Archive for the 'Descreva-me, por favor' Category

Bondinho do Centro: Uma viagem ao passado

A bordo do Bonde, o Centro da Cidade revela trechos da história que o tempo não apagou


O percurso dura em média 15 minutos, mas a
sensação é que o tempo parou por um instante

Os 1700 metros de linha férrea do bonde, no centro de Santos, revelam um pedaço da história esquecida nas páginas amareladas dos livros didáticos. Como uma volta ao tempo, em nossos olhos vão surgindo, aos poucos, edificações e cenas fundamentais para os desenlaces da formação histórica e política da Cidade e do País.

Em cima dos trilhos, esse meio de transporte fazia parte da paisagem urbana e promovia o encontro e a despedida do dia-a-dia. Os três bondes elétricos do Centro, reconstituições originais de 1920, funcionam como uma máquina do tempo. O uniforme impecável do motorneiro e dos cobradores, somado com a conversa informal na Praça Mauá antes do início do passeio, nos remetem às décadas passadas.

Do último bonde que circulou em Santos, em 1971, até a inauguração da linha turística em 2000, longos caminhos foram traçados. A luta do cidadão José Carlos Vieira da Cunha, para manter o serviço na cidade, momentos antes da desativação, originou o monumento na Praça Mauá, chamado de Parada Buck Jones. É lá que dá início à viagem.

Após a primeira curva, avistamos as árvores centenárias da Praça Rui Barbosa. Ao fundo, a Igreja do Rosário. Pela Rua do Comércio a dentro, iluminada por réplicas de postes do início do século passado, o contraste arquitetônico moldura a paisagem do tempo áureo do café.

As marcas do tempo são visíveis na Casa da Frontaria Azulejada. O que restou da construção original, de 1865, abriga hoje o mais novo espaço cultural da Cidade. Ao final da rua, o Santuário do Valongo, em estilo barroco, ostenta a beleza e a simplicidade que a fé a capaz de impor. Ao lado, a Estação Valongo, que por mais de cem anos foi a principal porta de entrada da Cidade. Em frente, as ruínas do Casarão do Valongo, mostram a imponência da oligarquia cafeeira e as marcas do tempo.

Maior parte das belezas do trajeto teve seu ápice na época do café. A antiga rua da Praia, atualmente a Tuiuti, com suas janelas voltadas para o mar, abriga, uma das construções mais antiga da cidade, o Palacete Mauá. Ao lado, no estilo neo-clássico, a Bolsa do Café: com três fachadas independentes: uma na Rua Frei Gaspar, torre voltada para a Praça Azevedo Júnior e pórtico da entrada principal na Rua XV de Novembro. Com mais de duzentas portas e janelas, em cerca de seis mil metros de área construída, foi criado para abrigar a principal Bolsa de Café e Mercadorias do mundo, pois na época Santos era a maior praça cafeeira do planeta.

Na parte final do trajeto, avistamos a Praça Barão do Rio Branco, e o monumento a Cândido Gafrée e Eduardo Guinle, responsáveis pela construção dos primeiros duzentos metros do porto de pedra. Em frente, o Conjunto do Carmo e Pantheon dos Andradas remetem ao período do Brasil Império.

No último trecho, o antigo curso do rio Itororó, imortalizado na cantiga de infância, a sede dos Correios e o Paço Municipal. No alto, a imagem cinematográfica do Monte Serrat.
Os bondes deixam de trafegar na cidade em 1971. A justificativa é de que eram lentos, atrapalhavam o trânsito e eram incompatíveis com a modernidade. De volta à praça Mauá, cantarolando Caetano Veloso: “Bonde de trilhos urbanos vão passando anos”; voltamos ao nosso tempo.

Em detalhes:

Praça Mauá
A Praça Mauá é o ponto de partida do passeio. O nome “Parada Buck Jones” é em homenagem ao Sr. José Carlos Vieira da Cunha que, na época de desativação dos serviços de bonde (1971), defendeu a manutenção do serviço.

Rua do Comércio
Construções modernas convivendo em harmonia com a arquitetura colonial. A rua tornou-se uma ponto de referência da vida boêmia da cidade, inspirada no Puerto Madero, em Buenos Aires, Argentina.

Frontaria Azulejada
A Casa da Frontaria Azulejada foi construída em 1865, em estilo neoclássico, tem como característica marcante os azulejos azuis e amarelos portugueses em alto relevo confeccionados a mão.

