Memórias de um tênis surrado

Um tênis surrado marca o ritmo da primeira melodia a encher de vida, luz e emoção o Teatro Coliseu, na noite de quinta-feira (6). Aos poucos, o sotaque mineiro e a música influenciada por Beatles, bossa nova e jazz se misturam em um universo paralelo criado por Lô Borges. Em quase duas horas de show, mesclando antigos e novos sucessos, três gerações de fãs se emocionaram ao cantar em coro as canções que marcaram sonhos, vidas e amores.

Com mais de três décadas de carreira, em plena forma, o cantor mineiro entra em turnê de seu último CD e primeiro DVD (Intimidade, Som Livre, 2008). No mini-documentário musical, os maiores sucessos do sócio-fundador do Clube da Esquina são interpretados de forma intimista para um seleto grupo de fãs. A vida e obra do compositor são expostas por meio de seu cotidiano, entrevistas e depoimentos em tons informais.

Da mesma forma, Lô entoou 19 sucessos presentes nos nove álbuns solos e três em parceria com outros artistas mineiros. Desde o antológico Clube da Esquina (EMI, 1972), divido com o Bituca, até o mais recente trabalho Bhanda (independente, 2007). Em tom mineiro, moderando entre “causos” ilustres e pedidos da platéia, Lô demonstra a simplicidade e a magia musical oriunda das montanhas das Gerais.

Foi justamente ao cantar uma parceria com a nova geração – Dois Rios (Lô Borges, Samuel Rosa e Nando Reis) – que um sol nasceu entre as montanhas mineiras, devidamente costuradas em retalhos, que enfeitavam o palco semi-iluminado do teatro santista. No refrão de seu último sucesso radiofônico, interpretada pelo eterno parceiro Milton Nascimento – Quem sabe isso quer dizer amor (Lô e Márcio Borges) – que as lágrimas correram a face do músico mineiro. No bis, aclamado, Lô marca com o pé o compasso para entoar, com a emoção da platéia, as frases “Porque se chamavam homens/ também se chamava sonhos / E os sonhos não envelhecem” – Clube da Esquina nº2 (Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges).

Há 35 anos, um outro tênis surrado e cheio de lama – que ilustrou a capa de seu primeiro disco solo (Lô Borges, 1972) – marcou a passagem do garoto Salomão Borges Filho (de 17 anos) em um dos maiores compositores brasileiros. Na contra-capa do álbum, explicava que a escolha do calçado desprendia uma imensa vontade de “cair na estrada” e conhecer o mundo. Algumas voltas depois, Lô é capaz de recriar um universo por meio dos acordes de suas composições.

Set-list
Feira moderna
Quem sabe isso quer dizer amor
Tudo em cores para você
Clube da Esquina N.º2
Segundas mornas intenções
Dois rios
Clube da Esquina N.º1
Força do vento
Tudo que você podia ser
Qualquer lugar
Nuvem cigana
Um dia e meio
Equatorial (violão e guitarra)
Sonho Real (violão e guitarra)
Cordão de ouro (inédita)
Um girassol da cor de seu cabelo
Paisagem da janela
Trem azul
Para Lennon e McCartney
Clube da Esquina N.º2 (Bis)

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1 Response to “Memórias de um tênis surrado”


  1. 1 Grazi novembro 12, 2008 às 4:34 pm

    Essas músicas são uma parte da minha infância =)
    bjs


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