Arquivo de março \21\UTC 2011

Francielle

Dança o jardim ao sabor do final de verão. Em cenas repetidas, pede para que tudo volte aos bons tempos em que a infância ainda dominava as preocupações corriqueiras. A vida e seus mistérios: um segundo antes, a paz reinava entre os sorrisos encantadores. Um volta incompleta dos ponteiros, e o que era calmaria transformou-se numa engraçada tormenta. Meus velhos e inesquecíveis dias… Dá-los-ia apenas para ver-te sorrir, em câmera lenta, quadro-a-quadro, em plano aberto, amplo, infinito. Cinematograficamente.

O percurso das águas e seus afluentes. Se soubesse antes o quanto seria suscetível cada passo, teria antecipado o encontro derradeiro uns 300 anos antes. Ou mais, se possível fosse. Ah, seria sim. Tenho a certeza convicta dos visionários ou dos desmiolados. Uma clarividência autêntica, que me assegura seguir em frente mesmo diante da maior das tormentas. O acaso já se foi, restam-nos agora os melhores dias de nossa vida.

Dói-me tanto, e na alma, a sua mesmo que mínima ausência. Parte-me em milhares de pedaços infinitos a lacuna que se abre sem você. Falta tanta coisa quando não está por perto; nem olhar seu sorriso no porta-retrato satisfaz a sensação inebriante de ter sua voz a completar-se com o toque, seu olhar e seus mais despertos encantos.

Começo, meio que ingênuo, a entender que nem tudo que é sólido derrete. O ar que te vê flutuar não pode ser tão pesado ao ponto de deixar morrer a poesia, o encanto e a alegria plena. Tudo é infinito dentro de seus olhos azuis. O mundo e a vida têm a obrigação de serem assim, como seu sorriso: fácil e de infinitos encantos. A cada giro planetário, como suas ilimitadas graças, uma manifestação. Aquela saudade boa que nos leva aos tempos imemoriais. A memória seletiva a pregas as melhores surpresas.

Abrem-se as caixas de Pandora: vejo em alto-relevo seu nome em cada momento bom. Pode ser que amanhã você dance de olhos fechados sobre o vendaval ou cante a nossa canção e algumas lágrimas quentes rolem pelo seu rosto. Pode ser que sonhe colorido e antecipe o futuro ou me leve para o paraíso junto aos seus passos. Pode ser… E será. Com um sorriso nos lábios, fecho os olhos e as palavras de Vinícius de Moraes vêem-me à mente. “Não há você sem mim, eu não existo sem você”.


março 2011
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