Santuário do Valongo
O altar do Santuário do Valongo, em estilo colonial-barroco, foi desenhado especialmente para o local e mostra a Santíssima Trindade. Uma porta giratória possibilita a mudança de imagens, quando surge o Jesus Cristo com a bandeira da paz. Isto acontece por ocasião de datas festivas como Natal e Páscoa.

Bolsa do Café
Intitulado como Museu do Café Brasileiro, o Palácio da Bolsa do Café resultou de um protejo francês, inspirado no renascimento italiano, que venceu o Salão de Arquitetura de Paris, na primeira década do século XX

Estação do Valongo
Por mais de cem anos o trem de passageiros foi um dos principais meios de transporte.. O prédio esteve ativo até em 30/11/1996, quando foi desativado.

O dia que conversei com o Beto Guedes

Ou o dia que quase tomei um porre homérico com o um dos integrantes do Clube da Esquina

Quais são os mecanismos que expulsam um texto de sua cabeça? Mesmo depois de certo tempo ruminando o que dizer, imaginar mil maneiras de começar a contar uma história, pensar todas os ângulos para compôr a trama, fantasiar um determinado grau de situações, que em nada mudarão o consenso final. Enfim, como montar um enredo que desejamos enquadrá-lo por meio de palavras, sem que o torne estanque, frio, ou apenas um relato de um dia de uma vida qualquer.

Essa aqui, provavelmente, é mais uma dessas histórias que enquadrada, talvez, perca o peso e a sensação duradoura que reinou em minha mente por meses. Às vezes, aprisioná-las em palavras é retroceder ao processo que as trouxeram até aqui. Colocar em palavras, uma atrás da outra, em linhas lógicas a formar um conjunto de simbolos, talvez não ditará como tudo aconteceu, ou como as casualidades foram acontecendo sem nada ser programado. Talvez…

Mas lá se vão alguns meses, algumas histórias novas para contar…

Tudo começou um tempo antes, se fossemos puxar a linha condutora de tudo chegaríamos, provavelmente, aos meus seis anos de idade, e o dia que um álbum duplo mudou minha vida. Mas não perdermos tempo com sentimentalismo e lembranças amareladas pela ação do tempo. Começou antes do dia, e até mesmo da hora prevista para o começo do show.

Leio no jornal: Beto Guedes, Teatro Coliseu, dia 09 de junho de 2006, às 21h30. Pensei: Não perderei por nada nesse mundo – e nem do outro. Abri a agenda – sim, criei coragem, comprei uma, falta-me, apenas, começar a usá-la – em letras garrafais: PROVA SEMESTRAL , segunda aula – Psicologia. Crise. A aula começaria às 21 horas. Perder a prova era impossível, perder o show também. Mas nessas horas acreditamos em tudo, até mesmo um acidente – leve – com a pessoa responsável da aplicação da prova. Nada disso. Ela foi, mas o impossível aconteceu.

Era para ser uma prova de arrancar as cabeças. Disse bem, era. Psicologia costumava ser algo que remete à uma reflexão – minimamente existencial, creio eu; ou sexual, diriam os freudianos –, porém, neste dia, não foi. A avaliação, caso queiram chamar assim durou 10 minutos. Isso porque a professora se atrasou 5. Olhei para o relógio – do celular, que às vezes uso como despertador, e em outras até para me comunicar com alguém – 21h11. De onde estava até o Coliseu, tínhamos uns 15 minutos de ônibus – é, ônibus. Fomos, Guilherme e eu, em direção ao show, que, naquele instante, conseguir entrar já seria um milagre – ou mais um deles.

O show já tinha começado. Conseguimos ingressos – o que, normalmente, compraríamos estava esgotado. Compramos um intermediário – e, por já ter começado, fomos indicados a seguir em frente, o que daria para a parte mais cara do teatro. Por um golpe de sorte, ficamos em lugar privilegiado.

O som estava ruim, mas ruim de doer. O Beto pacientemente pedia, de forma mineira, para a melhor equalização dos equipamentos. Com o tempo foi melhorando, mas longe de um som excelente. Estava estampada a insatisfação do Beto e dos músicos, ainda mais perfeccionistas que são. Em seqüência, o melhor da carreira do compositor mineiro enchia o ambiente de luz.

