Arquivo para fevereiro \02\UTC 2009

Aonde nascem os anjos?

Sonhos e malas desfeitos. Sobre a penteadeira, restos de um passado recente, que remete ao gosto amargo dos que ousaram desafiar a vida em duras batalhas desnecessárias. De exato, apenas a incerteza que nada será como antes. Como nunca foi e nunca será. Em vão, ao mar, fragmentos de vidas vistos pela rotina. Passos que caminham ao acaso, pelo descaso de suas retinas viciadas a enxergar apenas o que compreende como verdades. Meio-dia: guardo na boca o sabor amargo de seu corpo; na alma lembrança que nunca se apagarão por completo. Sísifo sombrio. Leve-me para longe e perto de ti. Leve-me agora para nunca mais voltar.

Por prudência, escovei os dentes e ouvi alguns discos no intuito de esquecer seu gosto, seu rosto, tudo que me deixava em paz. Lembranças que martelam e me deixam sem chão para executar tarefas rotineiras e comuns. Sem fôlego, atravesso em longos pensamentos os dias incertos, a pensar sobre os caminhos bifurcados que nos rodeiam. Se fosse diferente, oras, diferente seria. Nada mais duvidoso que os dias que se seguem depois dos temporais. Vida e morte; luz e escuridão; céu e inferno. Trajetos opostos, vidas cortadas ao meio e o medo de reinventar o futuro com gestos do passado. Por todos os lados, seus olhos me acompanham a me torturar. Sem dor ou saudade; apenas lágrimas condensadas em restos de esperanças projetadas. Uma paisagem tatuada na alma que me queima como chaga.

Esqueci os versos, os pecados e as redenções por te ver sorrir em um curta-metragem filmado em super-8. Passos ancorados no passado e a esperança de um futuro melhor estampada em letras garrafais e cores enigmáticas. Em negrito, vi seu nome grafado em muros espalhados pela cidade cinza. Sobre o mundo, uma breve lucidez deu vazão à insanidade imposta pelos padrões esquecidos e o amarelo do outono latente pelas palavras esculpidas em pedra-sabão. Em cima dos enganos tardios, a novidade consumia litros de saudade. Como pontes destruídas e malas desfeitas, em meu pensar, você corre livre em verdes campos cobertos de tulipas. Anjos nascem do escuro abstrato das palavras em chamas. Quentes e vivos versos como um quadro do século V. Vida!

No escuro, tropeçávamos em palavras distraídas.


fevereiro 2009
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