava o bilhete de adeus do Torquato Neto. “Para nós, chega”, mas chega perto, chega junto ao meu ritmado coração cansado de esperar horas a fio pelo seu telefonema, ou carta, ou pedido de desculpa, ou convite para irmos ao cinema, ler o último livro de 20 anos atrás que nunca lemos, de ser pego de surpresa com flores no trabalho enquanto penso como resolver um “grande problema”. Problema mesmo foi quando foi embora, e até agora não sei como resolver. Talvez resolva quando voltar, talvez piore de vez. Talvez tivesse problema antes, mas o meu egoísmo extremo, ao ponto de querer ajudar, não me fez ver o ponto que chegara. “Para mim, chega, mas chega perto, bem perto de mim…”.

Ás vezes, a dor é tão forte e profunda que não sei se sinto dor ou saudade. Outras imagino que nunca houve, mesmo existindo tão profundamente em mim. Em mil. Em um milhão de coisas que faço, penso, procuro… lá está você, vinda do alto, de tal forma que acho impossível desassociar sentimento e sentido do seu nome. Às vezes, perco o nome, perco o sono, perco cabelo, tempo, lágrima em torturantes agonias. E você disse que me deixaria para que eu pudesse ser feliz. Ironia? Destino? Chamo de saudade.

Enquanto espero o trem que vai me levar para longe, ou para o seu regresso, você ganha o que nunca quis ganhar.

Seja bem-vinda. Em mil, em um bilhão em partes de mim.

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2 Responses to “Bem-vinda. De volta? Até já!”


  1. 1 Cammy março 21, 2008 às 7:58 pm

    é dificil deixar de viver do passado quando a gente acha que algo não terminou e que jamais deveria ter terminado. mas é complicado viver do ontem quando tudo o que queremos é o agora e o amanhã.
    dor e saudade andam juntos pq sentir saudade é, de certa forma, doloroso. o que aconteceu não vai se repetir, não como deveria ser repitido e por mais que nos doa entender e aceitar isso, ficamos imóveis a espera de um sinal que nos faça voltar a caminhar.
    eu realmente adoro entrar aqui e ler o que vc escreve poirque em muitos dos seus posts eu me enxergo.
    feliz páscoa, chuchuuuuu!!!!!

  2. 2 Grazi novembro 12, 2008 às 1:54 pm

    Eu queria dizer que….
    é dificil esquecer coisas que marcam tanto e um dia, depois de algo que não devia ter acabado, você tem uma surpresa de saber agora de coisas ainda mais profundas sobre aquele tempo..que não volta! E você vai olhar, ouvir, vai sentir tudo aquilo novamente como se fosse hoje..só que a vida muda, os rumos mudam e não há nada que se possa fazer para voltar atrás. O jeito é lembrar com carinho, ter aquela saudade boa e olhar pra frente, viver o presente pensando no presente…pensar no futuro não dá porque a vida é uma caixinha de surpresas e de tantas vezes lembrarmos do passado ou tentar viver o futuro, não aproveitamos o que está na nossa frente e perdemos boas oportunidades de sermos felizes!


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