Eu, anestesiado, fiquei certo par de tempo para crer em tudo aquilo. E, como de costume, comecei a berrar nomes de músicas. Comecei com Cruzada – por motivos maiores que a razão. Ao pedir “A página do relâmpago elétrico”, crente que ele não me ouviria, ouviu-se nos alto-falantes, com um sotaque mineiro, gostoso de se ouvir: “Essa não dá não, estou sem voz. Peça outra”. E deu para pedir outra? A emoção foi maior do que se ele tivesse cantado a música. Preciso dizer que chorei? Descenessário.

Acabou o show, nessa altura mais duas pessoas estavam com a gente. Uma idéia rondou nossas cabeças ao mesmo instante. Ir ao camarim deles. E fomos. Barrados na porta. Tentei barganhar. “Somos estudantes de jornalismo, precisamos entrevistá-lo para o nosso jornal”, ou “sou fã demais do clube, tenho tudo. Até a primeira comunidade no orkut fui eu que fiz”. A produtora dizia que ele tinha saído. E era verdade. Tentei uma última cartada. “Já que o Beto não está, podemos conversar com os músicos?”.

“OK! Deixarei entrar duas pessoas”, disse a produtora. Eu levantei a voz e disse, num tom meio desafiador, meio desesperado, “Ou todos ou ninguém”. Ao falar isso, pensei que tinha posto tudo a perder. E não foi que deu certo. Entramos.

Lá dentro, era como se fosse um universo paralelo. Logo de início vi o baterista Nenê Batera, responsável por gravar grande parte dos discos do Clube. Músico competentíssimo. Fui falar com ele. Ainda acanhado, pois, pode não parecer, sou tímido. “Tem algum motorzinho nessa baqueta aí, Nenê?”, perguntei, como para quebrar o gelo ou fechar uma porta. “Oh, rapaz, tem não”. Daí para frente, falamos de discos clássicos que ele gravou, faixa a faixa, trechos de músicas, de BH, de Minas, do Clube, da música popular brasileira. Eu me senti em casa.

Ele perguntou, “rapaz, mais que idade você tem?”. E me disse, “Estamos indo para o seguinte lugar, o Beto já está lá, vamos?”. Sem grana, com mais vergonha que medo, respondi, “vontade não me falta, agora, grana…”. De forma carinhosamente – e típica – mineira, respondeu: “convidei, não perguntei se tem grana. A gente paga”. Acredita? Nem eu.

Fui.

Lá, sentado-se à mesa do bar, caríssimo por sinal, Beto Guedes. Pânico. Tremor nas pernas, suor nas mãos, um impasse. Vamos ou não falar com ele. Saímos do camarim dos músicos antes que eles, e chegamos ao bar, também, antes que eles. Foi quando, de forma milagrosa, chega a van que trouxe os músicos. Nenê Batera me abraçou e reforçou o convite, me levando até a porta do estabelecimento. Confesso, tinha no bolso R$ 3,00 e creio que a água naquela lugar deva custar mais que isso. Convidando-nos para beber, minha preocupação era se teríamos que ajudar na conta.

Entrei. Sentei-me à mesa, conversei com o Beto. Neste instante, poderia acrescentar que conversamos horas a fio, ficamos amigos de infância, tomamos um porre homérico, e de lá, fomos ao hotel, compomos juntos uma melodia, eu fiz a letra, que sei que não vai ser gravada, pois não registramos nada e, ao acordar, esquecemos tudo. Não foi bem assim.

Conversei com o Beto por uns 10 minutos, mais ou menos, e só. Fechado, e pouco à vontade, devido ao assédio das pessoas estranhas, eu me incluo na lista, falei da minha admiração por ele e de algumas histórias do movimento. E só. Gentilmente, ele nos atendeu, conversou, até riu. Vi que era hora de me retirar, ele precisava relaxar, beber alguma coisa, falar de possíveis falhas do show com a banda e técnicos, por fim dormir. E parti. Partimos.

De lá, fui para uma festa com o pessoal. Gente estranha, festa esquisita, lugar horrivelmente esnobe. Não quis ficar, mas uma amiga de Portugal, em intercambio no Brasil, sugeriu que bebêssemos em outro lugar. Fomos. Como estava sem grana, ela pagou. Ficamos conversando sobre a loucura que foi aquela noite, por horas e horas. Eu não consegui dormir, a excitação era maior que o cansaço físico e mental. Fui para a aula no dia seguinte – sim, tenho aula no sábado, e o pior, pela manhã, Filosofia e Diagramação – sem dormir.

