Torre de babel às avessas

Para muitos, o episódio político-jurídico da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol esconde uma disputa econômica, aos moldes de um sistema esgotado de exploração dos oprimidos pelos mais fortes. Grandes corporações esmagando tribos de índios, localizada em um país subdesenvolvido, a qual as questões de propriedade da terra ainda são lavadas com sangue, lagrimas e suor.

Para outros, a trama é centrada na busca do lucro desenfreado do bilionário setor do agronegócio. De grupos de empresas que invadem terras e se apropriam de nascentes, rios e reservas de minérios. Opressão de um poderio econômico acima do bem e do mal. De eliminação pessoas ou organizações que tentam levantar a voz contra a tirania dos percentuais alcançados nas bolsas de valores.

Porém, há quem entende que os índios assentados pelo decreto presidencial colocaria em risco as divisas internacionais brasileiras. Ou que os herdeiros dos primeiros habitantes do país são “civilizados”, com isso as demarcações de terras seriam mero oportunismo.

Contudo, um outra visão está distante dos holofotes da imprensa e das opiniões até então emitidas: as riquezas da diversidade cultural e étnica das culturas indígenas.

Palco de lutas, que se estendem por mais de trinta anos, o território contínuo de um 1,6 milhões de metros quadrados, localizado no nordeste do estado de Roraima, abriga mais 164 aldeias, em uma população estima com mais de dezenove mil índios.

Com a exploração colonizadora da colônia portuguesa, os primeiros habitantes do Brasil evadiram para as áreas mais remotas de nosso país continente. Em nome do progresso, cinco séculos depois os remanescentes da cultura tipicamente tupiniquim assistem suas tradições milenares ameaçadas em detrimento do lucro inflacionário de senhores feudais do agronegócio.

Neste campo de batalha, a disputa é entre gigantes do capital contra culturas milenares. No Superior Tribunal de Justiça as terras – embora de preservação ambiental e de valor inestimável em minérios – são as menores parcelas em discussão. O cenário é uma trama de intrigas e informações desencontradas favoráveis ao grupo dominante. Uma luta desigual (e desumana) de uma minoria étnica para manter seus costumes e heranças culturais. O maior prejuízo em risco é a perda das riquezas humanas, pois a cada cultura submergida, parcela da humanidade se esvai. É uma torre de babel às avessas.

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