Archive for the 'Poema' Category

Estranhos conflitos

Da janela encoberta vejo o mundo pelos seus olhos castanhos.
Conflitos, estranhos!
Sobre corpos e trilhos, bandeiras e trapos, reflito sobre os dias.
Restos de palavras deixadas sobre a mesa ao amanhecer.
Quase que contente a maioria segue em vão.
Desconcerto, desconsoante.
Infindo, caminho sozinho sob o sol do arpoador rumo ao precipício.

Desta janela a qual me fecho e tento ver o mundo.
Teimosamente busco descrever com palavras rotas, apagadas.
E caprichosamente para seus caminhos ao destino.
Rascunhos de vidas rabiscadas em cantos de papel.

Desta janela vejo o resto deste mundo caótico.
Pequenas fendas feitas de promessas e verdades vazias.
Santíssimo espírito. Vitória!
Meias verdades, mero acaso.

E esse berro preso na garganta e que tanta mágoa traz ao coração ainda ferido?
Tal qual a falta de coragem a enferrujar meus passos tardios?
Talvez seja um mar de insegurança sem enxergar além de um palmo?
Ou personificação de um ser mitológico perdido, esquecido?
Por que perco tanto tempo em tentar saber quem sou? Seja, e nada mais.

Tempestade

Não olhei com medo de uma tempestade caísse em seus pés
No escuro de suas palavras. Frio feito por pouco.
Olhares

Hoje percebi que há muito não sonhava mais.
Vi em lados. Vi aos pedaços opacos – Eu

Não olhei para trás com medo que um terremoto
formasse a meus pés
No silêncio frágil de seus passos, feito foi escuridão

Melhor seria parar ao rumo, sobre o mundo.
Voltasse, derretido do céu. Uma nova estrela.

Amanhecer

Não sorri com medo de uma tormenta arrancasse
meus pés do chão
Nos segundos sagrados que seus olhos
caminhavam ao léo. Silêncio

Sorriso partido. Antes era medo. Agora ausência
Novas voltas de uma tempestade acostumada a
não parar.

Rota em colisão

Esqueço meu nome.
Confundo seu signo.
Espero sua volta.
Sigo, seco, solto!

Pergunto sobre seu dia.
Escuto seu pranto.
Espero seu abraço.
Calo, canto, silêncio.

Sorrio seus lábios.
Edifico seus passos.
Procuro sua luz.
Padeço, palhaço, pareço.

No silêncio de seu quarto
ecoam aplausos calorosos.
Em nossas mentes, lembranças,
Sorrisos, semeio, sem meio.

Vestido com seu rosto.
Sinto seu brilho raro.
Sombras entre seus passos.
Quieto, carente, calado.

Confundo seu vestido
com o infinito do universo.
Sinto seu aroma no ar.
Respiro, reparo, represento.

Atuo em sua peça.
Recebo os seus aplausos.
E o seu sorriso mais sombrio.
Sozinho, sem rumo, seus passos.

Versos sujos perdidos

Não basta o seu gesto impiedoso
A soar como antigo cântico
De novo, o velho gosto do novo

Não basta seu jeito imposto
Seu corpo a exalar o aroma de carvalho
O leve torpor agridoce do orvalho

Não basta seu sopro indecoroso
Mordido ao breve tremor de um suspiro
A remeter a dor de um instante perdido

Não mais basta seu olhar indeciso
Vasta glória, agora, jaz
Existe distância, mas não há paz

Ab(surdo)

Se o absurdo,
por um segundo
fizer-me sonhar
ou, quem sabe,
calar-me a voz
engasgada
e encher a face
com gosto de lágrimas.
Saberei que não
foi apenas um sonho
abstrato.

Se suas palavras
mudas forem visíveis
apenas aos meus olhos
insensatos,
desesperados,
incompreendidos.
O silêncio da noite
interminável
faz-me renovado
para um outro
amanhecer.

Improvável
perder a esperança.
Contra-senso seria
não mais ter
a presença
de sua voz suave
que me fazer calar
a boca, a mente
e o coração.

Labirintos

Procuro minha mão no escuro,
encontro escombros de um dia de sono.
Pesadelo de uma noite mal dormida;
fumaças de cigarros num lugar estranho,
uma jovem, pessoas desconhecidas ao redor.
Não sei se devo seguir.
Sinto que algo está para terminar.
Cada vez mais veloz, o fim parece se aproximar.

Um terço pendurado em cima da cama;
de uma vida inteira voltada para a religião.
Procuro minha mão no escuro,
encontro escombros de uma noite de insônia.
Sinto um corpo frio ao lado.
Olho para os redor, estrelas perdidas
de um teto menos luminoso que uma camiseta em uma vitrine.
Sigo seus passos; não sei seu nome, Maria!
Uma jovem de mãos e braços vestidos;
garotos e garotas perdidos em filmes e bares.
Tudo parece fora de lugar.

Não quero me preocupar.
Deve ser tarde demais!
Olho para os lados, tudo parece estar em paz.
A mesma calmaria que não há em mim.
Matemática, confusões e algo que não esteve ao meu alcance.
Creio que devo desculpas a estranhos.
Estrelas que não brilham mais no céu da Espanha.
Olho para o lado, sinto o frio derreter meus sentidos.
Tudo está bem?
Olho para os cantos
e vejo todos perdidos em labirintos tortuosos.
Jovens garotas enganam-se como se vivecem em um contos de fadas.
Miro para os lados e tento me convencer que tudo está bem.
Sem sucesso.

Suspiro aliviado, para minha surpresa,
fico calmo pela primeira vez desde que acordei.
Assustado pelo sonho de uma morte que tive: faz duas semanas.
Sonhos vivem livres e se despedem por aí.
Sem ao menos tocarmos.
Perturba-nos alma de flores vistas nos cinemas ordinários.
Livros, lixos ou o que a mente espera de um pobre pecador.
Perdido, procuro em todos os cantos. Não posso olhar.
Seguir trajetos de um passo no escuro.
Agora sim parece o fim. Pegadas de caminhos tortuosos.
Saídas em todas as portas!

Solidão nuclear

Rotas incertas e incompletas voltas,
em remotos começos sem fim:
a cada hora, uma nova história.
Tímidos devaneios da alma em ebulição.

Extremos sempre cicatrizaram meus dias.
Passos em direção ao precipício,
calmarias em dias tropicais:
inverno e pôr-do-sol ao amanhecer.

Sigo por trajetos não traçados,
em aventuras não vividas.
Recomeço e fim que se encontram
no escuro abstrato das palavras.

Luta vã a minha, tecer em versos
os horizontes perdidos do amor.
Chaga tatuada no espírito,
tempestade e calmaria que não cessam.

A paz próxima e distante ao olhar.
Peito aberto para engolir o mundo.
Imaginário e real em polos opostos
em luzes apagadas da solidão nuclear.


agosto 2017
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