Daquela noite, além das lembranças e história, tenho o ingresso, o set-list do show, autografado pelos músicos e pelo Beto, os telefones do Nenê Batera e o convite dele para uma turnê acompanhando os músicos do clube. Falta só a coragem para ligar.

NUJJOR: ENCONTRO COM AUDÁLIO DANTAS – 02/07/2007

É, chegou ao fim. Fica em nossas mentes a sensação de dever cumprido, o aprendizado adquirido, compartilhado, além de renovadas esperanças e projeções para o futuro. Depois de quase dois meses de reuniões, planos, idéias, nomes, debates, escolhas…, finalmente foi realizado o nosso projeto de um debate paralelo ao Intercom. Realmente paralelo, tanto que nem constava na relação de atividades do evento.

Tivemos a presença ilustríssima do Audálio Dantas, para quem não o conhece, é importante lembrar que se trata de um dos melhores jornalistas que nosso país já teve, foi repórter da saudosa Revista Realidade. Além disso, Audálio era o presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP quando Wladimir Herzog foi assassinado nos porões da Ditadura. Neste cenário, teríamos a idéia de como seria o encontro.

Mas, foi muito melhor que poderíamos imaginar. Além da simpatia e do tato para lidar com as pessoas, o Audálio Dantas deu uma aula de empenho jornalístico e de ânimo para os mais jovens. Com uma capacidade ímpar de acumular a sabedoria dos anos com a vontade, gana e determinação dos mais jovens, Audálio mostrou mais vitalidade em mudar o jornalismo atual que muitos estudantes que conheço.

Outras surpresas cercaram a data. A primeira de todas foi a presença do jornalista Carlos Conde. Uma semana antes, no projeto “Papo de botequim” (encontro com jovens jornalistas com uma figura importante [jornalista, artista, intelectual], com o propósito de conversar sobre a profissão), Conde conversou por mais de quatro horas. Entre histórias, injeções de ânimo e doses de simpatia com modéstia, intimistamente, Conde nos contou sobre seus planos de futuro. Ao vê-lo entrar, minutos antes do início do evento, senti (e creio que todos os envolvidos sentiram) uma serenidade típica dos que fazem a coisa certa.

Aos poucos, alguns professores (os mais apaixonados, envolvidos e incentivadores de ações por parte dos alunos) foram chegando. Neste instante, tive (novamente, creio que tivemos) a sensação que algo bárbaro estava a acontecer. Aconteceu. O debate ocorreu de forma brilhante. Mas um bate-papo que uma forma hierárquica de mesas de discussões. Polêmicas foram levantadas e discutidas com seriedade e profundidade. Visões antagônicas depositadas com bases teóricas de todos os lados. Quem ganhou com isso? Todos os presentes.

Tive esta resposta nos momentos seguintes, nos sorrisos de quem participou. Professores vieram nos parabenizar pelo “sucesso” do evento. Mas nem tudo correu tão bem assim. Tivemos alguns problemas. Poucos estudantes interessados em ir ao evento. Tínhamos o Intercom acontecendo ao mesmo tempo, em outros campi. Depois, nas atividades culturais, a trupe Teatro do Pé teve um problema com um instrumento músicas essencial para o espetáculo. Foram pessoalmente nos dar a notícia, e de forma ética comprometeram-se em participar conosco em outros eventos. O guitarrista Mauro Hector, competentíssimo, manteve os presentes na companhia de boa música.

Com o saldo positivo deste evento, e a experiência adquirida, temos, agora, que continuar com o nosso trabalho sério e reflexivo. Levantar nossas bandeiras e sonhos. Caminhar com mais empenho em nossos projetos, e, com isso, realizarmos o que propomos desde a criação (desde antes da oficializaçãol) do núcleo que era a formação de jornalistas críticos, em uma sociedade mais reflexiva e justa. Utopia? Costumo chamar de vontade de mudar o mundo. Se não for possível o mundo todo, mudaremos o mundo que está próximo de nossos braços. Não sei vocês, mas tenho coragem e vontade suficiente para abraçar o mundo todo.

TERCEIRAS TERÇAS – JOSÉ HAMILTON RIBEIRO

Quebrando a série “35 anos do primeiro álbum do Clube da Esquina, uma história de superação que inspirou um aspirante a alguma coisa. Algumas vezes, eu digo jornalista.

