Arquivo para dezembro \23\UTC 2008

Fugas

Eu me escondo no escuro do mundo.
Rumo aos seus olhos castanhos.
Estranhos enganos.
Calo-me em um segundo.
Guiado pelo criado-mudo
Escuto: silêncio!
Sinto forte o cheiro do vento vir.
Volta você do alto, voando baixo.
Por perto. Peito aberto. Vento vem seguir!

Eu me escondo do medo.
Do tempo.
Guiado sem paz.
Água!
Areia!
Ar!
Céu!
Mar!
Quando meus olhos menos esperavam, anoiteceu.

Escondo-me do medo perdido,
no espaço vazio esquecido.
Nos livros, festas e fantasias,
No exato momento que perdia a alegria.

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Tudo que é sólido derrete no ar

Sentimentos nublados por cicatrizes não curadas e tentativas desconexas de me reencontrar. Por mares nunca dantes navegáveis, tateio a monotonia dos dias maquinais. De longe, apenas o universo em expansão a acompanhar virtualmente meus suspiros abandonados ao acaso. Por descaso, deixo que marcas do passado conduzam a incompreensão da angústia lapidada em palavras e frases.

De concreto, apenas a incerteza latente que amanhã tudo recomeçara: como voltas concêntricas e retorno ao lar. Imprecisos sempre foram minhas decisões. Meus passos que colidem ao acaso dos astros vagabundos. Vida vista por outra ótica. Saudades com sabor amargo. Marcas no rosto e um gosto salgado na boca. Equilibro-me à beira de um abismo. Largo, fundo, interminável. Quem sabe caio, quem sabe vôo, quem sabe vou. Vou-me embora para nunca mais voltar em mim.

Deitado em asfalto molhado, a neblina desvia minhas vistas cansadas do tédio e apatia. Fazer forças para conseguir pensar em algo que nem mesmo sei prover, provar, tentar. Fora de estação, inverno se mistura ao verão que e anuncia em poucos dias. Caóticos sentimentos desencontrados e uma revolta intermitente de reinaugurar o passado. Volte voando, vindo dos céus.

Sem rumo, a menina que refletia de seus olhos agora demonstra que se perdeu por não aprender a dividir os seus medos e traumas. Apática, a chama que lhe enfeitava as datas mágicas agora se esconde sobre a maquiagem borrada e o abuso de álcool. Longe da confusão de fora, vaga entre desencontros e medos. Lágrimas pela dor de ausência.

Pensei no fogo, falei de dor, recriei o amor em mim. Uma claridade viva de uma mente sem lembranças dos fragmentos do passado. Ao mar sem cor, lanço a única memória envolta. Livrei-me de mim… Passos no porão da alma. Do outro lado, verdades derretidas em combustão estrelar. Tudo que é sólido derrete no ar. Ante a explosão, um momento de calmaria. Momentânea e desnecessária quanto uma imagem refletida no espelho. Linhas paralelas que se cruzam no infinito e além dos olhos comuns.

Marcas profundas

Enquanto o mundo se arrasta, nós nos mantemos presos em milhares de feridas não cicatrizadas e momentos eternizados em nossas almas. A vida, vista de fora, parecia ser algo simples; tão comum quanto respirar. Não! Não me convide para beber seu veneno. Não tenha medo de entregar seus planos em outras rotas. Pedras em seus passos. Poeira vermelha sobre o céu de brigadeiro que não nos aguarda.

Espero o telefone tocar, como torço para que não me ligue. Contradições que se compõem em um enorme mosaico de sentimentos mensurados pelo tempo. Em relógios imprecisos, rotas de colisão e estrelas distraídas perdem-se em longas e intermináveis voltas concêntricas em um labirinto sem nexo, sem lógica e sem final. Nove pontas de uma estrela reluzente: azul. Noites de frio, manhãs melancólicas com cheiro de saudade. E você vinda do alto.

Busco em outras histórias pedaços esquecidos do passado. Em frente, apenas a lembrança dos dias que virão. Compro flores como se pudessem rever as rosas que enfeitavam um jardim que me marcou, em algum lugar estranho. Tudo é tão verde em seus olhos, que é impossível não enxergar pela sua clarividência. Justo quando me acostumava, o ar faltou. Fulminante como um raio em noite de tempestade, novamente o tapa brutal da dor.

Eu esperei tanto tempo por respostar para as perguntas não formuladas, que me deparei com a desesperança de ter perdido algo que nunca pude tocar. Mas, ainda havia mais a esperar. Os dias que passavam enquanto esquecia do tempo, os olhos que cansavam diante da penteadeira desabitada de sua fotografia. Resolvi desprender-me do período remoto que nos uniu. Na verdade, dias intermináveis.

Enquanto caminhava devagar pelas ruas da cidade deserta, você respirava fundo em novos planos e entregas. Do outro lado, dois mundos que se chocaram e que deixaram marcas profundas. Qual a palavra certa para descrever o que nos passa? Dor e saudade que e misturam a um gosto de sal na língua. Bem-vinda ao lar; guardo histórias embaixo do colchão para encher de alegria ao seu regresso em nós. Sobre a mesa vazia, o passado como sobremesa.


dezembro 2008
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