Memórias de um novo amanhecer

O vento sempre sopra com mais força para quem não está acostumado com o inverno. Mesmo não estando em perigo, quero que você me proteja deste inferno, me aqueça neste inverno abismal que a sua falta me faz.

O tempo passa depressa demais para quem tem pressa em colher o novo. Embora sua retina ainda registra os meus devaneios mais inesperados, sinto um vento tocar minha face. O frio que premeditava abraçou meu desespero. Talvez seja a sua falta a inebriar meus sentidos.

Sem tato ou paladar, tudo fica mais cinza, mais triste, sem graça e sem cor sem seu abraço e palavras para dividirem o pouco que sei. Não sei o que mais me faz falta, se é seu toque em meu cabelo ou a falta de sua imagem cristalina em minha mente.

Enquanto tento esquecer palavras e gestos virtuais, uma flor de plástico e uma foto de um passado distante enfeitam a escrivaninha; a qual escrevo relatos, recados e pecados em seu nome. Então, você me diz que ser feliz de fato é inaugurar o passado. E quem pode comigo quando eu digo tudo o que sinto?

É sorte saber de tudo o que se passa. Eu não sei de você, mas acho que foi sem querer. A entrega que fizemos, os passos que colidimos. Céu, sol, girassol. O silêncio e eu olho para a janela: a música é ela. Pois toda mágoa, lágrima ou sorriso só fazem sentidos sendo amparados pelos seus olhos meigos e encantadores.

E a agonia de viver se torna mais sutil sendo aparado pelos seus braços. Carinhos que à noite, mesmo cansados, recolhem meus pedaços e abraçam meus pecados ao torno de ti. Meus pedaços tão cansados que mal conseguem suportar a barra de viver sem você.

Enquanto caio de uma altura imensurável que é o amor, na queda, observo o passado como uma repetição do futuro. Em um mundo em que milhões de imagens explorem, um minuto de silêncio é um alívio momentâneo às dores de outrora. Mesmo não estando em perigo, quero que você proteja meus olhos cansados de te esperar. Mesmo em um abrigo, quero estar contigo quando a chuva chegar.

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3 Responses to “Memórias de um novo amanhecer”


  1. 1 marcus vinicius batista outubro 28, 2008 às 2:46 am

    eduardo,

    texto poético, sofrido, exposto. gostei bastante. apenas lamento que seja autobiográfico, pois é de alguém que sangra por demais. por outro lado, este texto é parte do processo curativo. quando o remédio desinfeta, arde. grande abraço!!!

  2. 2 ... novembro 4, 2008 às 12:40 am

    Belas palavras.. sempre.


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