OU SONHOS QUE SE TRANSFORMAM

Certas histórias exigem um pouco mais de tempo para que possamos escrever. Pensei em como começar este relato, em não ser “nariz de cera”, ou, quem sabe, exagerar na parcialidade dos fatos, exagerar nos elogios. Na última terça-feira, dia 17 de abril, o jornalista José Hamilton Ribeiro esteve em Santos, depois de três anos, pelo projeto “Terceiras Terças”, do Sesc Santos e Livraria Realejo. Na última passada por Santos, o jornalista recebeu homenagens e o lançamento de uma biografia, realizada como TCC.

O teatro do Sesc estava lotado, aproximadamente 700 pessoas (dos 785 lugares do recinto) compunham o ambiente intimista, a qual decorreu a entrevista, composto, por maior parte, de estudantes de jornalismo, as perguntas eram direcionadas à profissão. Começou descrevendo os quatro últimos lançamentos editoriais com sua assinatura. Peculiaridades de cada grande reportagem descrita nas páginas de sua obra. Contou a história de Zé Bilico, um produtor rural do de Itapecerica, Minas Gerais, que está no livro “O livro das grandes reportagens”, da Editora Globo. Que em meio a tantas “personalidades”, Hamilton deu voz à sabedoria popular. Seus olhos brilhavam ao descrever o porquê desta escolha.

Destacou a importância da mulher na profissão de jornalista. Importância que a Lya Luft sempre defendeu. Relembrou momentos da Guerra do Vietnã, destacou o momento político-social da primeira, e comparou-a com a Guerra do Iraque. Relembrou dos ideais mortos de uma sociedade justa pelo Socialismo. E, 30 anos depois, deu a vitória do combate na Ásia aos americanos, justificando a abertura ao capital estrangeiro e a livre iniciativa existente nos dias atuais no Vietnã. Emocionou-se ao relembrar momentos da sua tragédia pessoal, mas, neste instante, com a força de um ser humano ímpar, que não desiste, descreveu, de forma jocosa, uma parte do seu drama.

Nas poucas linhas acima temos uma idéia, mesmo que superficial, do ocorrido. Mas algo maior aconteceu, um pequeno gesto, um acontecimento pequeno, uma frase fez reafirmar a chama que por pouco quase se apagou em mim. Minha paixão por livros e música é eminente. Estavam à venda alguns livros do José Hamilton, comprei o “Música Caipira”, (estava com pouco dinheiro, mas precisamente o valor exato do livro e minha condução de regresso à casa). Entrei na fila para autografar meu exemplar. Fila grande, e, pacientemente, o Hamilton atendia um a um, tirando foto, conversando, respondendo, com simpatia e bom-humor. Ele que passara o dia todo em uma maratona de entrevistas à imprensa local. Todos, que ele atendia com um sorriso, diziam ser estudantes de jornalismo ou jornalista. Eu, confesso, fiquei encabulado de tal abertura. Na minha vez, sorri, dei-lhe o livro, e disse: “Ola, mestre”. Ele levantou os olhos, olhou-me e perguntou: “É jornalista?”. Respondi: “Estudante”, ele retribuiu: “Tem todo o jeito de ser”. Tiraram foto deste instante, e, como de habitual, fiz minha pose (não-pose) de tirar fotos.

Voltei para casa, exemplar nas mãos, envaidecido do elogio de um ícone do jornalismo, sentei-me com minha mãe e meu tio (fãs do José Hamilton), na cozinha, recitei trechos do livro, contei minha aventura, senti-me tão jornalista como me senti vivo. Na cama, na hora de dormir, fiquei olhando o teto por bons pares de horas, pensando nos meus sonhos ao embarcar nesta profissão, nos projetos de mudar o mundo, de construir valores de cidadania, de levar conhecimento ao máximo possível de pessoas, germinar cultura, lapidar e descobrir talentos… Sonhos que me fazem viver, que me fazem acordar a cada dia. Estou no caminho certo, penso a cada instante.

Cada caminhada inicia-se no primeiro passo.

Os Livros

Música Caipira
Tropeiros
O Gosto da Guerra
O livro das reportagens

A Foto
Crédito: Carlos Freire
Terceiras Terças - José Hamilton Ribeiro
Encontro com o mestre José Hamilton Ribeiro
Ps: Não levem a sério minha pose.


março 2015
S T Q Q S S D
« fev    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Categorias

Acesso número:

  • 119,334 Páginas vistas.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.