E o medo exagerado do futuro

Imaginei seu rosto em um dia de desespero. Saudade consumia-me em fragmentadas dores de um passado recente. Seu perfume ainda refresca minha memória. Momentos antes do desespero, vi seu rosto sorrindo aquela risada que sorria quando aprontava. Vem, mas com coragem de mudar a vida, os pecados, as dores, a saudade. Vem prender-te em meus braços e perder-se em meu corpo. Vem que eu te quero toda em mim.

O instante de te ver me custou chagas de uma vida. Eu vim para não morrer. As marcas que ficaram, das chuvas que apaguei, das dores que curei, dos traumas que me livrei. O escuro a procurar a luz que a sua falta trás. Não me encontro mais sozinho com a minha solidão. O silêncio me devora aos poucos. É tudo ao mesmo tempo dentro do meu dilacerado coração. O tempo não existe. Existe e devora-me em tantos trechos esquecidos. Citações anotadas em pedaços de papel, em guardanapos. Em frangalhos, reergo-me em vitórias perdidas e batalhas não iniciadas. Do passado aprendi a ter medo do futuro.

A cada segundo me despeço da vida. Como a todo mundo, a cada instante deixamos um pedaço da existência para trás. Um passo para o fim. Sei que muita coisa é possível e provável, mas não luto contra a ordem natural. Apesar de muito, tudo leve. Tudo jaz. Tudo mais. Chorar de amor para mim é quase morrer. Saio para nunca mais voltar: em ti! Em mim. Eu sou um sonhador. Sonho a dor. E você?

Como num trapézio sem rede, eu me lanço sobre o mundo, ao rumo de seus olhos castanhos. Fecho os olhos e te vejo nítida. Anseio o dia que, com o refúgio dos meus sentidos, acorde sobre seus cálculos viciados sempre com a mesma solução ilógica. Desculpa se fiz das últimas noites fogo a consumir-me por inteiro, no ápice do inverno em agosto. Ainda guardo na memória o gosto doce dos seus abraços.

Meu rosto pregado antes que eu me esqueça de tudo que eu deveria esquecer. Vaga idéia sobre os passos maquinais. Dos dias todos iguais. A hora que não passa, a saudade que não cessa, a dor que consome aos poucos. No pátio interno de meu ser, peço e imploro para que fale comigo. Eu quero que você me aqueça neste inverno, neste inferno que engole com chamas os restos de que sobraram de mim e ficaram expostos em caos.

Eu tenho os dias contados, então mantenha distância de meu coração. Com os pés sujos de lama e a roupas rasgadas somos mais sinceros. Todos iguais dentro de suas diferenças herméticas. As pessoas são os lindos problemas que enfrentamos diariamente. Em frente, adiante, enquanto os outros se arrastam eu prefiro sumir. Olho meu rosto cansado no espelho e depois vou dormir entre as cores escondidas de suas retinas. Por de trás do rosto esconde uma contradição de sentimentos irreais e imaginários. Do outro lado há você.

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1 Response to “E o medo exagerado do futuro”


  1. 1 Deborah Viana outubro 12, 2008 às 2:46 am

    Oi Edu!
    Vc me parece ser um cara sensível e sobretudo romântico…rs Lindas palavras, adorei. Vou estar sempre por aqui procurando novidades…Beijos.


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