O côncavo e o convexo

Sempre os meus erros primários e pecados insólitos sobre a mesa. A confraria dos covardes, a batalha dos derrotados. Sobre o chão, restos de uma noite sem sono e a tortura angustiante a embaçar as vistas cansadas dos desesperos comuns. De real, apenas uma história de amor inventada e tortuosas horas de prazer e acalanto. Eu te vejo pelos cantos escuros da alma em estado de calmaria provisória aos desatinos provocados pela incompreensão. Paz, amor e recomeço a exorcizarem a tempestade de sentimentos que teve início há poucos dias. Contados nos relógios, meio século de evolução cármica.

Do outro lado do hemisfério, seus olhos enfeitam o mundo. Sobre o globo, caminha tranquila pelas ruas e alamedas das cidades em chamas. O mundo, quase que por encanto, esqueceu de me avisar que tudo não passou de um devaneio vespertino, ou uma história combinada e espalhada pelos quatro cantos. Real, imaginário, virtual ou embrionário: o que sei é que esqueci de me lembrar do que não poderia duvidar. Quem sabe, o amanhã me surpreenderá com mais uma história incompleta neste caleidoscópio fantástico e irreal.

Em minha confusão, sentimentos esparramados pelos cantos. Janelas e portas que se abrem para o desconhecido inerte em cinco sentidos e quatro pontos cardeais. Vistas encobertas pela incerteza latente dos que temem a paz derradeira e a felicidade completa, negociada em pegue-e-pagues espalhados em esquinas vulgares de cidades vazias. A única certeza é que nada de concreto passa imune por rotas alteradas. A vida, meu caro, era uma repetição de cenas sem nexo, num imenso mosaico multicolor. Alguém nos cosmo deve se divertir com as investidas equivocadas dos marinheiros inexperientes defronte ao imenso mar do amor.

A poesia é um vício: a podre corrupção da falta de poder. A arte é a fantasia da alma, enquanto se embriaga pela escassez de sentimentos convictos e puros. Toda poesia é uma mentira. E as mentiras me fazem viver. Será que existe vida inteligente diante minhas retinas, ou dentro delas. Livros e filmes empilhados sobre a memória cada vez mais rarefeita. Sobre o mundo, seus olhos castanhos me mostram estranhos caminhos inexplorados. Tudo de pernas para o ar; côncavo e convexo fundem-se em um ponto abstrato no infinito inseguro. Vida vista de fora; em estações fora do ar… Pelas as esquinas do mundo a fora, aflora a dor. Sem você, tudo fica fora do lugar. Se há, sei lá!

Procuro o resto de uma lucidez inexistente. Nada. Fecho os olhos e espero o grande inverno da Rússia. Girassóis que não procuram a luz e refrões de bolero que não rimam amor com dor. Felicidade não combina com a realidade. Pontos que não convergem no infinito opaco de suas palavras frias. Vejo seu rosto em gélidas galerias; nos cinemas; em páginas coloridas dos jornais. Eu sempre escolhi bem as palavras, mas hoje eu não sei o que pensar. Talvez por falta de sorte, talvez por falta de repertório, talvez pela ausência em mim em mim.

Hoje, vou fugir de casa, desfigurar a falta de coragem em escolher outros caminhos. Hoje, irei esparramar resíduos do passado em vultos que se multiplicam refletidos em um espelho a me mostrar o que nunca fui. Em repetidas cenas, o meu lado mais sombrio a me torturar em frases não ditas e o silêncio abstrato de suas palavras – duras palavras. Pelo caminho, pedaços de sentimentos triturados a contaminar velhas feridas não cicatrizadas. A paz derradeira tão longe de uma compreensão.

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3 Responses to “O côncavo e o convexo”


  1. 1 Márcio janeiro 6, 2009 às 1:37 am

    “De real, apenas uma história de amor inventada e tortuosas horas de prazer e acalanto.”

    De onde você tira uma frase dessas?

    Como sempre, uma porcaria.

  2. 2 jhn. abril 23, 2009 às 9:00 pm

    pra esse texto entaum .. sem comentários .. acho q meu silêncio falará mais do que mil palavras .. parabens .. abÇs ..

  3. 3 ENA FIGUEIREDO abril 19, 2011 às 1:19 pm

    amigo,esse sentir e’ todo depois que antes va-se o amor..
    amar e’ expandir-se,quase rasgar-se,e’ morrer e viver p morrer


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