Tudo que é sólido derrete no ar

Sentimentos nublados por cicatrizes não curadas e tentativas desconexas de me reencontrar. Por mares nunca dantes navegáveis, tateio a monotonia dos dias maquinais. De longe, apenas o universo em expansão a acompanhar virtualmente meus suspiros abandonados ao acaso. Por descaso, deixo que marcas do passado conduzam a incompreensão da angústia lapidada em palavras e frases.

De concreto, apenas a incerteza latente que amanhã tudo recomeçara: como voltas concêntricas e retorno ao lar. Imprecisos sempre foram minhas decisões. Meus passos que colidem ao acaso dos astros vagabundos. Vida vista por outra ótica. Saudades com sabor amargo. Marcas no rosto e um gosto salgado na boca. Equilibro-me à beira de um abismo. Largo, fundo, interminável. Quem sabe caio, quem sabe vôo, quem sabe vou. Vou-me embora para nunca mais voltar em mim.

Deitado em asfalto molhado, a neblina desvia minhas vistas cansadas do tédio e apatia. Fazer forças para conseguir pensar em algo que nem mesmo sei prover, provar, tentar. Fora de estação, inverno se mistura ao verão que e anuncia em poucos dias. Caóticos sentimentos desencontrados e uma revolta intermitente de reinaugurar o passado. Volte voando, vindo dos céus.

Sem rumo, a menina que refletia de seus olhos agora demonstra que se perdeu por não aprender a dividir os seus medos e traumas. Apática, a chama que lhe enfeitava as datas mágicas agora se esconde sobre a maquiagem borrada e o abuso de álcool. Longe da confusão de fora, vaga entre desencontros e medos. Lágrimas pela dor de ausência.

Pensei no fogo, falei de dor, recriei o amor em mim. Uma claridade viva de uma mente sem lembranças dos fragmentos do passado. Ao mar sem cor, lanço a única memória envolta. Livrei-me de mim… Passos no porão da alma. Do outro lado, verdades derretidas em combustão estrelar. Tudo que é sólido derrete no ar. Ante a explosão, um momento de calmaria. Momentânea e desnecessária quanto uma imagem refletida no espelho. Linhas paralelas que se cruzam no infinito e além dos olhos comuns.

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1 Response to “Tudo que é sólido derrete no ar”


  1. 1 Ana Paula dezembro 20, 2008 às 12:00 am

    tu escreve tão bem, du.
    =]


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