Arquivo para dezembro \07\UTC 2011

O seu mundo

As curvas do tempo seguem sem deixar que malas desfeitas renasçam em sonhos feitos das cinzas herdadas dos passos errantes. Ao acaso, as horas seguem sem uma ordem conexa, assim como o brilho dos seus olhos a me lembrar da jornada diária. O labor maquinal serve apenas para poder aproveitar cada instante da primavera vindoura. Por mais que as noites frias intermináveis pareçam permanentes, os primeiros raios de sol da nova estação virão para nos brindar o começar de um novo ciclo.

Vejo seu aceno e a estrada a engolir, em velocidade máxima, a lágrima de saudade. Arrumar as gavetas bagunçadas e tirar pó da prateleira é fácil àqueles acostumados a seguir em frente, apesar de tudo (ou por causa de nada). Mas como reorganizar o caos que se fez com a sua ausência. Às vezes vejo a vida como a um reflexo em um espelho: por mais que a imagem se conceba perfeita, sei que se trata uma representação próxima daquilo que acostumaram a chamar de realidade. Isso me deixar pensativo e triste.

No entanto, quando você sorri sinto uma paz invadir-me por completo. Tudo faz sentido e sei a explicação do que se passa pelos meus os olhos. É o único sentimento a me faz calar voz e refletir que há uma força maior a controlar os invisíveis fios a manter o silêncio das estrelas. Nestas ocasiões enigmáticas, a vida se mostra muito maior que minha pouca Inteligência imagina supor. Apesar de sempre querer ter opinião sobre tudo, ao seu lado nem me importo sobre a constante expansão do universo. Nem mesmo se um dia o manto azulado dos cosmos poderá suprimir ao ponto de não mais existir. Como eu, você e a eternidade um dia.

São estas imagens fragmentadas que alimentam meus labirintos internos. Antes fosse Borges para traduzi-los de uma forma exata, segura. Sou apenas um narrador de sonhos desconexos, que nem conseguiu despertar a fim de impedir que o último botão de rosa caísse. Não sei o que mais me assusta, se é a vertigem ou a virtude: ambas me deixam entorpecido. Nestas datas, tenho a impressão que enxergo o futuro como uma clarividência viva. Depois volto à realidade e compreendo o pesar de meus atos distraídos. Sem a precisão das datas, tento jogar-me de cabeça diante do desfiladeiro. Às vezes saio vivo.

Alguns passos tímidos e distantes são seguidos em linhas tortas. Fotografias borradas, lembranças de momentos vividos e a interminável sensação do novo alimentam um lado que não sei classificar. Seriam valentias ou fugas incompreendidas? Como se fosse possível ter saudade do futuro disforme. Num segredo abstrato, via de passagem uma aquarela de momentos passados. Pintado em tons de azul e amarelo, sua fragilidade bela derreteu o gélido satélite em mim. E seu nome gravou-se para sempre no céu aberto. Ninguém, nem mesmo as rosas, tem cores mais vivas que seu sorriso.

Do passado sei quase nada. E nem me preocupo em saber. Sigo como que novo a cada dia. Um beijo e um adeus… definitivo. Não mais! Partir, chegar: são partes de uma mesma estrada incompleta. Sinto que está ao meu lado, mesmo quando minhas retinas cansadas não a conseguem enxergar. Percebo seu aroma tatuado em mim, assim como vejo todo o seu futuro, que nunca me escapará das mãos. Tenho os sentidos dormentes, o corpo cansado, a blusa suja, os cabelos cada momento mais rarefeitos e os dedos calejados. Mas tenho o coração puro e o raro desejo de mudar o mundo. O seu mundo.

Anúncios

dezembro 2011
S T Q Q S S D
« nov   jan »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Categorias

Acesso número:

  • 125,011 Páginas vistas.